quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Salvaterra vai ter um hotel ... de palha!

Esperemos que seja mesmo verdade. Salvaterra recusa-se a definhar e vai tentando, dum ou doutro modo, acompanhar o progresso. Desta vez fazendo uso de técnicas ancestrais mas que se estão, cada vez mais, a impôr como técnicas do futuro.

Do Jornal "Reconquista", de 17 de Junho passado, de que só agora tive conhecimento, retirei a seguinte notícia:

Hotel de palha abre em Idanha
O primeiro hotel de Portugal construído em palha vai ser instalado no concelho de Idanha-a-Nova. Aquela estrutura resulta de investimento privado, vai funcionar em Salvaterra do Extremo e terá cerca de 30 quartos.

Por: João Carrega



17 de Junho de 2010 às 17:32h
A freguesia de Salvaterra do Extremo, em Idanha-a-Nova, vai acolher o primeiro hotel, construído em palha. O Hotel Rural Sítio do Calvário, de quatro estrelas, resulta de investidores privados (Paulo Lopes, Carlos Rascão, Anabela Elias e Isabel Lopes), com ligações à região, e surge numa lógica de sustentabilidade ambiental em que a poupança de energia surge como aspecto importante.

Paulo Lopes, em representação da empresa Salvatur, e Armindo Jacinto, vice-presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, confirmaram isso mesmo ao Reconquista. “O projecto já foi aprovado no Turismo de Portugal e já deu entrada na autarquia”, disse o autarca. O investimento será de cerca de dois milhões de euros.

O Hotel, desenhado pelo arquitecto Teixeira Pinto, vai entrar dentro dos Programas de Valorização Económica de Recursos Endógenos (Provere) e tudo indica que o processo possa avançar no decorrer deste ano. “O objectivo é que a construção se inicie em Janeiro de 2010, para que em Novembro esteja a funcionar”, explica Paulo Lopes.

O empresário adianta que o hotel tem duas áreas distintas. Uma para os hóspedes, onde surgem diferentes comodidades, como piscinas interiores e exteriores aquecidas, jacuzzi e espaços de lazer. E outra aberta à comunidade, onde vai ser criado um centro de actividades, com bar, esplanada e um salão com capacidade para 270 pessoas. Promoveremos também a práticas de diversas modalidades”.

O Hotel ocupará uma área de 90 mil metros quadrados, será dividido em vários edifícios, e terá cerca de 30 quartos. É nesses 90 mil metros quadrados que serão instalados outros serviços, já que a construção física das estruturas não ocupará todo o terreno. “Faremos um circuito de manutenção e teremos uma área reservada ao campismo, a qual pode acolher escuteiros, escolas ou outras entidades”, justifica Paulo Lopes.

Na sua construção, em vez dos tradicionais tijolos, vão utilizar-se entre outros materiais, blocos de palha, pedra cortiça, madeira, argila e outros produtos. Paulo Lopes explica que “neste momento, devido ao clima, está fazer-se um estudo sobre os materiais a utilizar”.

Armindo jacinto lembra que “o objectivo é que a construção seja feita de modo a que a sustentabilidade ambiental seja acompanhada da vertente económica. Ou seja, a ideia é que os custos de construção sejam baixos e que as obras não demorem muito tempo”, explica Armindo Jacinto.


Idanha com prémio
O autarca revela que no concelho de Idanha-a-Nova estão “a concentrar-se um conjunto de saberes relacionados com a sustentabilidade ambiental, para que possamos fazer desta área uma actividade económica. A ideia não é só aplicar os nossos conhecimentos em Idanha-a-Nova, mas também exportá-los para fora. Isso já se verifica com a organização do Boom Festival, ou com a instalação de um centro das Nações Unidas em Idanha-a-Nova com vista à criação de soluções amigas do ambiente nas áreas da construção ou tratamento de energia, por exemplo”.

A construção daquele hotel no Concelho vem ao encontro das preocupações ambientais defendidas pela autarquia de Idanha-a-Nova e que recentemente foi distinguido como o Concelho mais Ecológico do País. “Entre vários critérios, destaca-se o consumo de energia. Esta distinção vai ao encontro da nossa estratégia”, assegura.

Oxalá este empreendimento seja um bom augúrio e possa servir de exemplo a outros investidores, em prol da região e de Salvaterra do Extremo em particular que, uma e outra, bem precisam!

