sábado, 14 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 21 ) ... Porto Amélia - Beira

Dia 12 :


Porto Amélia. Aspecto da Ponte-cais.
A carga terminou e, agora, começava a não ser só carga normal. Era tempo de trazer alguns que, infelizmente, iam tombando. Ao serviço da pátria, diziam!

Só um pouco tarde me dei conta disso. Acontecia que eu tinha que, diariamente, aceder ao porão de carga. Estranhei alguns caixotes com nomes de sargentos, furriéis, etc. Mas sempre pensei que seriam encomendas. Só quando referi essa minha estranheza, fiquei a saber a verdade. Escusado será dizer que as minhas descidas ao porão deixaram de ser a mesma coisa e havia sempre algum calafrio a acompanhar-me.

Feito este introito, o navio saiu às 19h 38min e saindo da baía entrou de novo em mar aberto, no canal de Moçambique. Agora é a “descer”, a corrente ajuda e o tempo que falta para chegar a Lisboa, já começa a encolher. Além disso, vamos já direitos à Beira e agora é só carregar.

Dia 13:

Foto inserida no "Diário Popular", obtida por uma equipa de reportagem do "Diário de Moçambique"
De madrugada, depois de sair de quarto, já passava das 04.00h e o dia já clareava, olho o mar e tenho a grata “surpresa” de ver aquilo que originou a interpelação da noite anterior. Ali, bem perto de nós, estavam dois navios soviéticos que, pelo que eles iam dizendo, andavam a fazer investigação científica acerca da fauna marítima. Claro, que outra coisa podiam eles fazer ali? Os grupos armados só necessitavam de algum “peixinho” entregue pelos seus “amigos”!

Mas, a vida continuava, a nossa viagem também e a Beira já está quase ali!


Dia 14 :
Ainda noite, eram 03h 47min quando o navio ficou fundeado a aguardar piloto e eram 05h 38min quando suspendeu e, já com piloto a bordo, seguiu para o cais do porto da Beira, onde atracou às 08h 10min.

A saída será amanhã, dia 15, cerca das 12.00h

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 20 ) ... Nacala - Porto Amélia

Dia 12 :

De novo, a saída foi prevista para cerca da meia noite. Aproveitava-se para o trabalho de porto durante o dia e a navegação durante a noite.

Como, à parte a Fábrica de Cimentos de Nacala, não há muito para falar sobre o património edificado, aproveito para falar sobre dois factos aqui passados:


O Dr. Hastings Banda e o seu bastão(?)
(retirado de wikipedia)
À chegada a Nacala, na minha 2ª viagem, tivemos a grata surpresa de não ficarmos fundeados, uma vez que já havia um cais, novo e prontinho a inaugurar. Coube-nos a nós fazer essa inauguração. Fomos então, todos fardadinhos, para o convés, aguardar a chegada do senhor Hastings Banda, Presidente do Malawi que seria o futuro grande utilizador deste porto, para o escoamento dos seus produtos. Senhor de cor, claro, muito respeitável, com o seu bastão com a pata, ou seria um rabo, de coelho, ou coisa parecida, passou-nos em revista, cumprimentando um a um. Foi um momento solene. O pior estava guardado para mais tarde. A sua comitiva, algo numerosa, incluía bastantes senhoras. Estas invadiram as lojas do navio e vai de comprar bugigangas em plástico e afins. À noite, foi vê-las descer o portaló, quase de gatas pois o jantar tinha sido bem regado! Contava-se que, ao jantar, quando perguntaram o que é que o senhor Presidente queria comer e lhe disseram que a ementa de carne era “carne de porco com piri-piri” ele terá dito “only piri-piri”, isto para não ser deselegante, dado que a sua religião não lhe permitia comer carne de porco!

