Como me faltou assunto e este estava mais à mão, vou aqui colocar uma "trilogia" de poesia "non sense". Tinha eu 18 anos, era ajudante de serralheiro, quando o meu oficial me recitou uma espécie de "trava-línguas" dum tal Pedro Paulino Pintor Pintava Paredes. Não quis ficar calado e, no dia seguinte, apresentei-lhe uma "trilogia", sobre um tal Pintinhas Pinto Pintado e da qual apresento hoje a primeira parte. Claro que, como trilogia que é, a continuação virá em sequência.
Divirtam-se, se for caso disso!
"PINTINHAS"
Pintinhas Pinto Pintado,
foi ao Hotel Embaixador.
Comeu um banco grelhado
e duas cadeiras, com bolor.
O criado então, assustado,
perguntou-lhe, hesitante:
-" Que mais quer, Sr. Pintado?
Não acha que é bastante?".
Pintinhas não cabe em si
e diz, em tom berrante:
-"Você é um burro que anda aí.
Traga-me um elefante"!
Amuado, o criado, lá se foi
e o desejo foi satisfeito.
Pintinhas comeu ainda um boi
e uma sopa de amor perfeito.
Pintinhas foi-se embora.
Foi o desfecho mais lógico.
Soube-se, à última hora,
que vai jantar ao Jardim Zoológico!
(continua)
Este blogue foi criado após insistência de muitas pessoas, amigas (assim as considero). Porém não vou utilizá-lo só para a promoção da minha terra, Salvaterra do Extremo, vila de 780 anos, situada (para que conste) no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, na província da Beira Baixa. Vou igualmente tentar diversificar os assuntos e trazer aqui alguns que são do meu interesse e espero que sejam do interesse de mais alguém. Mais um leitor que seja, já valeu a pena!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
“Uma Aventura… no Jardim Zoológico” !
Este tempo de Primavera, fez-me recordar um episódio noutra Primavera, já um pouco longínqua. Aqui, fica ele!

Não, não é plágio nem é o novo livro da Drª Isabel Alçada. Essa, anda atarefada em escrever “Uma Aventura … no Ministério”.
Esta aventura no Jardim Zoológico, reporta-se à década de 50, tinha eu aí os meus 11 anos. Aconteceu que, andava no 1º ano do Ciclo Preparatório, na Escola Manuel da Maia, ali à Estrela, e foram os alunos da minha turma convocados para uma visita ao dito jardim. A alegria foi geral e, no dia aprazado, manhã cedo, munidos dum pequeno farnel, só para enganar a barriga, lá nos encontrámos na antiga estação dos eléctricos, nas Amoreiras, junto ao que hoje são as torres do arquitecto Taveira. Eléctrico reservado à miudagem, lá seguimos rumo a Sete Rios. Já conhecia o Jardim e do que então vi, não me recordo de nada em especial. A bicharada estava lá toda! Decerto vimos, os leões, o elefante a tocar a sineta, os ursos, a loja do macaco Faustino e o próprio, e muitos outros animais além do cemitério dos cãezinhos. Não vimos golfinhos, grande atracção dos dias de hoje, porque nesse tempo ainda os não havia.
O dia, de Primavera, estava ensarrabulhado, com algumas abertas e ameaçava chuva a qual, depois de nos divertirmos em corridas e brincadeiras no “roseiral” e no “labirinto” de buxos artisticamente cortados e dispostos por mãos de jardineiro, se resolveu a aparecer. Recolhemo-nos debaixo da pala de um pequeno café, existente perto do “roseiral”, dum rinque de patinagem onde costumavam fazer alguns espectáculos para a pequenada e do lago dos barquinhos. Aproveitámos, então, para comer o magro farnel pois tínhamos as mesas e cadeiras do café por nossa conta. Refeição terminada, o empregado do café não foi tão simpático como antes e recusou-nos um copo de água. Claro que se um bebia, todos os outros também quereriam e ele não teria mãos a medir. Pôs-se, então, o problema da descoberta dum simples bebedouro e cumpre-me, agora, referir o motivo principal desta minha dissertação.