Nota: Onde está “O objectivo é que a construção se inicie em Janeiro de 2010, para que em Novembro esteja a funcionar”, deve querer dizer-se "... em Janeiro de 2011,..."

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Balio de Leça terá sido Governador de Salvaterra ?...

A coincidência de várias terras com a designação de Salvaterra (casos de Salvaterra de Magos, Salvaterra do Minho e Salvaterra do Extremo que também já foi só Salvaterra e Salvaterra da Beira), dá origem a algumas confusões nos relatos históricos que nos foram chegando.
Assim, vamos tentar decifrar o que se passa com a nomeação do Balio de Leça, para Governador de Salvaterra do Extremo.
De acordo com o livro “Memórias históricas da antiguidade do Mosteiro de Leça, chamada do Balio”, da autoria de António do Carmo Velho de Barbosa, editado em 1852, consta que:
Em carta de 2 de Outubro de 1645, o Balio, Fr. Lopo Pereira de Lima terá oferecido os seus serviços a D. João IV. Estávamos em plena consolidação da Restauração da Independência de Portugal. Consta, então, que o rei lhe terá respondido, nesse mesmo mês de Outubro de 1645, com palavras de muito apreço e afecto, nomeando-o para Governador de Salvaterra do Extremo. Algum tempo depois nomeou-o para governar a guerra do Sertão, em Pernambuco mas Fr. Lopo Pereira de Lima, escusou-se a tal nomeação, invocando a necessidade de ir a Malta render seu irmão, Fr. Diogo de Melo Pereira. No entanto esta escusa e a ida a Malta não teria outro objectivo que não fosse a de criar condições para ser nomeado para o Grã Priorado do Crato, ideia que já traria há algum tempo. D. João IV, porém, em carta datada de 4 de Julho de 1646, escrita em Alcântara (será, em Lisboa?) mostrando grande consideração, sempre lhe foi dizendo que estimava que o seu irmão se encontrasse de boa saúde e pronto a voltar ao reino para que ele, D. João IV, pudesse contar com pelo menos um deles, já que não podia contar com ambos. Bem “mexidos os cordelinhos”, a Ordem de Malta nomeou Fr. Lopo para Prior do Crato. Logo que disso teve conhecimento, o Rei não se mostrou assim tão cordato e tratou de impedir que tal nomeação se tornasse efectiva. Esta atitude do Rei, baseava-se em que ele mesmo pretendia esse lugar para o Infante D. Pedro (que viria a ser D. Pedro II).
Com a morte de D. João IV, voltou Fr. Lopo à carga fazendo diligências, junto de D. Afonso VI, para que os seus anseios fossem concretizados. Debalde o tentou pois que o Rei o honrou apenas com uma carta de louvor pelos seus serviços e de seu irmão, mas lhe proíbe “absolutamente de usar tal nomeação”, nem dalgum título que pudesse advir dela.
No entanto no seu epitáfio sepulcral que ele próprio mandou construir, lá está. “Aqui jaz Fr. Lopo Pereira de Lima, Gran Prior do Crato, Balio de Leça…”

Ora, no site da Câmara Municipal de Ponte de Lima, referindo “Figuras Limianas”, acerca de Frei Diogo de Melo Pereira, diz o seguinte:
Quando se iniciou a Guerra da Restauração foi chamado para prestar serviço como Capitão-mor de Barcelos (carta de 29 de Maio de 1641), governando as Armas da Província, em conjunto com Manuel Teles de Meneses e o Coronel Viole de Athis. Em 1641 governava a praça de Lamas de Mouro na fronteira de Castro Laboreiro e em 1645 tomou Salvaterra da Galiza, que se manteve na mão dos portugueses até ao final da guerra. Entre os diversos folhetos patrióticos que corriam impressos, enaltecendo as vitórias alcançadas e relatando as incursões sobre território inimigo, foram publicadas, a propósito da tomada de Salvaterra, a "Relaçam da entrada que fizeram em Galliza os Governadores das armas da Provincia de entre Douro, & Minho o Mestre de Campo Violi de Athis, que por carta de sua Magestade exercita o cargo de Mestre de Campo General, & Manoel Telles de Menezes Governador do Castello de Vianna, & Frey Diogo de Mello Pereira Comendador de Moura Morta, & Veade da Religiaõ de sam Ioam de Malta, Capitam mor de Barcellos", e a "Relaçam do felice sucesso, que tiveram Fr. Dioguo de Mello Pereira de Britiandos, Commendador de Moura Morta & Fr. Lopo Pereira de Lima, seu irmão Commendador de Barró da Ordem de Malta, a quem o General Dom Gastão Coutinho encarregou do governo das armas, na entrada, que se fez em Galiza...", uma e outra impressas em Lisboa, em 1641 e 1642.
A 7 de Julho de 1645, Diogo de Melo Pereira pede a el-Rei que o liberte da responsabilidade no Governo das Armas do Minho, fazendo-o substituir, para que possa regressar a Malta. A resposta não tarda. É-lhe dada a permissão e confirmado o soldo no posto de Mestre de Campo.


