terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Angola" , já foi ... nome de navio ! ( 2 )

Quanto aos já referidos quatro navios portugueses, todos da Companhia Nacional de Navegação e a seguir descriminados, passados que são já bastantes anos, socorri-me da informação possível e aproveitando alguns episódios passados a bordo, mencionando pessoas e factos dalgum modo conhecidos e outros de gente que só não é anónima porque aqui é mencionada mas nem por isso menos estimável e relevante.

( Angola , I )

O primeiro (também o primeiro navio da companhia) foi um navio de 1.263 ton deadweight, construído em 1881, em Hull e destinava-se ao serviço entre Portugal e os portos da África Ocidental. Esteve ao serviço da companhia, que então era designada por Empreza Nacional de Navegação, durante cerca de 30 anos ( até 1909 ), ano em que foi vendido a um armador italiano.

Este navio, quase seguramente, foi comandado por António Eduardo de Oliveira que foi admitido na Empreza Nacional de Navegação em 1891 e aí se manteve até 1908!


( Angola , II )
(sem foto disponível)

O segundo, construído no ano de 1906 para a companhia Astral Shipping Ltd., em Liverpool, foi um navio de carga a vapor e navegou, desde essa data até 1911, com o nome de “Drumcairne”. Comprado em 1911 pela Empreza Nacional de Navegação, teve uma curta carreira, até 10 de Março de 1917, dia em que navegando no Golfo da Biscaia e tentando furar um bloqueio naval, foi afundado por um submarino alemão, à entrada do Canal de Bristol. Coordenadas da tragédia, 48º30”N 08º35”W!

Mais uma vítima da 1ª Guerra Mundial!

Características Principais
Tipo de navio : ........................ Carga, a vapor, de 1 hélice
Construtor : ............................ Joseph Russel & Co.
Local de construção : .............. Glasgow, Escócia
Ano de construção : ................ 1906
Nº de registo : .......................... 381-C, na Capitania do porto de Lisboa
Sinal de código : ...................... H.C.F.V.
Comprimento entre pp. : ......... 117,30 m
(Length between perpendiculars)
Boca : ...................................... 15,16 m
(Breadth)
Pontal : .................................... 8,00 m
(Depth moulded)
Porte bruto : ........................... 5.215 ton
(Deadweight)
Arqueação bruta : .................... 4.769,95 ton
(Gross Tonnage)
Arqueação líquida : .................. 3.097,12 ton
(Net Tonnage)
Aparelho propulsor : …………. Máquina a vapor, tripla expansão
(Main engine) John G. Kincaid Co., 1905
Velocidade : ............................. 12 nós
(Speed)
Este navio, é provável que tenha sido comandado por Emílio Arthur Leote Quintino, admitido na Empreza Nacional de Navegação em 1898 e que aí se manteve até 20/03/1919.
Terá sido? Se não comandou este, comandou o anterior “Angola”!

Estranho que na “Lista dos oficiaes da Companhia Nacional de Navegação”, em 1919, não constam os Oficiais de Máquinas, informando na página respectiva que, está em formação!

(continua)

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Angola" , já foi ... nome de navio ! ( 1 )

A vida dum navio é idêntica à de qualquer ser humano. É construído com mil cuidados. Depois de concluído é colocado no seu meio ambiente, a água, são-lhe feitas as provas de mar e é, por assim dizer, testada a capacidade para enfrentar as vagas, suaves ou alterosas, da sua vida. Melhor, ou pior, lá vai cumprindo, enfrentando o que a vida lhe vai dando, até ao dia em que já considerado velho, terá um tratamento de rejuvenescimento e servirá para acabar os seus dias, navegando em águas calmas ou, pura e simplesmente, qual eutanásia, será levado para abate, feito sucata. Ou, pior ainda, será deixado, abandonado à sua sorte, agonizando em qualquer fundo, mostrando o apodrecimento da sua pobre carcaça. Isto se, entretanto, não vir a sua vida encurtada por trágico acidente. Tal como na vida, afinal!

Posto isto, venho aqui trazer traços da história dalguns navios, cujo principal elo de ligação é o de terem o mesmo nome.
“Angola” é, então, um nome de navio com ... gente dentro!
Isto porque resolvi, juntar à história desses navios, alguma gente que neles viajou e que neles teve amores, desamores, alegrias e tristezas.  

