terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vamos cantar as J(o)aneiras!!!

Para cumprir esta tradição, quero dar o meu contributo.
Aqui fica ele!




As Minhas J(o)aneiras!!!

Boas festas, muito boas festas,
para o nosso querido Portugal!
Mas que festas, mas que festas,
que mais parecem de Carnaval?

Ao mui digno Presidente,
que do quê nem eu o sei,
cuidado não parta o dente
na favinha do seu bolo rei!

Eu dou ao nosso Primeiro,
simples e breve conselho.
Veja lá se é mais ligeiro
e dá saltinhos de Coelho!

E para a Querida Oposição
vai o meu desejo tão puro.
Vá lá, diga sim ou diga não,
não se mostre tão inSeguro!

Para o Álvaro e pr’ó Gaspar,
que nos estragam o dia a dia,
um pé de cabra vou ofertar
para alavancar a economia!

Para melhorar tal economia,
cheia de coisas improváveis
nessas coisas eu não Mexia
e só renovava as renováveis!

E quando num lar português
a electricidade tiver um pico
tenham calma, é só o chinês
pondo-nos os olhos em bico!

Muitos porcos é uma Vara,
uma récua, é para cavalos,
como será, esta coisa rara,
uma caixa só com robalos?

Quem tem primos na Suiça
e com tão ricos ordenados,
precisa mas é de ir à missa
até se redimir dos pecados!

Neste país de norte a sul,
onde já não há maneiras,
a cor dominante é o azul
do saquinho da Felgueiras!

País de bem fraca memória,
ou de cabeça oca e tão vazia,
onde vai passando à história
a velha estória, da Casa Pia!

Lembro agora um “inginheiro”
que entre muitos eu distingo,
como um filósofo, o primeiro,
que tirou o curso ao domingo!

Entrado á cunha na universidade
em Paris, já aprendeu a filosofia
de nos enviar com muita saudade
lições sem mestre de ...economia!

Todos gostaram dum Oliveira,
de que hoje já ninguém gosta,
mas muitos deixaram a carteira
na mão doutro Oliveira, o Costa!

Dizem que as folhas de louro,
que ornamentam um Loureiro,
dão bem para salvar o couro
de um tal senhor conselheiro!

Tão boas, as limas do Feteira,
e conhecidas em toda a parte.
Só limavam tudo “à maneira”,
agora, já só limam “à Duarte”! 

Estas ideias serão todas falsas,
mas aos amigos eu não minto.
Para não vos cairem as calças
é só apertar um pouco o cinto!

E antes que todos me vão dizer
:- Cala-te pá, tu é que não prestas,
vou terminar, depressa, a correr.
Boas festas, muito boas festas!

( Imagem retirada de quintagente.blogspot.com )

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Vem aí o Novo Ano !!!


Hoje, apresento um desenho ( 45 cm x 35 cm ) que fiz, com os meus onze anos.

Não estou a ser totalmente verdadeiro! Acontece que o jornal “O Primeiro de Janeiro”, um dos muitos a que tinha acesso, trouxe, na sua primeira página do exemplar do dia 1 de Janeiro de 1952, um desenho alusivo ao Ano Novo. Gostei porque, além de bonito e ingénuo, era a cores. Ora, como gostei do tal desenho e estava a iniciar-me, na Escola, no uso de aguarelas e guaches, apesar de não me sentir muito habilitado nas artes desenhísticas, agarrei num pedaço de “papel de cenário” (hoje já um pouco amarelecido, por efeito da passagem dos anos) e fiz uma espécie de decalque do desenho do jornal. Isso deu-me as linhas base para fazer o “meu” desenho. A parte boa foi depois! Munido dum pincelinho “Pelikan” nº 1 ( passe a publicidade ), dum pincel Nº 4, mais modesto, e duns tubos de guache ( as cores elementares ) também “Pelikan” que eu, apesar de não nadar em dinheiro, bem pelo contrário, não me via a trabalhar com produtos de qualidade inferior pois deixavam muito a desejar e seria maior o prejuízo. Esta era uma marca que não era muito cara e seria o que hoje se pode chamar a “Escolha Acertada”. Haviam outras marcas, como a “Caran d’Ache” ou a “Wisdon”, mais caras.

