sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"SONETO DA FIDELIDADE" !



No meu “post” anterior, refiro que no Estoril, em Outubro de 1939, exactamente na passagem dos seus 26 anos,  e enquanto aguardava a partida do navio “Angola”, que o levaria e a sua esposa de regresso ao Brasil, Vinicius escreveu aquele que talvez seja o mais famoso poema da sua obra: “Soneto da Fidelidade”.

Na suposição de que algum dos meus leitores esteja interessado em conhecer esse tal “Soneto da Fidelidade”, aqui o coloco juntamente com algumas palavras sobre o seu autor.

Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, nascido no Rio de Janeiro, em 19 de Outubro de 1913 e falecido, também no Rio de Janeiro, no dia 09 de Julho de 1980 foi diplomata, jornalista, dramaturgo, poeta e compositor.


SONETO DA FIDELIDADE

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei-de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

"Angola", já foi ... nome de navio ! ( 3 )

( Angola , III )

O "Albertville" saindo do porto de Anvers (Antuérpia), rumo ao Congo (ex-belga)
(retirado de www.simploc.co.uk )
O terceiro, um navio construído em 1912 ( lançado à água em 30 de Junho e entregue em Dezembro) nos Estaleiros John Cockerill, Hoboken, Bélgica, com o nome de “Albertville” (também já o quarto com esse nome), para o serviço da Compagnie Belge Maritime du Congo, era já um cargueiro de razoáveis dimensões, com 7.050 tons deadweight, 439,5 pés de comprimento, 55,7 pés de pontal e 37 pés de boca. Tinha acomodações para 164 passageiros em 1ª classe e 136 em 2ª; 2 propulsores; motor John Cockerill, Seraing, de 8 cilindros, 964 bhp, que lhe permitia atingir uma velocidade de 14 nós; dois conveses e um convés de abrigo.
Durante a 1ª Guerra Mundial, foi requisitado pelo governo britânico e utilizado como navio hospital no período de 1914/1915.
Só em 24/4/1923,quando foi adquirido pela CNN, recebeu o nome de “Angola” e, após uma completa revisão nos estaleiros construtores, em 16/6/1923 deixou Antuérpia, rumo a Lisboa, ficando então ao serviço da companhia.
Ostentando, já, o nome de "Angola"
( retirado de www.photoship.co.uk)

Logo nesse ano de 1923, no dia 4 de Outubro, talvez no regresso da sua 1ª ou 2ª viagem com o novo nome, chegava a Lisboa trazendo a bordo, vindos de Angola, o Alto Comissário de Angola, general Norton de Matos, e o elefante “Maputo”, este muito provavelmente com destino ao Jardim Zoológico de Lisboa.

Em 1924, Pedro Muralha escrevia na pág. 17 do seu livro “Terras de África: S.Tomé e Angola”: “…Há seis longos dias que não divisamos terra. O “Angola”, era um dos navios mais importantes da Companhia Nacional de Navegação…”



Em 1929, no dia 26 de Setembro, durante a viagem , aos 46 anos, morre o passageiro, Tomaz de Aquino de Almeida Garrett, 2º visconde de Almeida Garrett.

E em 1932, Julião Quintinha, também depois de ter viajado neste navio, escrevia na pág. 148 do seu livro “Terras do sol e da febre: impressões do Congo Belga, África Equatorial Francesa, Transvaal, Nyassaland, Tanganyk, Zanzibar, Mombaça, Aden, Egipto”: “…O navio em que viajo é o “Angola” da Companhia Nacional de Navegação, bastante confortável e até com mais luxo do que alguns navios alemães…”e mais adiante, na pág. 149, “…Salva-me desta ameaçadora monotonia o momentâneo e alegre tumulto que invade o navio quando ele toca em algum porto.”
Ainda neste ano de 1932 realiza, o "Angola", uma única viagem redonda, ao Brasil.
Em Julho de 1939, levou com destino a Angola, numa viagem de trabalho, o Presidente da República, General António Óscar de Fragoso Carmona e o Ministro das Colónias, Dr. Francisco José Vieira Machado, perspectivando a consolidação dos laços de solidariedade moral e política entre as Colónias e a Metrópole.
À chegada a Cabinda a colónia procurou dar a conhecer, ao Chefe do Estado, todas a s suas potencialidades e em cerimónia de boas vindas fez sobrevoar o paquete por todos os aviões do Aero Clube de Angola, com o intuito de conseguir apoios para o desenvolvimento da aviação civil.