Doutra vez, aproveitámos para ir até à praia. Havia uma praia para cada lado do cais. A praia velha, onde ficava o clube e algumas instalações e doutro lado a praia nova, desértica, só água, pequenas rochas arenosas e areia. Estava apetecível! Encontrámos um pretito que por ali andava a molhar os pés e a brincar sozinho e perguntámos se ali havia tubarão. Que não e que nunca tinha visto, respondeu ele. Pois bem, a água estava muito clarinha, muito quentinha, mas mesmo assim não nos aventurámos a ir para fora de pé. O seguro morreu de velho! Coisa linda, vimos nós nas areias, junto das rochas. Uns lagartos, cerca de 25 cm, dorso prateado e barriga dum azul eléctrico. Uma maravilha! Um dos que ia connosco, ao ver os lagartos, eram mais de 10, resolveu, ele lá saberia porquê, que iria acertar num que estava agarrado a uma rocha. Pontaria ou sorte, acertou nele de tal maneira que lhe separou a cabeça. Curioso foi ver os outros lagartos, de imediato resolveram limpar o que agora já não servia para mais nada e comeram o desgraçado, acabado de morrer! Regressámos a bordo e muito “satisfeitos” ficámos com informação do pretito. Ele nunca tinha visto tubarão (olha a nossa sorte!) e então não era que, em volta do navio, andavam cinco que, tudo indicava, seriam pai, mãe e três filhos. A fome era tal que até comiam cascas de laranja!

Ainda em Nacala, doutra vez, mas na praia velha, estávamos em grande grupo, dentro de água, já ao lusco-fusco, quando de repente se sentiu perto de nós um marulhar das águas. Avisados que andávamos, desatámos a nadar para terra e a olhar para a água. Mal se via já mas ainda deu para perceber que afinal era apenas um cardume de peixes voadores que resolveu assustar o pessoal!


Posto isto, resta-nos sair desta terra, e deixar o verde das colinas fronteiras ao cais, rumo ao fim da linha, Porto Amélia. O elástico está quase no limite e, depois, é só encolher!

Eram, exactamente, 00h 46min quando deixámos Nacala!

E, após pouco mais de 7 horas de navegação, durante as quais fomos interpelados por sinais “morse” luminosos, inquirindo quem éramos e para onde íamos, ao que o nosso telegrafista respondeu inquirindo por sua vez, e durante várias vezes, quem é que perguntava, sem obter resposta. Naquele momento deduzimos ser uma fragata da marinha de guerra portuguesa, em missão de patrulha, não querendo ser reconhecida.

Porto Amélia. Entrada da baía de Pemba com o cais, lá ao fundo.
Cerca das 08.00h entrámos na baía de Pemba (Porto Amélia), a 3ª maior do mundo, cercada de grandes montanhas de perfil afiado. É uma visão grandiosa e uma mudança completa no perfil da costa.

Um cargueiro que estava atracado, teve que suspender o trabalho e fundear ao largo para que o "Angola", porque era navio misto, de carga e passageiros, pudesse atracar o que aconteceu às 08h 06min.

A carga principal será algodão e sisal, originários da província de Cabo Delgado, e a saída está prevista para cerca das 19.00h.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 19 ) ... Ilha de Moçambique - Nacala

Dia 11 :
A operação de carga e descarga, mais aquela que esta, decorreu bastante bem, o que possibilitou que o navio pensasse em sair, cerca da meia noite do dia 10.


Ilha de Moçambique. Vista da cidade.

Ilha de Moçambique. Fortim de Santo António.

Da visita à ilha, cerca de 3 km de comprimento e 300 a 400 metros de largura, entre outros, ficou-nos a ida à Fortaleza de São Sebastião, ao Forte e à igreja de Santo António, ao Palácio dos Capitães-Generais e à capela de Nossa Senhora do Baluarte, aproveitando os serviços dum “riquexó”.

Ilha de Moçambique.
Fortaleza de São Sebastião.
(retirado de wikipédia)

Ilha de Moçambique. Igreja de Santo António.
(retirado de wikipédia)















Pelo caminho, foi com surpresa que deparámos com aquilo que podíamos supor serem máscaras de carnaval. Puro engano, o pessoal feminino, assim disfarçado, estava tão somente usando o “musiro”, devidamente barrado nas suas faces. O “musiro” é uma espécie arbórea, com a devida designação científica, a qual os autóctones, moem e amassam formando uma pasta. Essa pasta é vulgarmente utilizada em cosmética, razão pela qual as “pretitas”, gostando de apresentar uma pele bem macia, não a dispensam. Digamos que é um “faça você mesmo”, de esteticista!