Pelo menos desde 1881 que “Angola” tem sido nome de navio. Só em Portugal, a Companhia Nacional de Navegação fê-lo por quatro vezes, sendo as duas primeiras ainda com a designação de Empreza Nacional de Navegação.
No entanto, também no estrangeiro há conhecimento de, pelo menos, dois navios com esse nome.
Um deles, o “Viking II”, foi um navio baleeiro a motor, com 199 ton de tonelagem bruta. Construído em Tonsberg, em Setembro de 1914, para Kaldes Patentslip & Mek. Verksted, Tonsberg, Noruega. Casco em aço, 106,8 pés de comprimento entre perpendiculares, 21,6 pés de boca, 13,7 pés de calado e 207 toneladas brutas de deslocamento, tinha um motor a vapor de tripla expansão de 550 ihp. Ostentou o nome de “Viking II” até 1925, ano em que foi transferido para a Cia. Ballenera del Peru Ltda, Callao, Peru (A/S Tonsberg Hvalfangeri / Hans Borge, Tonsberg), agora com o nome de “Rio Chira”. Comprado por Hvalfanger-I/S Praia Amélia, Haugesund (Knut Knutsen O. A. S.), em Janeiro de 1928 começou a ser utilizado como navio estação junto à costa ocidental africana em Praia Amélia, perto de Moçamedes, Angola, arvorando então o nome de “Angola”. Esta situação manteve-se até Agosto de 1929 mudando o seu nome para “Suderoy III” o qual seria alterado, em Janeiro de 1937, para “Landanes” sendo reconvertido em arrastão, para em 1939 ser de novo reconvertido, agora em navio de turismo e de transporte de tripulações de navios que escalavam os portos da Escandinávia. Durante a II Guerra Mundial foi requisitado pela Kriegsmarine, servindo como “guard boat” em Stavanger sob o nome de “NS 09 Sindbad”. Por fim, no dia 6 de Abril de 1983, velho de quase 70 anos, após muitas reconversões, mudanças de nome e de dono (um dos quais vítima de bancarrota), esventrado, sem o motor que lhe havia sido retirado, agonizante, acabou por se afundar, perto de Svartskjaer off Harstad.

O outro, navio de carga a motor “Angola”, de 5.630 t dw, construído em 1954, nos estaleiros de Bremerhaven Rickmers – Werft, na Alemanha, para a A/S Det Dansk-Franske Dampskibsselsskab, companhia dinamarquesa, fazia carreira do Norte da Europa para África, destinando-se principalmente ao transporte de madeiras.
Foi lançado à água sob o nome de “Kirstine Toft”, desconhecendo eu a razão porque, parece, só com o nome de "Angola" ter começado a navegar.
"Angola"
"Kirstine Toft"






Era um navio com as seguintes características: comprimento de 392,5 pés; boca de 51,9 pés; pontal de 18,2 pés; 3.331 ton de tonelagem bruta; 1.649 ton de tonelagem líquida; 5.360 ton de deslocamento e um motor de 3.644 hp.
"Blue Diamond"
Talvez fruto de dificuldades por que já passaria a sua companhia, que fecharia as portas em 1978, foi vendido, em 1967, a uma companhia panamiana, Western Sg. Enterprises SA,  passando a ostentar o nome de “Blue Diamond”. Em 1979, vendido à empresa Duendes Navieros SA, também panamiana, mudou o nome para “Navieros”. Por último, em 10/03/1980, foi vendido a Tien Cheng Steel Mnfrg. Co. Ltd, passando a chamar-se BU “Kaohsiung”, não parecendo ser muito difícil adivinhar o seu triste fim. Aproximava-se o desmantelamento!

(continua)


(fotos retiradas da net: www.photoship.co.uk e 7seavessels.com )

                                              

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lembranças da Marinha Mercante Portuguesa !!! ( 2 )

E para fechar estas lembranças da marinha mercante nacional, apresento a Companhia Nacional de Navegação, empresa fundada em 1881, com o nome de Empreza Nacional de Navegação e cujo primeiro navio foi o navio a vapor "Angola", destinado ao serviço entre Portugal e os portos da África Ocidental. Seria, também, o primeiro dos 4 navios que tiveram esse nome. Aqui está, na foto seguinte.

A frota foi crescendo e teve, entre outros, os seguintes navios de passageiros: "Principe Perfeito", "Angola", "Moçambique", "Índia" e "Timor". Da sua frota constaram inúmeros cargueiros, que seria fastidioso estar aqui a enumerar. Talvez fique para uma próxima postagem. Entretanto nada melhor que apresentar alguns exemplares de menus do navio “Angola”, o 4º e último deste nome, minha residência quase permanente durante cerca de 3 anos e que, para acabar os seus dias, no dia 16 de Janeiro de 1974 rumou à Formosa, onde chegou a Hualien no dia 8 de Fevereiro para ser desmantelado e transformado em ... sucata. Triste fim, até para um navio!
Mas aqui fica, também, para a posteridade, a sua imagem sulcando as ondas!