Nesta viagem entre os muitos tripulantes do “Angola” estava o pai de Maria Ivone Salvadora Fernandes, de Vila Real, que em Dezembro de 2007 resolveu participar num blog dando a conhecer o seu interesse por este navio, fruto do que tinha ouvido a seu pai.
 

Em Outubro do ano de 1939, o “Angola” faz a sua primeira viagem transatlântica, rumo ao Brasil, ligando Lisboa a Santos, via Rio de Janeiro. Leva, nessa viagem, Vinicius de Moraes e sua mulher Tati que, vindos de Paris, onde se encontravam aquando da eclosão da II Grande Guerra, no dia 2 de Setembro, tinham decidido regressar ao Brasil. Fortuitamente tinham encontrado em Lisboa o escritor modernista Oswaldo de Andrade e sua esposa, Bárbara, resolvendo esperar cerca de 45 dias pela partida do “Angola” para juntos fazerem a viagem. No Estoril, enquanto aguardava a partida do navio, Vinicius escreveu aquele que talvez seja o mais famoso poema da sua obra: “Soneto da Fidelidade”.

Nesse ano de 1939, o Comandante seria António R. de Betencourt, o 4º Oficial de Navegação seria Eduardo Mariano da Fonseca Pereira e o 3º Oficial Maquinista seria Américo da Silva Tomar que, mais tarde, viriam a ser, respectivamente, comandantes os dois primeiros e Chefe de Máquinas o terceiro, no último navio “Angola”. Também neste navio andaram Manuel B. Russo Belo, como 3º Oficial Maquinista e Joaquim Cipriano da Silva, como 4º Oficial Maquinista (este foi também Chefe de Máquinas no último navio “Angola”).

Decorria o ano de 1940, já em tempo de guerra quando, de novo a caminho do Brasil, o navio que, para fácil identificação e assim evitar ataques de submarinos, levava pintadas em branco e em ambos os bordos, em grandes letras: Angola, Lisboa, Portugal, foi abordado pelos alemães em alto mar, tendo ficado a aguardar cerca de 24 horas até que fosse autorizado a prosseguir viagem.
Embora a tripulação, pacientemente, tentasse acalmar os passageiros, estes, assustados, choravam e gritavam de medo. Entre os passageiros estavam, Maria Gomes, menina portuguesa, nascida em 1931, na freguesia do Líria, onde viveu até ao dia desta viagem, com sua mãe e seus três irmãos e que se iam juntar a seu pai, trabalhador no Banco do Estado de São Paulo.
No dia 5 de Junho o navio entraria no porto de Santos e a sua saída, após uma permanência de cerca de 3 semanas, estava prevista para o dia 22 com destino a Lisboa e Leixões, via Rio de Janeiro e Recife.


No dia 27 de Julho de 1940, sai o navio de Lisboa, que chega ao Rio de Janeiro no dia 5 de Agosto, levando consigo representantes das mais ilustres famílias polacas, entre outros, Roman Sanguszko, Karolina, Olgierdi i Konstanty Czartoryski e Jolanta Radziwill e grandes figuras da cultura polaca, tais como, os poetas Julian Tuwim e Jan Lechon e a actriz Irena Eichlerówna, que fugindo da guerra, emigravam para o Brasil.
Ainda em 1940, no dia 20 de Outubro, também para o Brasil, muito abatido, partia para o exílio Jaime Cortesão, acompanhado de sua mulher e de sua filha Maria Judite, também ela exilada. No cais, na despedida, estiveram aqueles poucos que não quiseram deixar de se despedir dum amigo, arrostando com tudo o que politicamente isso lhes acarretava. Foram eles, além de dois dos seus filhos, Mário Salgueiro, António Sérgio, Francisco Mendes, Montalvor, Câmara Reys, Augusto Casimiro (seu cunhado), Hernâni Cidade, Álvaro Pinto e seu filho, e a chefe e duas guardas da cadeia das Mónicas (que se vieram despedir de Maria Judite).