Posto isto, lá fui fazendo os contornos com o pincelinho e o guache Preto. Contornos tão fininhos que ainda hoje me admiro de os ter feito. Caneta de tinta da China ali não entrou. Até porque não estava ainda familiarizado com essa técnica e um simples borrão podia deitar tudo a perder. Depois, foi só deleitar-me com a escolha e o processo de fabrico das cores. Era mais um bocadinho de Branco, menos Vermelho, mais Azul, mais ou menos água nos “godets”. Ah, e o Amarelo! Esta cor era muito importante para os verdes, os castanhos, os cremes e para outras descobertas.

Levou algum tempo a ficar pronto pois as tranças da menina e os pés da mãe, os pratos, enfim, os pormenores, deram-me água pela barba.

Mas, valeu a pena, pois ainda hoje o conservo e o venho aqui mostrar!

Já agora, depois duma observação mais atenta, vários são os pormenores que dele ressaltam. O primeiro, é a ingenuidade da cena, uma pobre lareira (apenas dois enchidos e umas cebolitas) mas em que tudo parece estar disposto dum modo simples, organizado e asseado. É também de referir o facto de que o único personagem digno de andar calçado é o rapazito. Mãe e filha não tinham direito a isso. É uma cena da vida rural, que só é bonita em gravuras deste género. Esquece-se a dureza da mesma!


Agora, aqui deixo a minha recepção ao Novo Ano de 2012 com os meus sinceros votos de Bom Ano Novo para todos os meus amigos, visitantes e seguidores deste blogue.

Chegou o Ano Novo!

Bateu à porta o Ano Novo!
Mal sabendo o que o espera,
tão inocente, este bom Povo
julga chegada a Primavera!

Engana-se na estação do ano
pois, ainda está no Inverno!
Desculpa-se-lhe tal engano,
que a sua vida é um inferno!

Abre as portas de par em par,
para que entre esse novo dia,
pois já está fartinho de olhar
a mesa, mais pobre e vazia!

Embora o que tem perdido,
o pobrezinho não se cansa,
e de tudo se faz esquecido.
Nunca perde a Esperança!

E como esta, que todos dizem,
será sempre a última a morrer,
mesmo que o ignorem e pisem
:-Eh, pá, este ano é que vai ser!

Quem sou eu para desiludir
os que mantêm tal opinião?
Assim, vou também fingir
e, vou viver nessa ilusão!

sábado, 17 de dezembro de 2011

É Natal !!!

Apesar dos tempos conturbados que vivemos, aos meus amigos, seguidores e visitantes deste blogue, deixo os meus sinceros votos de Bom e Santo Natal!!!


          NATAL

Do interior duma rude gruta,
envolta numa tal aura de luz,
vinda do céu, o povo escuta
a voz celestial que o conduz!

E quando à gruta chegaram,
cada qual com seu rebanho,
os pastores se ajoelharam
perante cenário tamanho!

Eis que também chegaram,
Gaspar, Baltazar e Belchior,
e ao Menino eles ofertaram
ouro, incenso, mirra! Amor!

Lá alto as trombetas soaram
e uns anjos, vindos do Céu,
num coro celestial entoaram,
o “Glória in excelsis Deo”!

E foi assim que nesta Terra,
povos sempre num desatino,
num repente parou a guerra!
Haja Paz! Nasceu o Menino!

Então, porque, também nesta terra,
é de fraca memória a raça humana,
logo, de seguida, entra em guerra.
Ainda hoje! Ou, já pr’á semana!

E aquele que acabou de nascer,
tão pequenino, ainda sem voz,
soube que numa cruz irá morrer.
Morrer, enfim, por todos nós!