Entre os vários colegas havia um, mais velho e repetente, que não era mau rapaz mas penso que seria um pouco infantil para a idade e o corpo que tinha. Não me recordo do seu nome mas todos o tratavam pela alcunha, “Pato Donald”. Penso que por ele imitar a fala do Pato Donald, nos filmes de desenhos animados.
Continuando, fomos em busca dum bebedouro mas, como é natural, em alvoroço traquinas. Um de nós lembrou-se de começar a correr e “Aguarrás, aguarrás, é o burro que vai atrás”, ao que os mais atrasados respondiam “Aguardente, aguardente, é o burro que vai á frente” e a correria continuava. Eis senão quando, os mais adiantados estacaram, de repente, porque mesmo defronte dos nossos olhos deparámos com uma espécie de lago, circular, de 5 ou 6 metros de diâmetro e com degraus, progressivamente em círculos menores, formando escadaria de cerca de 1 metro de profundidade. Tinha tudo para ser um lago. Mas não era! Acontecia que por ter chovido, o mármore do fundo, molhado, espelhava e dava-nos essa ilusão. Tudo esclarecido, a correria continuou e então, mais à frente, os primeiros veem uma pérgola, com colunas, um portal e lá ao fundo, na parede forrada de lindos e artísticos azulejos, uma artística bica jorrando o precioso líquido. À vista de tal prémio, ainda mais correram e, passado o portal, viram igualmente o que parecia ser um espelho líquido, semelhante ao anterior mas, agora, rectangular. Eu, que seguia um pouco mais atrás, ainda recordo o “Pato Donald”, como que atingido por tiro certeiro, num voo completamente descontrolado, mergulhar no lago que antecedia a fonte. Outros, mais afortunados, ainda conseguiram impedir a queda, agarrando-se às colunas. Após umas gargalhadas bem sonoras, houve que atender ao infeliz “Pato” que honrou a sua alcunha e foi bom de ver, num acto solidário, sem “slogans” de ocasião, tratarmos de despir o rapaz, espremer e torcer-lhe a roupa, enfiar-lhe a camisola de um, o “pullover” de outro, agasalhá-lo o melhor possível para que não arrefecesse, tratar de informar o professor responsável, coitado dele que nem sabia onde nós estávamos, chamar um táxi e um de nós acompanhá-lo a casa.
No dia seguinte, na escola, a aventura foi muito comentada e, “Pato Donald” incluído, estávamos prontos para outra! E, já agora, ficámos a saber que nem tudo o que parece, é!
(Imagens retiradas da net. Blogues: girafamania; ofertasloucas; tonirodrigues)

Não, não é plágio nem é o novo livro da Drª Isabel Alçada. Essa, anda atarefada em escrever “Uma Aventura … no Ministério”.
Esta aventura no Jardim Zoológico, reporta-se à década de 50, tinha eu aí os meus 11 anos. Aconteceu que, andava no 1º ano do Ciclo Preparatório, na Escola Manuel da Maia, ali à Estrela, e foram os alunos da minha turma convocados para uma visita ao dito jardim. A alegria foi geral e, no dia aprazado, manhã cedo, munidos dum pequeno farnel, só para enganar a barriga, lá nos encontrámos na antiga estação dos eléctricos, nas Amoreiras, junto ao que hoje são as torres do arquitecto Taveira. Eléctrico reservado à miudagem, lá seguimos rumo a Sete Rios. Já conhecia o Jardim e do que então vi, não me recordo de nada em especial. A bicharada estava lá toda! Decerto vimos, os leões, o elefante a tocar a sineta, os ursos, a loja do macaco Faustino e o próprio, e muitos outros animais além do cemitério dos cãezinhos. Não vimos golfinhos, grande atracção dos dias de hoje, porque nesse tempo ainda os não havia.