Em 1946, o seu nome foi alterado para “Nova Lisboa”, para dar lugar ao novo “Angola” que iria ser construído ao abrigo do Despacho 100.

Em 1950 o, agora, “Nova Lisboa” foi vendido à British Iron & Steel Cº, Ltd ( BISCO) mudando o nome para “BISCO 3” e no dia 4 de Julho desse mesmo ano, levado pelo rebocador “Turmoil”, deixou Lisboa, rumo a Inglaterra, para ser desmantelado em Blyth, por Hughes Bolckow Shipbreaking Cº, Ltd..
Tinha também, este navio, em 1939:
Convés: 1º, 2º , 3º e 4º (2) Oficiais de Navegação e Praticantes (2); Carpinteiro e Contra-mestre.
Saúde: Médico e Enfermeiro.
Máquinas: 1º, 2º e 3º (2) Oficiais de Máquinas e Praticantes (4).
Câmaras: 1º e 2º Comissários e Praticante; 1º e 2º Despenseiros

Um total de 24 oficiais e equiparados!

Características Principais

Tipo de navio.......................................... Misto (carga e passageiros), 2 hélices
Construtor …………………………….. John Cockerill
Local de construção ............................... Hoboken, Bélgica
Ano de construção ................................. 1912
Nº de registo .......................................... 415-E, na Capitania do porto de Lisboa
Sinal de código ...................................... C.S.A.F.
Comprimento fora a fora ....................... 139,64 m
(Length overall)
Comprimento entre pp. .......................... 439,5’ ( 133,96 m )
(Length between perpendiculars)
Boca (Breadth).......……... 55,7’ ( 16,98 m )
Pontal (Depth moulded) . 7,74 m
Calado a vante (Draft forward) …... 10,45 m
Calado a ré (Draft after) …....… 11,28 m
Porte bruto (Deadweight) …...… 7.050 ton
Arqueação bruta ……………………... 7.884 ton
(Gross Tonnage)
Arqueação líquida ................................ 4.844 ton
(Net Tonnage)
Aparelho propulsor ………………….. John Cockerill, Seraing / 8 cilindros
(Main engine)
Potência (Horse power) …... 964 nhp
Velocidade (Speed) .................. 14 nós
Total de passageiros ............................ 474 ( 96 em 1ª; 134 em 2ª; 144 em 3ª e 100 em 4ª classe) *
* Caso fosse necessário a 4ª podia alojar mais 64 passageiros

(continua)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Angola" , já foi ... nome de navio ! ( 2 )

Quanto aos já referidos quatro navios portugueses, todos da Companhia Nacional de Navegação e a seguir descriminados, passados que são já bastantes anos, socorri-me da informação possível e aproveitando alguns episódios passados a bordo, mencionando pessoas e factos dalgum modo conhecidos e outros de gente que só não é anónima porque aqui é mencionada mas nem por isso menos estimável e relevante.

( Angola , I )

O primeiro (também o primeiro navio da companhia) foi um navio de 1.263 ton deadweight, construído em 1881, em Hull e destinava-se ao serviço entre Portugal e os portos da África Ocidental. Esteve ao serviço da companhia, que então era designada por Empreza Nacional de Navegação, durante cerca de 30 anos ( até 1909 ), ano em que foi vendido a um armador italiano.

Este navio, quase seguramente, foi comandado por António Eduardo de Oliveira que foi admitido na Empreza Nacional de Navegação em 1891 e aí se manteve até 1908!


( Angola , II )
(sem foto disponível)

O segundo, construído no ano de 1906 para a companhia Astral Shipping Ltd., em Liverpool, foi um navio de carga a vapor e navegou, desde essa data até 1911, com o nome de “Drumcairne”. Comprado em 1911 pela Empreza Nacional de Navegação, teve uma curta carreira, até 10 de Março de 1917, dia em que navegando no Golfo da Biscaia e tentando furar um bloqueio naval, foi afundado por um submarino alemão, à entrada do Canal de Bristol. Coordenadas da tragédia, 48º30”N 08º35”W!