Após estes versos que faço,
decerto que não ficará mal
deixar neles o meu abraço
e votos de um Santo Natal!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dia 1 de Dezembro ! Dia da Restauração ! Mas, restauração, de quê ?

Hoje é o dia 1º do mês de Dezembro! Durante muitos anos e, pelo menos, desde que me conheço, comemorava-se tal dia exaltando as qualidades deste “nobre povo” que após 60 anos de opressão espanhola tinha conseguido libertar-se e tomar, de novo, as rédeas do seu destino.

Isso, era o que pensavam naqueles tempos e até, ainda, tempos muito recentes.

O facto é que, até hoje, muitos Miguéis de Vasconcelos se foram produzindo e este nosso pobre país foi sendo entregue de bandeja, umas vezes à sucapa outras nem por isso, a “nuestros hermanos” que como muitos irmãos, por vezes deixam muito a desejar. Assim, temos, já nas mãos deles, grande parte do nosso território e da nossa já bem pouca produção, chegando ao ponto de importarmos aquilo que nós mesmo produzimos. A água que pelos rios nos vem de lá, vai começando a ser racionada e de acordo com as suas conveniências, apesar de nós próprios bastas vezes não sabermos utilizar esses recursos. Como se isso não bastasse, vamos abastecer-nos nas terras fronteiriças, comprar-lhes gasolina e aproveitamos para trazer caramelos e sucedâneos de chocolate. Ora, se já vamos nascer, trabalhar e gastar o nosso dinheiro do lado de lá da fronteira, que raio de Restauração da Independência foi esta?

Isto para já não falar da “invasão chinesa”! Essa não colide só com a nossa independência, tem implicação directa na independência da Europa e julgo que do próprio mundo tal como o conhecemos ainda!

Portanto, como o “problema” mais premente que temos por cá, parece ser o do corte dos feriados, capaz de resolver todos os nossos problemas, penso que como já o disse, se justifica o corte deste feriado!!!

Fartinhos do domínio espanhol,
uns conjurados, sem paciência,
buscam para si um lugar ao sol
e para Portugal, independência!

Junta, o João Pinto Ribeiro,
alguns mais da sua opinião
e, de pronto, vão ao Terreiro,
procurando a Restauração!

Prontos, e cientes do seu papel,
que a missão era já, era agora,
procuraram no Paço, o Miguel,
e lá foi, o traidor, janela fora!

Disseram à de Mântua, duquesa,
que se mantivesse com juizinho
pois, de contrário, teria a certeza
de seguir o mesmíssimo caminho!

Então, o povo, de espanhol já farto
e pensando da sua vida ser senhor,
na rua aclamou Dom João, o quarto,
a quem foi chamando, Restaurador!

Tudo isto, agora, parece cómico.
Parece ter sido tudo sem sentido
pois o nosso tecido, económico,
vai estando dia a dia mais falido!

Arrancaram-se as oliveiras,
num Alentejo desertificado,
e abateram-se as traineiras.
Já, só, comemos importado!

Corremos com os castelhanos?
Ficou limpo o solo português?
Se não há “nuestros hermanos”,
certo e sabido, cá temos o chinês!

E se é tudo isto bem verdade,
e tudo o que resta é sem razão,
pergunto eu, com curiosidade,
para que foi essa Restauração?

E se por efeito da globalização
o país já não se sente libertado,
esqueçamos nós a Restauração,
e acabemos com este feriado!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vamos salvar Portugal !!! Abaixo os feriados !!!

(Apenas com o intuito de ajudar este nosso País, aqui deixo, a quem de direito, a minha sugestão para a resolução de tão intrincado problema! Oxalá seja a solução para afastar, de vez, essa tal, chamada de crise! Aos que não concordarem com a proposta e com o tamanho do "post", as minhas sinceras desculpas mas, o assunto merece.)


ABAIXO OS FERIADOS

Para podermos obstar
a tempos tão azarados,
vamos ter que cortar.
Vamos cortar feriados!