O dia, de Primavera, estava ensarrabulhado, com algumas abertas e ameaçava chuva a qual, depois de nos divertirmos em corridas e brincadeiras no “roseiral” e no “labirinto” de buxos artisticamente cortados e dispostos por mãos de jardineiro, se resolveu a aparecer. Recolhemo-nos debaixo da pala de um pequeno café, existente perto do “roseiral”, dum rinque de patinagem onde costumavam fazer alguns espectáculos para a pequenada e do lago dos barquinhos. Aproveitámos, então, para comer o magro farnel pois tínhamos as mesas e cadeiras do café por nossa conta. Refeição terminada, o empregado do café não foi tão simpático como antes e recusou-nos um copo de água. Claro que se um bebia, todos os outros também quereriam e ele não teria mãos a medir. Pôs-se, então, o problema da descoberta dum simples bebedouro e cumpre-me, agora, referir o motivo principal desta minha dissertação.
Entre os vários colegas havia um, mais velho e repetente, que não era mau rapaz mas penso que seria um pouco infantil para a idade e o corpo que tinha. Não me recordo do seu nome mas todos o tratavam pela alcunha, “Pato Donald”. Penso que por ele imitar a fala do Pato Donald, nos filmes de desenhos animados.Continuando, fomos em busca dum bebedouro mas, como é natural, em alvoroço traquinas. Um de nós lembrou-se de começar a correr e “Aguarrás, aguarrás, é o burro que vai atrás”, ao que os mais atrasados respondiam “Aguardente, aguardente, é o burro que vai á frente” e a correria continuava. Eis senão quando, os mais adiantados estacaram, de repente, porque mesmo defronte dos nossos olhos deparámos com uma espécie de lago, circular, de 5 ou 6 metros de diâmetro e com degraus, progressivamente em círculos menores, formando escadaria de cerca de 1 metro de profundidade. Tinha tudo para ser um lago. Mas não era! Acontecia que por ter chovido, o mármore do fundo, molhado, espelhava e dava-nos essa ilusão. Tudo esclarecido, a correria continuou e então, mais à frente, os primeiros veem uma pérgola, com colunas, um portal e lá ao fundo, na parede forrada de lindos e artísticos azulejos, uma artística bica jorrando o precioso líquido. À vista de tal prémio, ainda mais correram e, passado o portal, viram igualmente o que parecia ser um espelho líquido, semelhante ao anterior mas, agora, rectangular. Eu, que seguia um pouco mais atrás, ainda recordo o “Pato Donald”, como que atingido por tiro certeiro, num voo completamente descontrolado, mergulhar no lago que antecedia a fonte. Outros, mais afortunados, ainda conseguiram impedir a queda, agarrando-se às colunas. Após umas gargalhadas bem sonoras, houve que atender ao infeliz “Pato” que honrou a sua alcunha e foi bom de ver, num acto solidário, sem “slogans” de ocasião, tratarmos de despir o rapaz, espremer e torcer-lhe a roupa, enfiar-lhe a camisola de um, o “pullover” de outro, agasalhá-lo o melhor possível para que não arrefecesse, tratar de informar o professor responsável, coitado dele que nem sabia onde nós estávamos, chamar um táxi e um de nós acompanhá-lo a casa.
No dia seguinte, na escola, a aventura foi muito comentada e, “Pato Donald” incluído, estávamos prontos para outra! E, já agora, ficámos a saber que nem tudo o que parece, é!
(Imagens retiradas da net. Blogues: girafamania; ofertasloucas; tonirodrigues)
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Pela raia egitaniense !
Hoje venho aqui apresentar uma “curtíssima-metragem” englobada no ciclo de divulgação da minha terra e que encetei já quase há 2 anos.
Os personagens, principal e secundários, são do melhor que há. Já o realizador, é um simples amador e, como tal, não domina perfeitamente as técnicas da 7ª arte. De tal modo que bem tentou efeitos especiais, tal qual os do “Admirável Mundo Novo”, mas não conseguiu. Assim, faltam aqui os cheiros e os sons da minha terra, velhinha de muitos séculos mas que nos faz remoçar de cada vez que a visitamos. Porém, a tentativa não foi de todo gorada e poderão ouvir, se quiserem, adufes e não só! Só terão o trabalho de escolher o acompanhamento.