Ilha de Moçambique. "Riquexó" e máscara musiro.
(retirado de http://www.prof2000.pt/)

Ilha de Moçambique. Mulheres macuas.
(retirado de http://www.joraga.net/)



Falta referir que está em construção uma ponte, de cerca de 3 km que ligará a ilha ao continente, ao Lumbo, e tornará mais fácil a vida desta gente.
Convém lembrar que, nesta viagem virtual, hoje é Domingo de Páscoa. Pode não parecer porque o navio não pára e os dias são todos iguais. São todos, dias de trabalho!

Como atrás referi, o navio acabou por sair às 00h 25 min. No regresso, que já está próximo, já aqui não faremos escala. Portanto, façam favor de fazer as despedidas!

Posto isto, rumemos a Nacala, que é já ali!

Pouco mais de 6 horas e já lá estaremos.



A noite vai desaparecendo e nós mar acima, já vamos avistando a baía de Fernão Veloso, antecâmara da baía de Nacala, onde, desta vez, já não ficaremos fundeados, uma vez que o “Angola” já em viagem anterior fez a sua inauguração.

Pouco passava das 05.00h quando o navio se apresentou frente ao cais e eram 06h 55min quando terminou a manobra de acostagem.



Nacala. Praia e cais.
(retirado de http://www.madalas.blogs.sapo.pt/)

A saída, depois de carregar algodão e sisal, está prevista para cerca da meia noite.

Em Nacala, pouco mais terão que ver do que a praia, dum e doutro lado do cais. Porém, cuidado com os “alfaiates”. O tubarão pode andar por ali! Por vezes podem sentir que algo se agita à superfície das águas mas não é tubarão, são os cardumes de peixes-voadores que resolvem pregar sustos ao pessoal. Nunca fiando!

terça-feira, 10 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 18 ) ... Beira - Ilha de Moçambique

Dia 09 :
Como habitual, manhã cedo, pelas 06.00h, deixamos o cais do porto da Beira e as águas barrentas do Zambeze, rumo à saida do delta, onde desembarcamos o piloto e entramos na rota normal às 07h 37min.
Beira.








Vamos, pois, em busca da Ilha de Moçambique, onde chegaremos amanhã, durante a manhã.




Dia 10 :

O dia amanhece e, entretanto, a temperatura da água do mar já vem subindo desde que saímos de Lourenço Marques e já atinge os 29ºC.

A ilha está próxima, fundearemos, ao largo, pelo que metemos piloto às 11.00h, ficando o navio fundeado às 11h 27min.
Ilha de Moçambique.







Os fundos aqui são baixos e de rocha de coral, pelo que criam problemas aos náuticos.


Ilha de Moçambique. Pescador.




Navio fundeado, começarão as operações de carga e descarga. Haverá hipótese de ir a terra, pois a empresa  "Alfredo Rosa Arnaut" tem dois "gasolinas", o "Embaixador" e o "Fortaleza" que além de fazerem carreiras também fazem excursões. Uma viagem a terra, ida e volta, custa a módica quantia de 10$00 (dez escudos), mas moçambicanos. Em terra, poderão dar uma volta à ilha. A ilha é pequena mas, mesmo assim, podem usar o "riquexó". Além dos vestígios dos nossos antepassados, poderão constatar que a população é, maioritariamente, muçulmana. O artesanato é de altíssima qualidade, seja em madeira, seja utilizando as muito variadas conchas e corais, abundantes no mar que rodeia a ilha. Os "macuas" são uma etnia de gente cuja inteligência está acima da média destes povos. Se forem a terra, terão algumas "surpresas". Sobre essas, depois falaremos.


A saída está prevista para amanhã, manhã cedo.

domingo, 8 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 17 ) ... Lourenço Marques - Beira


Dia 07 :
Mal nascia o dia, cerca das 03h30min o “Angola”, deixou o cais de Lourenço Marques, baía fora, e eram 05h20min quando, chegado à Inhaca, largou piloto e entrou de novo no Índico, rumo à cidade da Beira.