O primeiro de Janeiro
dito dia de Ano Novo,
pode já ser o primeiro.
Não diz nada ao Povo.

Se ao povo não diz nada
e fica  aquém do esperado,
é uma coisa bem acabada.
Acabe-se com o feriado!

Quanto ao Carnaval,
aí não haverá engano!
Acaba-se e não há mal.
É Carnaval todo o ano!

Sai tudo muito mais barato
ninguém andará mascarado.
Usar-se-á, apenas, um fato.
Acabe-se com o feriado!

Ainda há o 25 de Abril
que é dia da Revolução!
O movimento está senil,
é um feriado sem razão!

Se o movimento militar
está a ficar desapoiado,
não haverá que enganar.
Acabe-se com o feriado!

Vem, logo, o 1º de Maio,
o tal Dia do Trabalhador.
Desta é que eu não saio.
Trabalhar seria o melhor!

Então se não se trabalha
e é um dia mal passado,
não é um dia que valha.
Acabe-se com o feriado!

E que dizer do 10 de Junho,
que é dito Dia de Portugal?
Escreverei pelo meu punho,
acabá-lo, este, não faz mal!

E aquilo que mais me dói,
e ninguém ficar admirado, 
é dum zarolho, fazer herói!
Acabe-se com o feriado!

Que dizer do 5 de Outubro,
da republicana implantação?
Eu de vergonha a cara cubro,
ao ver, hoje, tanta confusão!

Se muitos querem monarquia
e se o rei é assim tão desejado,
então, estará a mais este dia.
Acabe-se com o feriado!

Falta, então, o 1º de Dezembro.
Se esquecer-mos os conjurados,
e de espanhóis nem me lembro,
então está a mais nos feriados!

Se só algum nacionalista
deste tal dia está lembrado,
tire-se já este dia da lista.
Acabe-se com o feriado!

E para que toda a gente veja
e não sejam só os iluminados,
também a Santa Madre Igreja
vai mesmo acabar os feriados.

Sexta feira, que é dita Santa,
da morte do nosso Salvador
e em que muita gente, tanta,
não entende a palavra Amor!

E se Ele por nós morreu 
e ainda não é acreditado
então, agora, digo-o eu,
:-Acabe-se com o feriado!

Se o Dia de Corpo de Deus,
para alguém menos avisado,
é só dos crentes e não ateus,
acabe-se com o feriado!

Vem, depois, o 15 de Agosto,
Nossa Senhora da Assunção.
Este feriado é que até aposto,
quem saberá do nome a razão?

E, se do nome poucos sabem,
que ninguém fique admirado
que com este dia eles acabem.
Acabe-se com o feriado!

No mês de Dezembro,dia oito,
que é nosso Dia da Padroeira,
aqui, até eu mesmo me afoito.
Acaba, de qualquer maneira!

Cá neste torrão, Portugal,
pais tão pouco imaculado,
acabar tal dia, não faz mal.
Acabe-se com o feriado!

Fica-nos ainda o Natal!
Desconhecem o Menino!
Lembram só o Pai Natal,
o que é muito mais fino!

Então se o Menino Jesus,
nem tão pouco é lembrado,
vai aqui uma ideia de truz.
Acabe-se com o feriado!

Ficam os feriados municipais,
pelo meu país tão espalhados.
De tantos que são, são demais!
Acabam-se esses feriados!

Depois de acabar todos os feriados,
neste país em que está tudo tonto,
ficam meus senhores, autorizados
a dar, só, “Tolerância de Ponto”!

Temos o país de cara nova,
todo limpinho sem feriados!
O Povo, leva uma bela sova
mas, contenta os deputados! 

Será esta a grande solução
para este nosso pais salvar,
ou será mais uma discussão
e depois rir para não chorar?

Acaba-se também a equidade
para os nossos desempregados.
Por tudo isto, valha a verdade,
eles nunca mais terão feriados!