Portanto, deixo isso ao gosto e à imaginação de quem aqui vier. Desfrutem e bem hajam pela visita!



Music Playlist at MixPod.com
Os personagens, principal e secundários, são do melhor que há. Já o realizador, é um simples amador e, como tal, não domina perfeitamente as técnicas da 7ª arte. De tal modo que bem tentou efeitos especiais, tal qual os do “Admirável Mundo Novo”, mas não conseguiu. Assim, faltam aqui os cheiros e os sons da minha terra, velhinha de muitos séculos mas que nos faz remoçar de cada vez que a visitamos. Porém, a tentativa não foi de todo gorada e poderão ouvir, se quiserem, adufes e não só! Só terão o trabalho de escolher o acompanhamento.
Portanto, deixo isso ao gosto e à imaginação de quem aqui vier. Desfrutem e bem hajam pela visita!


Music Playlist at MixPod.com
quinta-feira, 28 de abril de 2011
As voltas da História, em Salvaterra !
Achando que a minha pesquisa sobre a história de Salvaterra já estava a atingir um ponto em que só podia avançar desde que me deslocasse à minha terra e lá tentasse obter resposta para algumas, muitas, das minhas dúvidas, tratei de aproveitar este período da Páscoa embora, infelizmente, não houvesse o Bodo em honra de Nossa Senhora da Consolação. Se bem o pensei, melhor o fiz e meti pernas (o automóvel, claro) ao caminho.
Uma vez lá chegado, tive o grato prazer de trocar algumas informações com alguns conterrâneos (srs. António Tomás Lopes, José Manuel Moreira e Ramiro Rodrigues), interessados como eu em levantar a poeira dos tempos e trazer, até ao presente, factos mal conhecidos da vida desta terra.
Para culminar, por gentileza dos dois últimos, tive ainda o benefício duma visita guiada até ao “Salto da Cabra” tendo também ocasião de ver as tão faladas “furdas”, já do meu conhecimento mas que pude observar com mais cuidado e verificar quanta técnica aplicada em tais construções tendo em vista “a qualidade de vida” dos animais.
São construções melhores do que muitas destinadas a humanos. Havia o respeito pelos animais que, depois de mortos, lhes valiam como alimento para muito tempo.
Terminámos percorrendo algumas ruas da terra, fazendo reparo nalgumas casas de cristãos novos. Visita pequena para tudo aquilo que havia que ver mas, mesmo assim, muito importante para trabalho futuro. O meu bem hajam!
Posto isto, novas dúvidas e mistérios se puseram.
Assim:
- Que significado terão aquelas 12 pedras, em volta do poço de São João? Será um relógio de sol?
- O número bastante significativo de casas assinaladas como sendo de cristãos novos. Além das cruzes, que são de vários estilos, as ombreiras das portas ostentam igualmente um número gravado. Os vários estilos teriam algum significado especial e será que o número identificava quem era quem, entre os cristão novos? Noutras localidades, parece não existir este procedimento.
Em Salvaterra, há conhecimento de um barbeiro, natural de Idanha-a-Nova,que foi preso pela Inquisição. Após 5 anos de prisão, por ter perdido o juízo, foi entregue à família. Consta que a família estaria toda presa!
O caso destes cristãos novos, de Salvaterra, é matéria para um mais aprofundado estudo, se tal for possível!
Parece também ter ficado esclarecido que D. Afonso Henriques nunca terá estado em Salvaterra. Terá chegado a Idanha-a-Velha, pois Salvaterra, como Peñafiel, seria terreno templário por doação de Afonso VII, de Leão, em 1150, o que não acontecia com Idanha, nas mãos mouriscas.
Também nas guerras da Restauração, não houve combate nem tomada de Salvaterra por D. Sancho Manuel. Tudo indica que Salvaterra, após a Restauração, apenas mudou de mãos. Tanto assim que, logo em Setembro de 1641, D. Álvaro de Abranches, Governador das Armas da Beira, abriu alfândega em Salvaterra, tendo-a encerrado ainda antes de Novembro pois os castelhanos não estavam muito interessados em comerciar.