(Este é especial, porque é do dia dos meus anos)



domingo, 8 de janeiro de 2012

Lembranças da Marinha Mercante Portuguesa !!! ( 1 )


Para começar este novo ano, lembrei-me de amenizar um pouco o ambiente e vir aqui trazer lembranças da nossa frota mercante. Hoje, para começar, mostro algumas capas de rosto das ementas apresentadas nos navios da frota da Companhia Colonial de Navegação. Para os que não saibam, para os que já não se lembram e para os que gostem de relembrar, os principais “paquetes”, navios de passageiros, desta companhia eram o “Infante D. Henrique”, o “Santa Maria” e o “Vera Cruz” que substituiram o “Mouzinho” e o “Serpa Pinto”, o “Pátria”, o “Império” e o “Uíge”, que muita história teriam para nos contar e que a todos ainda conheci. O “Serpa Pinto”, em 1952, serviu de transporte e alojamento, qual aldeia olímpica portuguesa, aos componentes da delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia. Os tempos eram outros e o dinheiro já nesses tempos era bem escasso. Curioso que, também o “Infante D. Henrique”, quase no fim dos seus dias, serviu de “aldeia” a muitos dos trabalhadores envolvidos na construção do porto de Sines.
Podia aqui enumerar, só de memória, a imensa frota da CCN, composta ainda de cargueiros e alguns rebocadores.
Porém, fico-me apenas pela sua recordação e com pena de não ter esta colecção completa, com todas as províncias de Portugal.
Paciência, foi o que se pôde arranjar!












Os postais representam, em cima, o "Infante D. Henrique" e, em baixo, o "Vera Cruz"


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vamos cantar as J(o)aneiras!!!

Para cumprir esta tradição, quero dar o meu contributo.
Aqui fica ele!




As Minhas J(o)aneiras!!!

Boas festas, muito boas festas,
para o nosso querido Portugal!
Mas que festas, mas que festas,
que mais parecem de Carnaval?

Ao mui digno Presidente,
que do quê nem eu o sei,
cuidado não parta o dente
na favinha do seu bolo rei!

Eu dou ao nosso Primeiro,
simples e breve conselho.
Veja lá se é mais ligeiro
e dá saltinhos de Coelho!

E para a Querida Oposição
vai o meu desejo tão puro.
Vá lá, diga sim ou diga não,
não se mostre tão inSeguro!

Para o Álvaro e pr’ó Gaspar,
que nos estragam o dia a dia,
um pé de cabra vou ofertar
para alavancar a economia!

Para melhorar tal economia,
cheia de coisas improváveis
nessas coisas eu não Mexia
e só renovava as renováveis!

E quando num lar português
a electricidade tiver um pico
tenham calma, é só o chinês
pondo-nos os olhos em bico!

Muitos porcos é uma Vara,
uma récua, é para cavalos,
como será, esta coisa rara,
uma caixa só com robalos?

Quem tem primos na Suiça
e com tão ricos ordenados,
precisa mas é de ir à missa
até se redimir dos pecados!

Neste país de norte a sul,
onde já não há maneiras,
a cor dominante é o azul
do saquinho da Felgueiras!

País de bem fraca memória,
ou de cabeça oca e tão vazia,
onde vai passando à história
a velha estória, da Casa Pia!

Lembro agora um “inginheiro”
que entre muitos eu distingo,
como um filósofo, o primeiro,
que tirou o curso ao domingo!

Entrado á cunha na universidade
em Paris, já aprendeu a filosofia
de nos enviar com muita saudade
lições sem mestre de ...economia!

Todos gostaram dum Oliveira,
de que hoje já ninguém gosta,
mas muitos deixaram a carteira
na mão doutro Oliveira, o Costa!

Dizem que as folhas de louro,
que ornamentam um Loureiro,
dão bem para salvar o couro
de um tal senhor conselheiro!

Tão boas, as limas do Feteira,
e conhecidas em toda a parte.
Só limavam tudo “à maneira”,
agora, já só limam “à Duarte”! 

Estas ideias serão todas falsas,
mas aos amigos eu não minto.
Para não vos cairem as calças
é só apertar um pouco o cinto!

E antes que todos me vão dizer
:- Cala-te pá, tu é que não prestas,
vou terminar, depressa, a correr.
Boas festas, muito boas festas!

( Imagem retirada de quintagente.blogspot.com )

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Vem aí o Novo Ano !!!


Hoje, apresento um desenho ( 45 cm x 35 cm ) que fiz, com os meus onze anos.

