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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 29 ) ... Funchal - Lisboa

Dia 08 :

Funchal.
O porto, visto lá de cima!
Após uma estadia que não foi mais que uma breve paragem, o navio levantou amarras às 09h 05min e de pronto, às 09h 17min, prosseguiu viagem.

(Apesar de tudo, deixo aqui mais dois pedacinhos do Funchal)
Funchal.
Memória dos descobrimentos.

Vento de través e o mar ligeiramente picado, obrigava a uma navegação um pouco adornada a um dos bordos.
Esta noite, praticamente, não se dorme. O tempo disponível, que já durante o dia tinha sido aproveitado a embalar as encomendas, também à noite é aproveitado. E há sempre mais uma caixinha ou embrulho a fazer. A alfândega não dorme e nós temos que nos precaver para alguma peça que seja considerada contrabando, caso dumas garrafitas de whisky, acima do limite permitido, ou outro qualquer produto com que possam implicar. Mas, tudo se há-de resolver! O tempo urge e a necessidade aguça o engenho!

Dia 09 :

Desta vez, ao contrário do que é habitual, em que o navio chegava manhã cedo, o navio vai chegar quase à noite. É uma novidade, ver a entrada do Tejo, à luz do dia.

Assim, o “Angola”, apresentou-se na barra do Tejo, às 17h 21min e embarcou piloto às 17h 36min.
Neste momento os relógios de bordo foram adiantados de 60 minutos. 

O Bugio.
(Quase 50 anos depois)
Rio acima. A Ponte, agora 25 de Abril e o Cristo Rei.
(25 anos depois)
Torre de Belém. Ao fundo, o Padrão dos Descobrimentos e a Ponte.
(25 anos depois)
Forte de São João das Maias








Na Praça do Império. O Mosteiro dos Jerónimos.

(25 anos depois)
Não é Gare Marítima de Alcântara. Estava em obras de aumento do cais.
Esta é a da Rocha, mas é uma desolação. Às moscas...
Passado o Bugio, rio acima, apreciamos a beleza das margens do Tejo e vislumbramos Lisboa lá ao fundo. Lá estão, também, o Cristo Rei e a Ponte Salazar, quase concluída, dando-nos as boas vindas. E, chegados defronte da Gare Marítima de Alcântara, pejada de gente, o navio manobrou e, às 20h 18min, acostou.

Seguiram-se as saudações, os abraços e beijos dos entes queridos e uma alegria imensa pelo regresso a casa. Militares, poucos, agradecem a Deus este regresso e lembram os que nunca mais voltarão, ou farão um regresso "entre tábuas". Outros, vulgares passageiros, ansiarão por começar a gozar umas férias que tentarão serem o mais longas que lhes for possível até que retornem à "sua" África, onde fizeram ou refizeram a sua vida. Ainda outros há que estarão de regresso às origens, felizes uns e desencantados outros, os que não encontraram o seu "eldorado". E, no meio de tudo isto, há os que fazem vida disto, pois já o Marquês de Pombal dizia que havia homens para tudo, até para andar no mar!

Para os meus “passageiros” não sei se a viagem foi tão agitada que lhes provocou enjoo, ou tão calma que os tenha adormecido ou ainda que o enjoo tenha sido provocado pela descrição deste cronista, armado em Vasco da Gama e que se meteu na pele dum émulo de Pêro Vaz de Caminha.
Para eles, esta viagem virtual termina aqui. A minha, a viagem verdadeira, não só me obriga a ficar de serviço até amanhã às 08.00h como ainda vai ter um prolongamento, de novo, até Leixões. No regresso, será a minha despedida desta “vida de marinheiro”.
Prometo que não vos convidarei para mais nenhuma “viagem” tão longa. Talvez só alguma viagem à Outra Banda ou, quem sabe, um “passeio fluvial às Caldas”!