Passei também pelo que resta da antiga Fábrica da Moagem, magnífico edifício construído em 1919 que mete dó estar em tal estado de degradação. Olhei para ele e imaginei o ti’Pedro, espanhol que se mudou de “armas e bagagem” com a família para Salvaterra, pequenino e sorridente, todo enfarinhado. E, lá “estava” também o filho, Júlio, seu ajudante. E o barulho das máquinas e das suas correias transmitindo o movimento a tudo aquilo.
Depois de tudo isto, o certo é que se cheguei à minha terra com algumas dúvidas, esclareci essas mas trouxe outras que me irão provocar mais algumas “dores de cabeça”!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Santa e Feliz Páscoa !
Com os votos de Santa e Feliz Páscoa, para os meus amigos, seguidores e todos que por aqui passarem, deixo uma estampa e uns versos alusivos à quadra.A estampa foi, como talvez se possa ler no reverso da mesma, “Prémio de um campeonato de chamadas”, na aula de Religião e Moral, quando eu andava no 1º ano do Ciclo Preparatório. Vejam bem, naquele tempo até havia aulas de “Religião e Moral”, com campeonatos de chamadas e tudo. Uma “crueldade”! Hoje em dia, aulas de Religião, são uma “seca”. O melhor é curtir “bué” uma qualquer coisa, seja lá o que isso for. Mas, se a Religião é uma “seca”, a “Moral”, então, nem se fala, isso é coisa que já ninguém sabe o que seja. Era, realmente, uma disciplina que agredia a mentalidade de qualquer estudante. Há casos de alunos que nunca mais recuperaram, tal foi o trauma. Era bastante notada a falta de psicólogos!

Pois bem, a professora, Maria Luísa Val do Rio, ofereceu-me a estampa escrevendo, ainda, as seguintes palavras: “Desejando que sejas sempre um exemplo bom para os colegas”.
Como ela depositava tanta esperança naquele miúdo de onze anos…
Sem grande esforço, tenho feito aquilo que julgo ter sido possível. Se o consegui, outros o dirão!
Para amenizar um pouco, aqui deixo também uns versos:
A aldeia, por tradição,
tem nela, enraizado,
a Quaresma, a Paixão
e Cristo ressuscitado!
E, antigamente, o prior,
uma tradição quase morta,
levava o Cristo Redentor
a beijar, de porta em porta.
Mas, neste mundo novo,
nem tudo o tempo levou.
Aleluia, meu bom povo,
já Cristo ressuscitou!
É bom que nos lembremos,
ao carregar nossa cruz,
que todos nós louvemos
ao Filho de Deus, Jesus!
As lendas e as tradições
é bom irmo-las mantendo,
pois alegram os corações.
Com elas, vamos vivendo!
E é tão simples, tudo isto!
A boa Páscoa é dar perdão,
lembrar a Paixão de Cristo
e louvar sua Ressurreição!
terça-feira, 12 de abril de 2011
VII Encontro Luso Espanhol - Descida do Rio Erges
Aqui deixo uma notícia sobre a minha terra, numa tentativa de resistência ao abandono que a vai minando, aos poucos, como a muitas outras povoações deste nosso país.
No próximo dia 24, domingo de Páscoa, Salvaterra vai estar bem movimentada. E não vai ser só a diáspora salvaterrenha que, infelizmente, será menos que em anos anteriores porque o sempre ansiado Bodo, em honra de Nossa Senhora da Consolação, parece não ir realizar-se. A desertificação, de vez em quando, faz-se sentir. O pessoal para organizar o Bodo vai estando velho e cansado e cada vez é mais difícil cumprir a promessa!
Valem, então, estes assomos de turismo dos tempos modernos e a preciosa ajuda de "nuestros hermanos", de Zarza La Mayor, para que continue a haver vida numa terra da "raia perdida"!
A Associação dos Clubes de Canoagem da Região da Beira Baixa e o Ayuntamiento de Zarza La Mayor organizam a Descida do Rio Erges no VII Encontro Luso Espanhol, em Termas de Monfortinho e Salvaterra do Extremo que irá decorrer no dia 24 de Abril.