Lourenço Marques.
Deixando o Cais Gorjão, ao fundo, à esquerda.
A caminho da Inhaca.


Pande. O incêndio no poço de gás natural.
(http://www.mocambique.wordpress.com/)
 
Sempre divisando, por bombordo, a costa arenosa, adivinhávamos lá longe o Xai Xai, o Bilene e, mais adiante, lembrávamos a noite em que o céu todo ele se iluminava devido a um enorme clarão que se manteve durante semanas, pelo menos. Tal clarão, era devido a um incêndio num poço de gás natural, em Pande, constando que estariam a chegar técnicos americanos para conseguir a sua extinção.






Mais para norte, já noite, avistámos, o farol da ilha do Bazaruto, parte do arquipélago do mesmo nome, um pouco afastado da costa. Um lugar idílico, segundo dizem.


Dia 08 :
E, eram 07h.03min, do dia 8, quando nos apresentámos defronte do delta do Zambeze e embarcámos o piloto que nos levaria até ao porto da Beira, um cais assente em estacaria de madeira, onde o “Angola”, finalmente, atracou às 08h45min.

Beira. No cais, o paquete italiano "África",
da Societá Italia de Navigazione (*)

Neste porto, é de assinalar a amplitude de maré, de cerca de 4metros.

A cidade da Beira, designada pelos naturais de “Cidade do Futuro”, mantém uma acesa rivalidade com Lourenço Marques. Acontece, porém que Lourenço Marques tem condições naturais, o que não acontece com a Beira que é uma cidade, praticamente, implantada num pântano e por consequência tudo terá que ser conquistado com muito esforço. Mas, é bom de ver a tenacidade dos seus habitantes. Neste momento, uma empresa francesa está a promover ao alongamento do cais de acostagem e, para tal, terá que fabricar enormes “caixões” , em cimento, ligando-os em seguida. Para a construção dos “caixões” tiveram que construir uma “ensecadeira” que abriam, para colocar os “caixões” a flutuar. Acharam, então, por bem, que essa ensecadeira se transformasse numa doca seca e, assim, nasceu uma doca seca na Beira. A estação de caminhos de ferro, é duma arquitectura arrojada para a época, tal como o pavilhão desportivo, cujas tabelas de basquetebol são das primeiras em fibra de vidro. Nem na metrópole ainda havia! Disse que a cidade fica num pântano mas, redes mosquiteiras nas janelas, é coisa do passado.
E apesar do Chiveve, braço de rio pantanoso, o problema dos mosquitos parece controlado.

Beira. O Chiveve e a cidade, ao fundo.

A Beira pode não ser a “Cidade do Futuro” mas, decerto é a “Cidade do Esforço e do Trabalho”! Será pela sua conotação beirã?

A cidade não tem muito para ver mas eu procurarei mostrar alguma coisa.

Este porto tem grande movimento, principalmente de mineraleiros. É conveniente dizer que é o porto de saída da Tanzânia e das suas minas de cobre.


A saída está prevista para amanhã, dia 9 , manhã cedo!

(*) Seguidor atento, Luis Miguel Correia, fez-me o reparo de que o navio "Africa", pertenceria ao Lloyd Triestino. Com os meus agradecimentos, aqui está reparado o lapso.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 16 ) ... Em Lourenço Marques

Embora esta estadia seja bem curta, vamos aproveitá-la para recordar dias de estadia, mas noutras viagens.

(retirado de http://www.livrariaultramarina.com/)
Numa delas, aproveitando a viagem presidencial, calhou-nos inaugurar o cais da Matola.

