Depois da campina de Idanha,
do Extremo se chama a terra,
altiva, mirando Espanha,
conhecem-na por Salvaterra!
Salvaterra, que linda terra és!
Sem ver, ninguém se acredita.
Com o Erges, correndo aos pés,
até nesse teu nome és bonita!
Na origem deste topónimo, estará o facto de assinalar um ponto estratégico de defesa que permitiria aos povos, quando atacados, procurarem nele um refúgio seguro. Era uma “terra de acolhimento” ou de “pôr a salvo”, daí o nome de Salvaterra. Terá razão de ser, se se pensar que os mouros invadiram a Península Ibérica pelo sul, empurrando os cristãos para norte e Salvaterra, a norte da linha do Tejo e a quem os mouros chamavam de Sariuta, era por eles considerado um reduto difícil de conquistar.
“Recanto da pátria, que até no nome é bonito”, nas palavras de Miguel Torga, quando se fala de Salvaterra, o mais comum, em Portugal, é as pessoas pensarem em Salvaterra de Magos. Porém, além desta, há também Salvaterra, na Galiza, que se chamou ainda Salvaterra do Minho ou Salvaterra de Portugal. Isto provoca alguma confusão porque, na documentação antiga, todas são, a grande maioria das vezes, referidas apenas como Salvaterra. Fica, pois, ao leitor, o cuidado de descobrir a qual se refere. Tal facto originou enganos até nos historiadores de várias épocas. Portanto, é um topónimo que, facilmente, nos leva a concluir que identifica lugares destinados à defesa das fronteiras dos vários territórios. Por exemplo, em Espanha, onde pelo menos, existiam ao tempo, Salvatierra de Barros, a sul de Badajoz; Salvatierra de Calatrava, perto de Ciudad Rodrigo e entregue à Ordem de Calatrava; Salvatierra de Santiago, perto de Cáceres e entregue à Ordem de Santiago; Salvaléon, também é um nome bastante elucidativo. Estas quatro defendiam o reino de Leão dos ataques dos almóadas. Salvatierra de Alava, na fronteira de Castela com Navarra; Salvatierra de Esca, a norte de Saragoça, defendia a fronteira cristã já na época de Ramiro II. A já referida Salvatierra da Galiza, ou de Pontevedra, na margem direita do Rio Minho, defendia a fronteira entre Portugal e Espanha. Também, em Itália e França (Sauveterre), este topónimo aparece referenciado. O certo é que em 1560, durante o reinado de D. Sebastião, no mapa de Portugal, de Fernando Álvaro Secco, reconhecido como sendo o mais antigo, das poucas terras nele referenciadas, lá aparece escrito, apenas e só Salvaterra, embora já desde 1310 tivesse passado a chamar-se Salvaterra da Beira e foi em 1578 que, fazendo jus à sua posição geográfica e a mostrar quanto estava afastada dos desígnios do poder central, passaria a ser conhecida por Salvaterra do Extremo. Ao longo dos tempos, com a dificuldade de acessos, foi ficando isolada do resto do país e tornada “terra do volta atrás”. Do Extremo foi ficando, cada vez mais, apesar de, em 1910, estar previsto e já adjudicado o ramal de caminho de ferro (qual TGV daquela época) que lhe iria dar notoriedade. A República chegou e o ramal foi mais um sonho que se esfumou. E aquela que foi “terra de pôr a salvo” e de acolhimento de tantos, foi deixando sair os seus filhos por não ter condições para os sustentar. Estes, no entanto e apesar do verso “Salvaterra me desterra”, não a esquecem e sempre que podem recolhem a ela para a acarinhar e repousar no seu regaço, por alguns breves momentos ou esperando nela o fim dos seus dias!
E, é esta a minha terra!