Para informações e inscrições:
O valor da inscrição: 5 Euros
Ayuntamiento de Zarza La Mayor.
Plaza Mayor, 1. TFNO:927370185 FAX:927370178 • info@zarzalamayor.com
Associação dos Clubes de Canoagem da Região da Beira Baixa
. cncbranco@hotmail.com • Rua Prof. Faria Vasconcelos.Lotes 5 3º-D.
6000-266 Castelo Branco TFNO/FAX:272344234 • Telm. 965085960
(Notícia retirada do site "agenda-cb" , Agenda Online de Castelo Branco.
Fonte: Naturtejo
- A foto, no entanto, refere-se a uma descida do rio Mondego)
No próximo dia 24, domingo de Páscoa, Salvaterra vai estar bem movimentada. E não vai ser só a diáspora salvaterrenha que, infelizmente, será menos que em anos anteriores porque o sempre ansiado Bodo, em honra de Nossa Senhora da Consolação, parece não ir realizar-se. A desertificação, de vez em quando, faz-se sentir. O pessoal para organizar o Bodo vai estando velho e cansado e cada vez é mais difícil cumprir a promessa!
Valem, então, estes assomos de turismo dos tempos modernos e a preciosa ajuda de "nuestros hermanos", de Zarza La Mayor, para que continue a haver vida numa terra da "raia perdida"!

A Associação dos Clubes de Canoagem da Região da Beira Baixa e o Ayuntamiento de Zarza La Mayor organizam a Descida do Rio Erges no VII Encontro Luso Espanhol, em Termas de Monfortinho e Salvaterra do Extremo que irá decorrer no dia 24 de Abril.
Para informações e inscrições:
O valor da inscrição: 5 Euros
Ayuntamiento de Zarza La Mayor.
Plaza Mayor, 1. TFNO:927370185 FAX:927370178 • info@zarzalamayor.com
Associação dos Clubes de Canoagem da Região da Beira Baixa
. cncbranco@hotmail.com • Rua Prof. Faria Vasconcelos.Lotes 5 3º-D.
6000-266 Castelo Branco TFNO/FAX:272344234 • Telm. 965085960
(Notícia retirada do site "agenda-cb" , Agenda Online de Castelo Branco.
Fonte: Naturtejo
- A foto, no entanto, refere-se a uma descida do rio Mondego)
sábado, 9 de abril de 2011
9 de Abril de 1918. A batalha de La Lys e a “geração à rasca”
Ao passarem 93 anos após a batalha de La Lys, venho aqui evocar esse heróico mas infausto acontecimento para as tropas portuguesas que, como sempre, supriram com abnegação o que lhes faltava em apoio de todo género. Mal preparados para uma guerra que não esperavam, deixaram as suas vidas, pobres mas pacatas, para entrarem no mundo real da 1ª Guerra Mundial. Os profetas, que os há sempre, diziam que a Espanha tinha enviado a Legião de Marrocos e Portugal tinha enviado uma legião de “marrecos”, tal era a impreparação que se lhes atribuía!
Principal fornecedora desse exército, foi a juventude beirã e transmontana. Essa juventude, habituada à vida dura, por certo não estranharia muito as condições adversas!
Entre outros salvaterrenhos, lá estiveram o “Této”, que casaria com a Maria “Póvoa”; o João Figueiredo, que casaria com a Juliana “Sêca”; o “Páris”, irmão da “Barita”, que casaria com a Maria Patrocínia; o filho da ti’“Papuda”; o meu tio-avô, José Valente, “Zé da Senhora”, que casaria com a Antónia Rascôa; e o grande actor Raul de Carvalho, também ele nascido em Salvaterra, lá esteve, como cadete de Engenharia. Com apenas 16 anos!