Mas, não fiquemos tão assustados,
porque nossa vida não vai acabar.
Primeiro, acabamos com feriados,
depois, é só trabalhar, trabalhar!

São maus, estes tempos vividos,
que nos dão muito que pensar.
Porém, entre mortos e feri(a)dos,
será que alguém vai escapar?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Hoje, é Dia de São Martinho !

( Para cumprir a tradição, vou aqui colocar um "post" já por mim divulgado, em 2009, no blogue onde me iniciei ("Salvaterra no Coração"). Espero que ainda seja inédito para os que fazem o favor de ler os meus escritos. Bem hajam! )

São Martinho, a lenda e a tradição

[SaoMArtinho.jpg]
No São Martinho, vai à adega e prova o vinho…

( retirado da wikipédia, transcrevo parte da descrição acerca de São Martinho, de Tours)

Martinho nasceu na Hungria, antiga Panónia, por volta do ano 316 e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a frequentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o baptismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai alistou-o na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, hoje França.
Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavaleiro cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

O povo, na sua sabedoria e crendice, acrescenta que o tempo que até aí seria dum frio outonal se teria tornado ameno. Daí a chamar-lhe Verão de São Martinho, foi um pequeno passo!

Também, acerca do S. Martinho, o conceituado etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) escreve o seguinte: «O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros, vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.»
(in As Festas. Passeio pelo calendário, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987) (retirado do blogue smartinho.blogspot.com)

Posto isto, aqui vai a minha contribuição para esta tradição:

Se S. Martinho adivinhasse,
deste mundo seu desvario,
talvez sua capa não cortasse
e o pobre morresse de frio!

O que vejo, com muita pena,
é que neste mundo, civilizado,
são os de capa mais pequena
que dão sempre maior bocado!

Esperto, usando manha,
aproveita, o Zé povinho.
Vai comendo a castanha
bem regada com vinho!

Do Algarve ao Minho
nunca estará só, o Zé!
E, se lhe faltar o vinho,
vai mesmo com água pé!

A castanha assada,
ou seja ela cozida,
sempre bem regada,
é com boa bebida!

Seja crua, ou pilada,
ou vinda do assador,
deve ser bem regada
e o tinto é o melhor!

Se castanha comer
até ficar enfartado,
com vinho, pode crer
que até cantará o fado!

Claro, se castanha comer
e se ficar bem entornado,
de tudo o que acontecer
é São Martinho o culpado.

E se acabado o magusto
nem se conhecerem os pais
não é motivo para susto
que para o ano há mais!

Até o São Martinho,
para mitigar sua dor,
bebeu, só um copinho,
e do frio se fez calor!

Passado o efeito do vinho,
o povo mostra sua devoção,
e agradece a São Martinho
ter feito, do Outono, Verão!

Bebam mas, moderadamente,
senão, ai, ai, perdem a razão!
E depois, pr’ó ano, minha gente,
o S. Martinho não traz Verão!


( P.S. : Este ano, São Martinho, baralhou-se um pouco com as datas. Parece ter vindo em Outubro. A não ser que ele, nesta situação de crise, tenha reduzido o Verão, apenas ao dia de ontem... )

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dia de Finados

(Ainda que um pouco atrasado, não quis deixar de colocar, com a minha profunda saudade, o meu poema acerca do passado dia 2)






Do céu em lágrimas a chuva cai
encharcando-nos os sentidos
e o nosso pensamento, esse vai
para nossos entes mais queridos.

Olhando o cemitério, todo em flor
qual jardim, ou campina florida,
cada campa é um campo de Amor 
onde a Morte, é um sinal de Vida!

E ao fim do dia, quando a tarde cai,
Deus lá sabe por que estranha razão,
lembro os avós, tios, mãe e meu pai
e não esqueço o Mundo meu Irmão!
 
Se do céu lágrimas cairam este ano,
corações saudosos, olhos marejados
viram, ao fim do dia, o cair do pano
num florido e triste Dia de Finados!