"As respigadeiras", quadro de Jean MilletEspero que a dialé(c)tica de Salvaterra, não cause engulhos aos "puristas" da nova linguagem. O Povo agradece!
Na minha terra as crianças
são cachopos, ou são filhos.,
Grávida é estar de esperanças
e os problemas são cadilhos.
As uvas são, os gatchos,
os pêssegos, melacatões.
As mulas, são matchos,
as perneiras são safões.
Não há tampas nas panelas,
para isso há os testos.
Há postigos nas janelas
e os rápidos são lestos.
Há burros e burricos,
os tachos são caçolas.
Abanos são abanicos
e pélas são as bolas.
Um cordel é uma guita
e por vezes um baraço.
Uma galinha, é uma pita,
tacho é, também, caço.
Bilha grande é asado,
um balde é um caldeiro.
Cheio é empanturrado
e a lenha é o madeiro.
Também pote é um asado
mas, se muito bem calha
for maior, avantajado,
pode-se chamar, talha.
Quietas é estarem quedas,
ruas estreitas são quelhas
e as romãs são marguedas.
Coisas iguais são parelhas.
Ir em frente é ir a eito,
um porco é um marrano.
Uma cama é um leito,
milhafre é um milhano.
Um lanche é uma merenda,
cabelos lisos são farripas.
Um presente é uma prenda
e os intestinos são tripas.
Um canivete é navalha,
chão de madeira é sobrado.
Os rapazes é a canalha,
acostumado é avezado.
Sirineu é sem vergonha,
porco pode se cotchino.
Máscara é carantonha,
guloso é um lambino.
Pedregulho é cantchal,
é assim esta minha terra:
Ganhar ao dia é a jornal
e incomodar é dar guerra!