Entretanto, deixo também aqui um postal ilustrado, do dia 9 de Agosto de 1918 (exactamente 4 meses após a batalha de La Lys), enviado da “frente” por José Valente. Tendo escapado com vida, não se livrou, como muitos outros, dos efeitos do gás pimenta, um dos traumas dessa guerra. O motivo do postal, “L’Espérance”, parece simbolizar o desejo de todos em acabar com aquela guerra, julgando ser a última.
Como se enganaram!
Vem isto, também, a propósito da auto proclamada “geração à rasca”. Sem querer falar de cátedra, quer-me parecer que essa dita geração está a ver o “filme” um bocadinho ao contrário e, o pior, é que grande parte da comunicação social e também da geração anterior, aplaude tudo isto. Pois bem, se pensarmos, só um pouco que seja, veremos que a geração de 1900 até 1918 não tinha nada para estar “à rasca” porque teve a queda da monarquia, a pobreza e o trabalho de sol a sol e para completar os efeitos da guerra, lá veio a pneumónica que ceifou milhares de vidas e não havia vacinas como para a tão falada “gripe das aves”. A confusão e o medo eram tais que, alguns, chegaram a ser enterrados vivos!
Até ao Estado Novo, a vida foi do maior aperto, as convulsões políticas mais que muitas e o povo sem estar “à rasca”!
O Estado Novo, até à 2ª Guerra Mundial, foi de aperto do cinto, da “sardinha para três”, e do conflito político “amordaçado”. Havia que fazer cumprir os PEC da altura! Ninguém estava à rasca!
Durante a 2ª Guerra Mundial, o processo continuou, agravado pelo racionamento. Géneros alimentícios, por conta e medida e ir para a “bicha” bem cedinho, se não acabava-se. “À rasca”, ninguém estava!
Décadas de 50 e 60, a vida parecia melhorar um pouco. O esforço da anterior geração tinha valido alguma coisa. Alguns, poucos, começaram a ter reforma, Casas do Povo, emprego com alguma efectividade (até aí, só havia trabalho), ir a pé para o trabalho e para a escola, até fazia bem. Descansavam ao domingo e viviam numa parte de casa porque um andar dava para várias famílias e, mesmo assim, era apanhá-las. Ter casa própria só se saísse na Eva do Natal ou através da Caixa de Previdência, paga a 25 anos (muito difícil). Ter a 4ª classe equivalia a dizer que podia começar a trabalhar. Mas nem tudo podia ser assim tão bom e esta geração, para não ficar “à rasca”, apanhou com a Guerra Colonial!
Na década de 70, para desenrascar tudo isto, veio o "25 de Abril" que, cheio de boas intenções, tratou de “vender bacalhau a pataco” e o engraçado é que foram muitos os que compraram, inclusivé os da geração anterior. Tratou-se de, “democraticamente” impôr os direitos, esquecendo por completo ou quase os deveres que, infelizmente, foram e deviam continuar a ser muitos.
Do que se passa, nos tempos que correm, não me vou alongar pois todos o devem saber, dado já ter sido tratado até à exaustão. Só gostaria que esta geração “à rasca” que, tão infeliz, “curte” até às tantas num qualquer concerto, discoteca ou quejandos, pare um bocadinho para pensar e pergunte aos seus pais porque lhes deram tanta rédea solta e à luz dos seus tão falados “direitos” os deixaram fazer tudo quanto lhes deu na cabeça. E, já agora, deixem de mostrar tanto os seus currículos pois que, dalguns, eu até teria vergonha! É tempo de agradecer a boa vida que a maioria tem levado e não o contrário, pois que, “à rasca” estamos todos nós e sempre estivemos!
Termino com uma frase adequada à época: - Perdoai-lhes, Senhor, que não sabem o que dizem!
Ou, serei eu que já não sei o que digo?
Principal fornecedora desse exército, foi a juventude beirã e transmontana. Essa juventude, habituada à vida dura, por certo não estranharia muito as condições adversas!
Entre outros salvaterrenhos, lá estiveram o “Této”, que casaria com a Maria “Póvoa”; o João Figueiredo, que casaria com a Juliana “Sêca”; o “Páris”, irmão da “Barita”, que casaria com a Maria Patrocínia; o filho da ti’“Papuda”; o meu tio-avô, José Valente, “Zé da Senhora”, que casaria com a Antónia Rascôa; e o grande actor Raul de Carvalho, também ele nascido em Salvaterra, lá esteve, como cadete de Engenharia. Com apenas 16 anos!