Não estou a ser totalmente verdadeiro! Acontece que o jornal “O Primeiro de Janeiro”, um dos muitos a que tinha acesso, trouxe, na sua primeira página do exemplar do dia 1 de Janeiro de 1952, um desenho alusivo ao Ano Novo. Gostei porque, além de bonito e ingénuo, era a cores. Ora, como gostei do tal desenho e estava a iniciar-me, na Escola, no uso de aguarelas e guaches, apesar de não me sentir muito habilitado nas artes desenhísticas, agarrei num pedaço de “papel de cenário” (hoje já um pouco amarelecido, por efeito da passagem dos anos) e fiz uma espécie de decalque do desenho do jornal. Isso deu-me as linhas base para fazer o “meu” desenho. A parte boa foi depois! Munido dum pincelinho “Pelikan” nº 1 ( passe a publicidade ), dum pincel Nº 4, mais modesto, e duns tubos de guache ( as cores elementares ) também “Pelikan” que eu, apesar de não nadar em dinheiro, bem pelo contrário, não me via a trabalhar com produtos de qualidade inferior pois deixavam muito a desejar e seria maior o prejuízo. Esta era uma marca que não era muito cara e seria o que hoje se pode chamar a “Escolha Acertada”. Haviam outras marcas, como a “Caran d’Ache” ou a “Wisdon”, mais caras.

Posto isto, lá fui fazendo os contornos com o pincelinho e o guache Preto. Contornos tão fininhos que ainda hoje me admiro de os ter feito. Caneta de tinta da China ali não entrou. Até porque não estava ainda familiarizado com essa técnica e um simples borrão podia deitar tudo a perder. Depois, foi só deleitar-me com a escolha e o processo de fabrico das cores. Era mais um bocadinho de Branco, menos Vermelho, mais Azul, mais ou menos água nos “godets”. Ah, e o Amarelo! Esta cor era muito importante para os verdes, os castanhos, os cremes e para outras descobertas.

Levou algum tempo a ficar pronto pois as tranças da menina e os pés da mãe, os pratos, enfim, os pormenores, deram-me água pela barba.

Mas, valeu a pena, pois ainda hoje o conservo e o venho aqui mostrar!

Já agora, depois duma observação mais atenta, vários são os pormenores que dele ressaltam. O primeiro, é a ingenuidade da cena, uma pobre lareira (apenas dois enchidos e umas cebolitas) mas em que tudo parece estar disposto dum modo simples, organizado e asseado. É também de referir o facto de que o único personagem digno de andar calçado é o rapazito. Mãe e filha não tinham direito a isso. É uma cena da vida rural, que só é bonita em gravuras deste género. Esquece-se a dureza da mesma!


Agora, aqui deixo a minha recepção ao Novo Ano de 2012 com os meus sinceros votos de Bom Ano Novo para todos os meus amigos, visitantes e seguidores deste blogue.

Chegou o Ano Novo!

Bateu à porta o Ano Novo!
Mal sabendo o que o espera,
tão inocente, este bom Povo
julga chegada a Primavera!

Engana-se na estação do ano
pois, ainda está no Inverno!
Desculpa-se-lhe tal engano,
que a sua vida é um inferno!

Abre as portas de par em par,
para que entre esse novo dia,
pois já está fartinho de olhar
a mesa, mais pobre e vazia!

Embora o que tem perdido,
o pobrezinho não se cansa,
e de tudo se faz esquecido.
Nunca perde a Esperança!

E como esta, que todos dizem,
será sempre a última a morrer,
mesmo que o ignorem e pisem
:-Eh, pá, este ano é que vai ser!

Quem sou eu para desiludir
os que mantêm tal opinião?
Assim, vou também fingir
e, vou viver nessa ilusão!

sábado, 17 de dezembro de 2011

É Natal !!!

Apesar dos tempos conturbados que vivemos, aos meus amigos, seguidores e visitantes deste blogue, deixo os meus sinceros votos de Bom e Santo Natal!!!


          NATAL

Do interior duma rude gruta,
envolta numa tal aura de luz,
vinda do céu, o povo escuta
a voz celestial que o conduz!

E quando à gruta chegaram,
cada qual com seu rebanho,
os pastores se ajoelharam
perante cenário tamanho!

Eis que também chegaram,
Gaspar, Baltazar e Belchior,
e ao Menino eles ofertaram
ouro, incenso, mirra! Amor!

Lá alto as trombetas soaram
e uns anjos, vindos do Céu,
num coro celestial entoaram,
o “Glória in excelsis Deo”!

E foi assim que nesta Terra,
povos sempre num desatino,
num repente parou a guerra!
Haja Paz! Nasceu o Menino!

Então, porque, também nesta terra,
é de fraca memória a raça humana,
logo, de seguida, entra em guerra.
Ainda hoje! Ou, já pr’á semana!

E aquele que acabou de nascer,
tão pequenino, ainda sem voz,
soube que numa cruz irá morrer.
Morrer, enfim, por todos nós!

Após estes versos que faço,
decerto que não ficará mal
deixar neles o meu abraço
e votos de um Santo Natal!