Por aqui se pode ver que Fr. Lopo Pereira de Lima, acompanhava o irmão nas suas lutas fronteiriças no Minho e que, em 1645, Salvaterra (da Galiza) foi tomada. E que Fr. Diogo, estava realmente em Malta em 1646.

Conclusão: Pois, se é exactamente no mês de Outubro de 1645 que D. João IV nomeia Fr. Lopo Pereira de Lima, como Governador, o que parece mais lógico é que tenha sido desta Salvaterra, na Galiza, acabada de tomar e não de Salvaterra do Extremo!
Deste modo, Frei Lopo Pereira de Lima, parece não ter sido nem Prior do Crato, nem Governador de Salvaterra do Extremo!...
Parece aceitável que, em 1852,(mais de 200 anos depois) o autor tenha confundido as "Salvaterras".
Enigmas da História de Portugal!

Nota: A gravura representa Fr. Diogo de Melo Pereira e foi retirada do site da Câmara Municipal de Ponte de Lima

sábado, 20 de novembro de 2010

21 de Novembro ... de 1807 ! Salvaterra e as Invasões Francesas .

Quando Napoleão Bonaparte subiu ao poder, pelos fins do século XVIII, agravaram-se as relações entre a França e a Inglaterra. Esta declarou, em 1806, um bloqueio à navegação francesa e, como resposta, Napoleão, pouco depois, anunciou que consideraria inimigos todos os países que negociassem com a Inglaterra. Portugal dependia fortemente do comércio britânico pelo que só em parte acedeu às exigências do imperador.
Posto isso, Napoleão decidiu então invadir Portugal. Assim, começou a reunir um corpo de exército de uns 25.000 soldados de infantaria e de 3.000 a 5.000 de cavalaria, sob o comando do General Junot, avançando a partir de Bayonne (na Gironda).
A esses juntaram-se espanhóis, 8.000 de infantaria e 3.000 de cavalaria, que entrariam em Portugal. Sabe-se hoje que o percurso inicialmente previsto seria com a entrada pela Beira Alta mas Napoleão ordenou que se fizesse pela margem direita do Tejo, pela Beira Baixa, onde a defesa era mais ténue, para que se atingisse Lisboa mais rapidamente. Há quem diga que eram apenas 26.000 os homens comandados por Junot e que chegaram a Alcântara, a 17 de Novembro de 1807, completamente extenuados, mal vestidos, descalços, e mortos de fome. Ainda no dia 18 (algumas fontes dizem que foi no dia 10) entrou uma companhia de atiradores em Segura, no dia 19 (também se diz ter sido no dia 20) a vanguarda, composta pelo Regimento 72 de Infantarias, por duas companhias de sapadores minadores catalães e pelo Regimento de “hussardos” espanhóis de Maria Luísa, sob o comando do General Antoine Maurin, (feito General de Brigada em Junho desse ano), avançou por Segura, Zebreira, Idanha-a-Nova e no dia seguinte (dia 20, ou 21) entrou em Castelo Branco.
Nesse mesmo dia 20, as restantes forças, a 1ª e a 2ª divisões de infantaria e a do general espanhol Carrafa, saíram de Alcântara onde estavam estacionadas e repartiram-se por vários itinerários, em direcção a Castelo Branco. As forças que tinham ficado em Zarza la Mayor, só depois (muito possivelmente no dia 21) passaram o Erges a vau, onde existem restos da fortaleza (possivelmente será a atalaia) e, sem oposição, porque era essa a ordem oficial que os portugueses tinham recebido, entraram por Salvaterra do Extremo, seguindo por Zebreira, Ladoeiro e Castelo Branco.
O povo, na sua grande maioria assustado, tinha fugido, escondendo-se, a si e a alguns parcos haveres, o melhor que pôde e soube, para evitar males maiores, já que o invasor, cansado e esfomeado, pois em Espanha tinha sido impossível encontrar víveres, saqueava e vilipendiava as indefesas populações. De seguida, os exércitos avançaram para Abrantes onde Junot estabeleceu o seu quartel-general.
Era a 1ª Invasão Francesa!