Mais uma vítima da 1ª Guerra Mundial!

Características Principais
Tipo de navio : ........................ Carga, a vapor, de 1 hélice
Construtor : ............................ Joseph Russel & Co.
Local de construção : .............. Glasgow, Escócia
Ano de construção : ................ 1906
Nº de registo : .......................... 381-C, na Capitania do porto de Lisboa
Sinal de código : ...................... H.C.F.V.
Comprimento entre pp. : ......... 117,30 m
(Length between perpendiculars)
Boca : ...................................... 15,16 m
(Breadth)
Pontal : .................................... 8,00 m
(Depth moulded)
Porte bruto : ........................... 5.215 ton
(Deadweight)
Arqueação bruta : .................... 4.769,95 ton
(Gross Tonnage)
Arqueação líquida : .................. 3.097,12 ton
(Net Tonnage)
Aparelho propulsor : …………. Máquina a vapor, tripla expansão
(Main engine) John G. Kincaid Co., 1905
Velocidade : ............................. 12 nós
(Speed)
Este navio, é provável que tenha sido comandado por Emílio Arthur Leote Quintino, admitido na Empreza Nacional de Navegação em 1898 e que aí se manteve até 20/03/1919.
Terá sido? Se não comandou este, comandou o anterior “Angola”!

Estranho que na “Lista dos oficiaes da Companhia Nacional de Navegação”, em 1919, não constam os Oficiais de Máquinas, informando na página respectiva que, está em formação!

(continua)

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Angola" , já foi ... nome de navio ! ( 1 )

A vida dum navio é idêntica à de qualquer ser humano. É construído com mil cuidados. Depois de concluído é colocado no seu meio ambiente, a água, são-lhe feitas as provas de mar e é, por assim dizer, testada a capacidade para enfrentar as vagas, suaves ou alterosas, da sua vida. Melhor, ou pior, lá vai cumprindo, enfrentando o que a vida lhe vai dando, até ao dia em que já considerado velho, terá um tratamento de rejuvenescimento e servirá para acabar os seus dias, navegando em águas calmas ou, pura e simplesmente, qual eutanásia, será levado para abate, feito sucata. Ou, pior ainda, será deixado, abandonado à sua sorte, agonizando em qualquer fundo, mostrando o apodrecimento da sua pobre carcaça. Isto se, entretanto, não vir a sua vida encurtada por trágico acidente. Tal como na vida, afinal!

Posto isto, venho aqui trazer traços da história dalguns navios, cujo principal elo de ligação é o de terem o mesmo nome.
“Angola” é, então, um nome de navio com ... gente dentro!
Isto porque resolvi, juntar à história desses navios, alguma gente que neles viajou e que neles teve amores, desamores, alegrias e tristezas.  

Pelo menos desde 1881 que “Angola” tem sido nome de navio. Só em Portugal, a Companhia Nacional de Navegação fê-lo por quatro vezes, sendo as duas primeiras ainda com a designação de Empreza Nacional de Navegação.
No entanto, também no estrangeiro há conhecimento de, pelo menos, dois navios com esse nome.
Um deles, o “Viking II”, foi um navio baleeiro a motor, com 199 ton de tonelagem bruta. Construído em Tonsberg, em Setembro de 1914, para Kaldes Patentslip & Mek. Verksted, Tonsberg, Noruega. Casco em aço, 106,8 pés de comprimento entre perpendiculares, 21,6 pés de boca, 13,7 pés de calado e 207 toneladas brutas de deslocamento, tinha um motor a vapor de tripla expansão de 550 ihp. Ostentou o nome de “Viking II” até 1925, ano em que foi transferido para a Cia. Ballenera del Peru Ltda, Callao, Peru (A/S Tonsberg Hvalfangeri / Hans Borge, Tonsberg), agora com o nome de “Rio Chira”. Comprado por Hvalfanger-I/S Praia Amélia, Haugesund (Knut Knutsen O. A. S.), em Janeiro de 1928 começou a ser utilizado como navio estação junto à costa ocidental africana em Praia Amélia, perto de Moçamedes, Angola, arvorando então o nome de “Angola”. Esta situação manteve-se até Agosto de 1929 mudando o seu nome para “Suderoy III” o qual seria alterado, em Janeiro de 1937, para “Landanes” sendo reconvertido em arrastão, para em 1939 ser de novo reconvertido, agora em navio de turismo e de transporte de tripulações de navios que escalavam os portos da Escandinávia. Durante a II Guerra Mundial foi requisitado pela Kriegsmarine, servindo como “guard boat” em Stavanger sob o nome de “NS 09 Sindbad”. Por fim, no dia 6 de Abril de 1983, velho de quase 70 anos, após muitas reconversões, mudanças de nome e de dono (um dos quais vítima de bancarrota), esventrado, sem o motor que lhe havia sido retirado, agonizante, acabou por se afundar, perto de Svartskjaer off Harstad.

