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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"Corrigindo" ... a História !



Todos sabemos que o relato de qualquer acontecimento nem sempre é coincidente. Depende muito de quem o conta. Diz-se que, quem conta um conto acrescenta um ponto! Ora o facto ainda pode ser mais deturpado se a água da fonte onde se for beber a informação estiver, dalguma forma, “inquinada”!

Isto tudo, vem a propósito dum “post” que eu coloquei neste blogue, no dia 30 de Junho de 2010, onde referia o caso de insídia com que os espanhóis buscavam apoderar-se da praça de Salvaterra do Extremo, em 1655.
A certa altura desse “post”, dizia eu:
 “Acertados os pormenores para 30 de Junho, aproveitando as festas de São Pedro, e posta a operação em marcha, 37 oficiais espanhóis disfarçados de paisanos mal puderam acreditar no que lhes aconteceu.”

Isto tudo fui eu “beber” algures onde, de momento, não consigo precisar!

Porém, como acompanho com frequência o blogue guerradarestauracao.wordpress.com,
aí deparei há algum tempo com um trabalho de  Juan Antonio Caro del Corral, licenciado em “Documentación por la Universidad Carlos III, de Madrid”, intitulado “LA FRONTERA CACEREÑA ANTE LA GUERRA DE RESTAURACIÓN DE PORTUGAL... (1640 – 1668), inserto na Revista de Estudios Extremeños, 2012, Tomo LXVIII, Nº I I.S.S.N.: 0210-2854e do qual transcrevo um excerto: 

Avanzado ya 1655, toda la atención estuvo puesta, nuevamente, sobre la
plaza de Salvaterra do Extremo. En esta ocasión, desechando el método violento
de las armas para intentar conquistar el lugar, volvió a utilizarse una táctica ya
empleada en otros momentos, al comienzo de la guerra: el pacto de entrega.
Esta vez el responsable de la acción fue un caballero de noble alcurnia,
Alonso de Sande, que tenía el gobierno militar de Ceclavín, pueblo cuyos vecinos seguían manteniendo a buen ritmo el peligroso oficio del contrabando en
villas portuguesas, sobre todo con la mencionada Salvaterra. Precisamente,
aprovechando esa relación comercial, Antonio Soares da Costa, máxima autoridad salvaterrana, propuso a Sande rendirse a las armas de Castilla. Aceptado
el trato y orquestado el plan para llevarlo a efecto, Alonso pasó, junto con 23
compañeros, todos vestidos a la usanza de contrabandistas, a la plaza portuguesa el día 29 de junio, festividad de San Pedro Apóstol. Pero, una vez dentro
del pueblo, la gente de armas del mismo negó el acuerdo, sin dar la oportunidad para huir de la emboscada que se estaba fraguando. Todos los soldados
extremeños fueron brutalmente asesinados, resultando especialmente virulenta la muerte de su cabecilla, Sande, cuyo cuerpo, tras ser maniatado a la boca
de un cañón, acabo volado al dispararse aquel.
La sombra funesta que dejó aquel acontecimiento, pesó como una losa

É a visão deste episódio, mas do lado de lá e que tive ocasião de, no mesmo blogue, fazer o meu comentário e ter a amável resposta do autor.
Hoje, cumpre-me corrigir a informação que eu então dei e completar o meu referido comentário.
Assim, a “minha verdade” e de acordo com documentos que a “santa internet” ( “Synopse dos decretos remittidos ao extincto Conselho de Guerra”, vol. 1 – 2, de Claudio de Chaby Portugal) nos possibilita, permite-me afirmar que:
a)      Os pormenores podem ter sido acertados para que a operação tivesse lugar no dia 30 (ou 29) mas o facto é que só o foi no dia 21 de Julho (quarta-feira) e isto porque por motivos  dalguma desconfiança, da parte castelhana, foi ... antecipada!
b)      Na versão de António Soares da Costa, que deve bem ter contado o número de infelizes a quem tirou a vida, eram “37 os oficiais espanhóis disfarçados de paisanos” e não os 23 referidos por Juan Caro de Corral, nem os 30 que teriam sido anunciados por D. Alonso!

Esta é a minha “verdade” e que espero não esteja muito distante da verdade histórica!

Penso tornar a este assunto, por via da vida de António Soares da Costa!