(A gravura, retirada da net, representa o General Junot)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Agradecimento

Há pouco mais de 1 ano, entenderam criar-me um blogue, "Salvaterra no coração". Fiquei agradecido mas, resolvi criar eu um outro, (este), "Salvaterra e eu", mais ao meu jeito. Não que desmerecesse o primeiro mas, como expliquei nessa altura, sobravam-me as razões para criar o segundo!
Tem sido um trabalho muito gratificante onde novos amigos me foram contactando e, ficando agradados com o meu trabalho, me foram ajudando a continuar.
Não quero pois deixar de referir que neste mês de Novembro, nos dias 5, 11 e 17, fizeram o favor de referenciar o meu trabalho, respectivamente os blogues: www.aldeiadaminhavida.blogspot.com (postando umas quadras minhas sobre Longroiva); "blogcortecega-Noticias da minha terra", da minha amiga bloguista Eugénia Santa Cruz (postando umas quadras minhas sobre um texto acerca do Castelo de Góis" e por último a referência no blogue "Aldeia de Santa Margarida", no concelho de Idanha-a-Nova, da responsabilidade de Helder Robalo e que a seguir transcrevo:

Para os nossos conterrâneos, e todos aqueles que querem conhecer um pouco melhor a região de Idanha-a-Nova, passa hoje a constar mais uma ligação para um espaço sobre freguesias do nosso concelho.

Desta feita é um blogue sobre Salvaterra do Extremo, e não só, e passa a constar, ali na barra lateral, da lista de "Terras e sítios amigos".

Visitem porque, numa primeira vista de olhos, pareceu-me muito interessante


Por tudo isto e por me sentir muito honrado com tais referências, não esquecendo os que me têm comentado, tendo a paciência de ler os meus escritos, aqui venho deixar a todos o meu
Bem hajam!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Salvaterra ... terra de 2 brasões !

No dia 21 de Julho de 2006 a Junta de Freguesia de Salvaterra do Extremo, produzia o seguinte documento:

EDITAL

Brasão e bandeira

António Tomás Lopes, presidente da Junta de freguesia de Salvaterra do Extremo, do concelho de Idanha-a-Nova, torna pública a ordenação heráldica do brasão e bandeira da vila de Salvaterra do Extremo, tendo em conta o parecer da Comissão Heráldica de Arqueólogos Portugueses de 6 de Abril de 2006 e que foi aprovado, sob proposta da Junta de Freguesia, em sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia, efectuada em 14 de Julho de 2006:

Brasão - escudo de ouro, com perfil de castelo de negro, acantonado em chefe da Cruz da Ordem do Templo e Cruz da Ordem de Cristo; em campanha, burela ondada de azul. Coroa murada de prata de quatro torres. Listel branco, com legenda a negro: “VILA DE SALVATERRA DO EXTREMO”;
Bandeira - esquartelada de vermelho e amarelo. Cordão e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

21 de Julho de 2006. – O Presidente da Junta, António Tomás Lopes.

E é este o brasão que se encontra logo à entrada da terra, na “volta da estrada”!

Pois bem! Mas, chegados um pouco mais acima, junto ao Cruzeiro, deparamos com outro brasão!

Que estranho! Dirá qualquer visitante e talvez os próprios habitantes da terra. Então, Salvaterra não tinha nenhum brasão e, agora, já tem dois?
Até, há quem diga que este é que é o verdadeiro! Será?
O certo é que, para este, existe um parecer da mesma Comissão Heráldica, datado de 16 de Agosto de 2001, que diz o seguinte:

PARECER

Brasão - escudo de prata, pano de muralha de negro, lavrado de prata e firmado nos flancos acompanhado em chefe de uma oliveira arrancada de verde e frutada de negro e, em campanha, de uma lanterna de mineiro de vermelho, acesa e realçada de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com legenda a negro: “SALVATERRA DO EXTREMO”;
Bandeira - esquartelada de verde e branco. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.

Selo: Nos termos da Lei, com a legenda: “Junta de Freguesia de Salvaterra do Extremo – Idanha-a-Nova”

Parecer emitido nos termos da Lei 53/91, de 7 de Agosto.