O outro, navio de carga a motor “Angola”, de 5.630 t dw, construído em 1954, nos estaleiros de Bremerhaven Rickmers – Werft, na Alemanha, para a A/S Det Dansk-Franske Dampskibsselsskab, companhia dinamarquesa, fazia carreira do Norte da Europa para África, destinando-se principalmente ao transporte de madeiras.
Foi lançado à água sob o nome de “Kirstine Toft”, desconhecendo eu a razão porque, parece, só com o nome de "Angola" ter começado a navegar.
"Angola"
"Kirstine Toft"






Era um navio com as seguintes características: comprimento de 392,5 pés; boca de 51,9 pés; pontal de 18,2 pés; 3.331 ton de tonelagem bruta; 1.649 ton de tonelagem líquida; 5.360 ton de deslocamento e um motor de 3.644 hp.
"Blue Diamond"
Talvez fruto de dificuldades por que já passaria a sua companhia, que fecharia as portas em 1978, foi vendido, em 1967, a uma companhia panamiana, Western Sg. Enterprises SA,  passando a ostentar o nome de “Blue Diamond”. Em 1979, vendido à empresa Duendes Navieros SA, também panamiana, mudou o nome para “Navieros”. Por último, em 10/03/1980, foi vendido a Tien Cheng Steel Mnfrg. Co. Ltd, passando a chamar-se BU “Kaohsiung”, não parecendo ser muito difícil adivinhar o seu triste fim. Aproximava-se o desmantelamento!

(continua)


(fotos retiradas da net: www.photoship.co.uk e 7seavessels.com )

                                              

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lembranças da Marinha Mercante Portuguesa !!! ( 2 )

E para fechar estas lembranças da marinha mercante nacional, apresento a Companhia Nacional de Navegação, empresa fundada em 1881, com o nome de Empreza Nacional de Navegação e cujo primeiro navio foi o navio a vapor "Angola", destinado ao serviço entre Portugal e os portos da África Ocidental. Seria, também, o primeiro dos 4 navios que tiveram esse nome. Aqui está, na foto seguinte.

A frota foi crescendo e teve, entre outros, os seguintes navios de passageiros: "Principe Perfeito", "Angola", "Moçambique", "Índia" e "Timor". Da sua frota constaram inúmeros cargueiros, que seria fastidioso estar aqui a enumerar. Talvez fique para uma próxima postagem. Entretanto nada melhor que apresentar alguns exemplares de menus do navio “Angola”, o 4º e último deste nome, minha residência quase permanente durante cerca de 3 anos e que, para acabar os seus dias, no dia 16 de Janeiro de 1974 rumou à Formosa, onde chegou a Hualien no dia 8 de Fevereiro para ser desmantelado e transformado em ... sucata. Triste fim, até para um navio!
Mas aqui fica, também, para a posteridade, a sua imagem sulcando as ondas!