Entretanto, deixo também aqui um postal ilustrado, do dia 9 de Agosto de 1918 (exactamente 4 meses após a batalha de La Lys), enviado da “frente” por José Valente. Tendo escapado com vida, não se livrou, como muitos outros, dos efeitos do gás pimenta, um dos traumas dessa guerra. O motivo do postal, “L’Espérance”, parece simbolizar o desejo de todos em acabar com aquela guerra, julgando ser a última. Como se enganaram!
Vem isto, também, a propósito da auto proclamada “geração à rasca”. Sem querer falar de cátedra, quer-me parecer que essa dita geração está a ver o “filme” um bocadinho ao contrário e, o pior, é que grande parte da comunicação social e também da geração anterior, aplaude tudo isto. Pois bem, se pensarmos, só um pouco que seja, veremos que a geração de 1900 até 1918 não tinha nada para estar “à rasca” porque teve a queda da monarquia, a pobreza e o trabalho de sol a sol e para completar os efeitos da guerra, lá veio a pneumónica que ceifou milhares de vidas e não havia vacinas como para a tão falada “gripe das aves”. A confusão e o medo eram tais que, alguns, chegaram a ser enterrados vivos!
Até ao Estado Novo, a vida foi do maior aperto, as convulsões políticas mais que muitas e o povo sem estar “à rasca”!
O Estado Novo, até à 2ª Guerra Mundial, foi de aperto do cinto, da “sardinha para três”, e do conflito político “amordaçado”. Havia que fazer cumprir os PEC da altura! Ninguém estava à rasca!
Durante a 2ª Guerra Mundial, o processo continuou, agravado pelo racionamento. Géneros alimentícios, por conta e medida e ir para a “bicha” bem cedinho, se não acabava-se. “À rasca”, ninguém estava!
Décadas de 50 e 60, a vida parecia melhorar um pouco. O esforço da anterior geração tinha valido alguma coisa. Alguns, poucos, começaram a ter reforma, Casas do Povo, emprego com alguma efectividade (até aí, só havia trabalho), ir a pé para o trabalho e para a escola, até fazia bem. Descansavam ao domingo e viviam numa parte de casa porque um andar dava para várias famílias e, mesmo assim, era apanhá-las. Ter casa própria só se saísse na Eva do Natal ou através da Caixa de Previdência, paga a 25 anos (muito difícil). Ter a 4ª classe equivalia a dizer que podia começar a trabalhar. Mas nem tudo podia ser assim tão bom e esta geração, para não ficar “à rasca”, apanhou com a Guerra Colonial!
Na década de 70, para desenrascar tudo isto, veio o "25 de Abril" que, cheio de boas intenções, tratou de “vender bacalhau a pataco” e o engraçado é que foram muitos os que compraram, inclusivé os da geração anterior. Tratou-se de, “democraticamente” impôr os direitos, esquecendo por completo ou quase os deveres que, infelizmente, foram e deviam continuar a ser muitos.
Do que se passa, nos tempos que correm, não me vou alongar pois todos o devem saber, dado já ter sido tratado até à exaustão. Só gostaria que esta geração “à rasca” que, tão infeliz, “curte” até às tantas num qualquer concerto, discoteca ou quejandos, pare um bocadinho para pensar e pergunte aos seus pais porque lhes deram tanta rédea solta e à luz dos seus tão falados “direitos” os deixaram fazer tudo quanto lhes deu na cabeça. E, já agora, deixem de mostrar tanto os seus currículos pois que, dalguns, eu até teria vergonha! É tempo de agradecer a boa vida que a maioria tem levado e não o contrário, pois que, “à rasca” estamos todos nós e sempre estivemos!
Termino com uma frase adequada à época: - Perdoai-lhes, Senhor, que não sabem o que dizem!
Ou, serei eu que já não sei o que digo?
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