Estávamos atracados em Lourenço Marques, tinha saído de quarto às 04.00h, deitado lá para as 05.00h e cerca das 07.00h já tinha alguém a chamar-me para me levantar e vestir a farda branca porque tínhamos que rumar, rio adentro, até à Matola onde o senhor Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, estaria às 07.30h para fazer a inauguração do novo cais! Tudo bonito! Cheio de sono, não tinha outra alternativa! A bem da Nação, não se admitiam “baldas”. Se por acaso não me apresentasse no convés, devidamente fardado, feliz e contente, a coisa podia complicar-se! O senhor Presidente andava em visita oficial e o facto é que ele parecia que não parava durante o dia inteiro. Ele eram inaugurações, almoços e jantares, discursos, deslocações aqui e ali! O homem ia a todas! Apesar disso, estávamos nós atracados no cais da Matola, ele chegou e em passo de corrida nem para o navio olhou! Foi só para chatear branco!

Vem aí borrasca!
(retirado de http://www.tempo-dividido.blogspot.com/)


No mar, o mau tempo apenas provocava os balanços que por vezes eram bastante incomodativos. Umas vezes eram da proa à popa, fazendo levantar e abicar o navio, outras eram de um bordo a outro. Não sei qual seria o pior mas havia, por vezes, no primeiro caso, uma situação em que o navio era levado à crista da onda e de repente era deixado cair. Incomodavam, principalmente, quando queríamos dormir. O nevoeiro também nos deixava um pouco nervosos, já pelo nevoeiro em si, já pelo constante barulho da sirene. As trovoadas, principalmente na zona equatorial, impressionavam pela grandiosidade. Clarões que tudo iluminavam e água que Deus a dava!
Tempestade no mar. Quie desperdício, de electricidade!
(retirado de http://www.madeiraminhavida.blogspot.com/)


Em terra, o mau tempo trazia normalmente invasões de bicharada que vinham em grandes nuvens à frente da tempestade. Tivemos, em Lourenço Marques, uma invasão de gafanhotos e borboletas qualquer coisa de assustador. Os gafanhotos invadiam todo o interior do navio. Nos corredores interiores tivemos de retirar a maioria das lâmpadas. Apenas deixavamos uma para que nos permitisse ver o caminho para os camarotes que fechávamos o mais hermeticamente possível. Pelos corredores íamos pisando gafanhotos e levando com alguns que entretanto iam saltando, dum lado para o outro. Na Casa das Máquinas era uma autêntica carnificina! Eles iam entrando quer pela ventilação natural quer pela forçada e despenhavam-se no chão da Casa. Tínhamos que os apanhar à pá e que sair de debaixo dos ventiladores para que, principalmente, as nossas cabeças não ficassem cheias de restos de gafanhotos. Como se isso não bastasse as borboletas, espécie de traça mas um pouco maior, de cor acastanhada juntaram-se aos gafanhotos e além de invadirem o navio, deram-se ao trabalho de ir depositando milhares de ovos por tudo quanto era sítio. No fundo da Casa das Máquinas os ovos pareciam areia e o problema mantinha-se. Apesar de todos os nossos esforços e tanta carnificina, alguns, ainda bastantes, seguiram connosco durante alguns dias.

Nessa mesma viagem, ou talvez noutra, em Nacala, tivemos nova invasão de borboletas e foi impressionante ver que toda a superestrutura do navio, pintada de branco, era completamente castanha. As luzes quase não se viam e se, ao entrarmos no camarote, acendíamos a luz, imediatamente o vidro da vigia ficava completamente tapado por borboletas.

No meio disto tudo, por vezes vinha o acompanhamento de algumas baratas, ou coisa parecida, voadoras e do tipo “king size”.

(http://www.travel-images.com/)
Desta vez não há nada disso, mas o tempo está a refrescar e é preciso ter muito cuidado com o "cacimbo" e com os mosquitos. O paludismo, por vezes, é traiçoeiro e os residentes não se esquecem da sua dose de quinino, seja sob a forma de "Resoquina", "Plaquinol", ou outro . Portanto, quem os avisa... 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Santa e Feliz Páscoa !



Fazendo uma breve pausa nesta "viagem", o "Comandante" e a "tripulação", desejam a todos os "passageiros" deste navio uma Santa e Feliz Páscoa!

É bom que nos lembremos
ao carregar nossa cruz
que todos nós louvemos
ao Filho de Deus, Jesus!

E é tão simples, tudo isto!
A boa Páscoa é dar perdão,
lembrar a Paixão de Cristo
e louvar sua Ressurreição!