(Este é especial, porque é do dia dos meus anos)



domingo, 8 de janeiro de 2012

Lembranças da Marinha Mercante Portuguesa !!! ( 1 )


Para começar este novo ano, lembrei-me de amenizar um pouco o ambiente e vir aqui trazer lembranças da nossa frota mercante. Hoje, para começar, mostro algumas capas de rosto das ementas apresentadas nos navios da frota da Companhia Colonial de Navegação. Para os que não saibam, para os que já não se lembram e para os que gostem de relembrar, os principais “paquetes”, navios de passageiros, desta companhia eram o “Infante D. Henrique”, o “Santa Maria” e o “Vera Cruz” que substituiram o “Mouzinho” e o “Serpa Pinto”, o “Pátria”, o “Império” e o “Uíge”, que muita história teriam para nos contar e que a todos ainda conheci. O “Serpa Pinto”, em 1952, serviu de transporte e alojamento, qual aldeia olímpica portuguesa, aos componentes da delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsínquia. Os tempos eram outros e o dinheiro já nesses tempos era bem escasso. Curioso que, também o “Infante D. Henrique”, quase no fim dos seus dias, serviu de “aldeia” a muitos dos trabalhadores envolvidos na construção do porto de Sines.
Podia aqui enumerar, só de memória, a imensa frota da CCN, composta ainda de cargueiros e alguns rebocadores.
Porém, fico-me apenas pela sua recordação e com pena de não ter esta colecção completa, com todas as províncias de Portugal.
Paciência, foi o que se pôde arranjar!












Os postais representam, em cima, o "Infante D. Henrique" e, em baixo, o "Vera Cruz"


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vamos cantar as J(o)aneiras!!!

Para cumprir esta tradição, quero dar o meu contributo.
Aqui fica ele!




As Minhas J(o)aneiras!!!

Boas festas, muito boas festas,
para o nosso querido Portugal!
Mas que festas, mas que festas,
que mais parecem de Carnaval?

Ao mui digno Presidente,
que do quê nem eu o sei,
cuidado não parta o dente
na favinha do seu bolo rei!

Eu dou ao nosso Primeiro,
simples e breve conselho.
Veja lá se é mais ligeiro
e dá saltinhos de Coelho!

E para a Querida Oposição
vai o meu desejo tão puro.
Vá lá, diga sim ou diga não,
não se mostre tão inSeguro!

Para o Álvaro e pr’ó Gaspar,
que nos estragam o dia a dia,
um pé de cabra vou ofertar
para alavancar a economia!

Para melhorar tal economia,
cheia de coisas improváveis
nessas coisas eu não Mexia
e só renovava as renováveis!

E quando num lar português
a electricidade tiver um pico
tenham calma, é só o chinês
pondo-nos os olhos em bico!

Muitos porcos é uma Vara,
uma récua, é para cavalos,
como será, esta coisa rara,
uma caixa só com robalos?

Quem tem primos na Suiça
e com tão ricos ordenados,
precisa mas é de ir à missa
até se redimir dos pecados!

Neste país de norte a sul,
onde já não há maneiras,
a cor dominante é o azul
do saquinho da Felgueiras!

País de bem fraca memória,
ou de cabeça oca e tão vazia,
onde vai passando à história
a velha estória, da Casa Pia!

Lembro agora um “inginheiro”
que entre muitos eu distingo,
como um filósofo, o primeiro,
que tirou o curso ao domingo!

Entrado á cunha na universidade
em Paris, já aprendeu a filosofia
de nos enviar com muita saudade
lições sem mestre de ...economia!

Todos gostaram dum Oliveira,
de que hoje já ninguém gosta,
mas muitos deixaram a carteira
na mão doutro Oliveira, o Costa!

Dizem que as folhas de louro,
que ornamentam um Loureiro,
dão bem para salvar o couro
de um tal senhor conselheiro!

Tão boas, as limas do Feteira,
e conhecidas em toda a parte.
Só limavam tudo “à maneira”,
agora, já só limam “à Duarte”! 

Estas ideias serão todas falsas,
mas aos amigos eu não minto.
Para não vos cairem as calças
é só apertar um pouco o cinto!

E antes que todos me vão dizer
:- Cala-te pá, tu é que não prestas,
vou terminar, depressa, a correr.
Boas festas, muito boas festas!

( Imagem retirada de quintagente.blogspot.com )