O Secretário da Comissão de Heráldica

José Bènard Guedes



A justificação para os símbolos é a seguinte:
Oliveira:
representa as principais actividades económicas da freguesia: a agricultura e a olivicultura.
Pano de muralha:
representa o castro lusitano que foi aproveitado pelos romanos e à volta do qual se gerou o desenvolvimento e crescimento da população.
Lanterna de mineiro:
representa aquela que outrora foi a principal actividade económica de Salvaterra do Extremo: a actividade mineira


Sem pôr em causa a bondade de um ou outro brasão, quem souber porque estranha razão se mantém este brasão, poderá avançar com alguma explicação para mais este mistério de Salvaterra! Eu, pessoalmente, agradeço!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Jóias de Salvaterra ( 5 ) - As Capelas

Sendo Salvaterra do Extremo, devota de Santa Maria, tendo por padroeira Nossa Senhora da Conceição (tal como Portugal, desde D. João IV) e tendo sido Comenda da Ordem de Cristo, distribui ainda a sua devoção por Santa Luzia, Santo António e por Nossa Senhora da Consolação que, por obra da sua intersecção durante uma praga de gafanhotos se veio a transformar num símbolo agregador da diáspora salvaterrenha.
Essa devoção é visível nas capelas que lhes foram erigidas e que são:

Capela de Santa Luzia, localizada na rua de Santa Luzia, entre a rua da Corredoura e a Praça. A festa, em sua honra, é em Agosto, no fim de semana anterior ao dia 24. Porém, por estranho que pareça, o vigário de Salvaterra, Frei Sebastião Pires Moreira, em 17 de Maio de 1758, nas “Memórias Paroquiais” escreve que os espanhóis costumavam visitar esta capela no dia 13 de Dezembro. Qual o motivo, desconhece-se!

Capela de Santo António, localizada ao fundo da rua das Cruzes, no caminho da Deveza. Chama-se rua das Cruzes porque era onde estavam colocadas as 3 cruzes (o Calvário) que daí foram retiradas e transferidas, em 1895, para junto do Cemitério Novo, então construído por iniciativa de João Henriques de Carvalho, benemérito salvaterrenho!
A sua festa, embora neste momento me pareça sem especial significado, é em Junho, no dia 13, como é natural!
Esta ermida é bem antiga, sendo já referida em Outubro de 1695, onde se lhe mandam fazer mordomos para que tratassem da manutenção e decoro da ermida, bem como da festa anual em louvor do santo.

Capela de Nossa Srª da Consolação, erguida em 1905, na Deveza, onde outrora existiu a capela de Santo Amaro e, mais tarde, a Capela do Senhor de Pedra.
É aqui que, todos os anos (desde 1905), se faz um Bodo em honra da padroeira em virtude de promessa antiga por via da intersecção de Nossa Senhora da Consolação durante uma praga de gafanhotos que assolou estas terras, pelos anos 80 do século XIX segundo alguns autores, muito embora a devoção a Nossa Senhora da Consolação seja de origem bastante mais remota. Pensa-se que remonte ao século XVI (em Salvaterra, mas no lugar de Monfortinho).

Enquanto a Igreja Matriz, é de suposta construção no séc. XV, pode ver-se nos desenhos de Duarte d’Armas que estas capelas não parecem estar aí representadas, pelo que deverão ter sido construídas no séc. XVI ou XVII, uma vez que a igreja da Misericórdia se supõe da primeira metade, ou do princípio, do séc. XVI. Talvez a de Santa Luzia, por estar dentro dos muros da vila, tenha sido anterior mas as de Santo António e de Santo Amaro serão, porventura, mais tardias. Por isso, talvez fins do séc. XVI ou já no séc. XVII.

Ainda nas “Memórias Paroquiais”, escreve o vigário de Salvaterra, Frei Sebastião Pires Moreira, que:
“Dentro do castelo … há uma capela chamada de S. Benedito sem ornato”…
“Há mais fora dos muros três capelas arruinadas, de sorte que de uma só há vestígios, e das duas ainda se conservam as paredes, e estas se chamam S. Pedro e S. Domingos, e aquela de S. João”.

Da de São Pedro, junto ao que resta do Cemitério Velho (Cemitério de São Pedro), ainda hoje se podem ver as ruínas.

A de São Domingos, consta que se localizasse no Couto, onde se diz haveria um convento e existe a ribeira de S. Domingos.
A de São João, seria no local onde hoje é o Poço de São João.

Nota: As fotos não são as que pretendia apresentar pois que algumas são referentes a momentos da vida pessoal e que nada representam no que concerne à importância do património apresentado. Porém, não tinha outras! Do facto as minhas desculpas.

domingo, 24 de outubro de 2010

Jóias de Salvaterra ( 4 ) - Igreja da Misericórdia

Tem, Santa Luzia e Santo António,
mais a Igreja da Misericórdia,
para afastar o Demónio
e o povo ter concórdia.


Em 1498 era fundada em Lisboa a primeira irmandade da Misericórdia, sob a égide da rainha D. Leonor, que tinha como objectivo prestar assistência a pobres e enfermos. O exemplo foi seguido por diversas localidades um pouco por todo o território continental, e nos 25 anos que se seguiram foram criadas cerca de 60 irmandades. Na vila de Salvaterra do Extremo, conhecida no início do século XVI como Salvaterra da Beira, a Misericórdia terá sido criada poucos anos depois da irmandade lisboeta, possivelmente no ano de 1505.
Terá sido, então, algum tempo depois de 1505 que a Misericórdia local deu início à construção da sua igreja no centro da vila e, num dos arruamentos laterais ao largo da igreja, foi edificado o hospital da irmandade, que prestava assistência aos enfermos do então concelho de Salvaterra da Beira, havendo comunicação entre este e a igreja pelo interior do quarteirão.
Este hospital, era administrado por um religioso de S. João de Deus a que se chamava prior do dito hospital, ajudado por outro religioso, custeando o Rei as despesas.
Em tempo de guerra era de grande serviço este hospital. Posteriormente, o hospital acabou por perder a sua importância quando o concelho de Salvaterra do Extremo foi extinto em 1855, o que possivelmente levou também à sua extinção.
A fachada principal da igreja apresenta-se simples e depurada de decoração, estando dividida em dois registos. Ao centro foi aberto um portal de volta perfeita com impostas salientes, ladeado por duas pilastras jónicas e enquadrado num alfiz coroado por dois pináculos. No enquadramento do portal, no segundo registo, uma janela de moldura em arco perfeito. A fachada é rematada em empena, coroada ao centro por cruz, tendo sido colocado no extremo esquerdo do remate uma sineira encimada por empena. Na fachada lateral esquerda está adossada uma construção, enquanto que a fachada lateral oposta possui janela no volume correspondente à sacristia, existindo aí uma porta de acesso ao coro-alto com moldura de volta perfeita e impostas salientes, que actualmente se encontra emparedada.
O interior do templo é de nave única, articulada com capela-mor e sacristia. Ao fundo possui coro-alto suportado por pilares toscanos assentes em plintos, ao qual se tem acesso por lanço de escadas do lado do Evangelho. Neste lado, perto dos altares colaterais, foi colocado o púlpito, de secção quadrada assente em pilar. Ao centro, arco triunfal em arco apontado ladeado por dois altares em madeira, elaborados no século XIX. A capela-mor é coberta por tecto de madeira tripartido, e possui retábulo de madeira pintada, com representação do Calvário, estando guardada neste espaço a bandeira da irmandade elaborada no século XVII.
Devido às guerras com os espanhóis muita da documentação existente foi destruída.
Sabe-se também que, até meados do séc. XX, havia sempre um caixão colocado, talvez ao fundo da igreja, para serviço de alguém falecido. Isto porque não havia muita gente com posses para mandar fazer urna para quando ocorresse o seu falecimento. As pessoas de fracos recursos, tentavam arranjar maneira de ter em casa, lençol e duas toalhas, para o dia em que se finassem. Após o serviço fúnebre, corpo lançado à terra, o caixão retornava à igreja.
Recentemente recuperada, reabriu ao culto no dia 13 de Setembro de 2003.
Colocada defronte do adro da Igreja Matriz, com esta dava as boas vindas a quem na vila entrava, pela Porta do Adro. Isto, muito possivelmente até 1882, ano em que esta porta terá sido demolida, devido à chegada da estrada a Salvaterra.

Bibliografia: Descrição baseada no site www. ippar.pt, e em informação dispersa na net, livros e jornais. Foto, retirada da net, www.salvaterrazimbra.blogspot.com
As quadras fazem parte duns versos, da minha autoria, dedicados a Salvaterra.