sábado, 20 de outubro de 2012

Episódio da Guerra da Restauração, em Salvaterra. O sarg.º - mor, António Soares da Costa, um traidor ? ( 1 )



Aclamação de D. João IV
No dia 1 de Dezembro, comemora-se a Restauração da Independência de Portugal, em 1640. É sabido que ninguém larga de bom grado aquilo que lhe pertence, ou julga pertencer-lhe. Foi o que aconteceu com o ocupante espanhol que ao ver-se, durante 60 anos, senhor deste cantinho à beira mar plantado, teve muita relutância em largá-lo. Assim, essa Restauração só se tornou efectiva passados que foram ... 28 anos! 28 longos anos, pejados de episódios de escaramuças, bravura, astúcia, traição, falsidade e  imprevistos de que a História é fértil e que, bastas vezes, mudam o seu rumo.

Vem isto a propósito de um episódio que teve lugar em Salvaterra do Extremo que, situada na raia, esteve bem sujeita a todo o tipo de desmandos. É o caso, quanto a mim ainda mal conhecido e menos explicado, do “convite” feito pelo enviado espanhol, D. Alonso de Sande y Ávila, ao governador da praça de Salvaterra, o sargento-mor António Soares da Costa. Ao que consta, António Soares da Costa pretendia, tal como o governo português, firmar e manter as relações comerciais com o lado de lá, para o que abriu Alfândega em Salvaterra ao mesmo tempo que procurava relações cordiais com o vizinho, dada a situação ainda pouco estável devido às escaramuças constantes. Tal relação cordial terá levado D. Alonso a crer que não lhe seria difícil conseguir que António Soares da Costa, a troco de algumas benesses, lhe entregasse a praça e se passasse para o lado espanhol. Se bem o pensou, melhor o fez! Em Março de 1655, o convite foi feito. António Soares da Costa, não se terá dado por achado e terá feito menção de aceitar tal “honra”, mal adivinhando D. Alonso o que lhe ia na cabeça. O governador, no entanto, fez questão de exigir documento real onde lhe fossem atribuidas essas benesses. Não fosse por isso e D. Alonso, lá arranjou Carta do Rei de Espanha, Filipe IV, datada de 20 de Abril de 1655, onde lhe seriam atribuidos “quatro mil ducados de renta cada año, los dos mil de ellos prepetuos p.ª su persona e suzessores, y los otros dos mil por los dias de su Vida”, contra a entrega da praça de Salvaterra.

Cartas de, D. Luiz Mendes de Haro e do Duque de S. Germán, prometendo-lhe todo o apoio e dizendo da grande consideração que tinham por António Soares da Costa, haviam também de ser por este recebidas.
O certo é que, logo desde o início, António Soares da Costa foi dando conta do que se tramava, a D. Nuno da Cunha Athaide e no dia 13 de Abril, já D. João IV, também já ao corrente de tal facto, dava resposta a D. Nuno, pedindo-lhe que o mantivesse informado do que se ia passando.

O assunto, até aqui, com mais ou menos pormenores, parece ser conhecido. Já o momento da “entrega” da praça, ou é desconhecido ou diz-se ter sido aprazado para a noite S. Pedro, aproveitando as festas. É possível que tal tenha sido alvitrado mas, o facto é que tudo parece levar a crer que D. João IV terá tentado retardar o que se havia de fazer, dado que ao mesmo tempo tinha em Lisboa o enviado diplomático de França, cavalheiro de Jant, no sentido de que a França nos ajudasse na consolidação da Independência e não lhe convinha ter ao mesmo tempo um conflito com Espanha. Nuno da Cunha, sem resposta, ia disfarçadamente reforçando a guarnição da fortaleza com tropas e mantimentos e pedindo a António Soares da Costa que retardasse o mais que pudesse a operação. Desconfiados, os espanhóis puseram pressa no que estava acordado, antecipando-se ao que os portugueses desejavam, e a operação teve lugar no dia 21 de Julho, pelo meio-dia. Não foi, portanto, nem no dia 30 de Junho, nem à noite!

Conforme combinado, os espanhóis, disfarçados de mercadores,apresentaram-se frente à fortaleza e foram entrando, um a um, e um a um foram sendo degolados. Por fim entrou D.Alonso, o qual foi atado à boca dum canhão e disparado este, espalhou os seus restos pelos ares fazendo debandar, aterrorizadas, as hostes espanholas que se encontravam no campo à espera de ordens.

Por último, é o caso de alguém referir que terá sido um acto de traição, da parte de António Soares da Costa. Parece-me totalmente descabida esta afirmação. Pode ser traição, trair um amigo ou uma pátria, a um inimigo ou um desconhecido apenas se pode enganar.

Se não, vejamos a cronologia dos factos: 


(continua)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"Corrigindo" ... a História !



Todos sabemos que o relato de qualquer acontecimento nem sempre é coincidente. Depende muito de quem o conta. Diz-se que, quem conta um conto acrescenta um ponto! Ora o facto ainda pode ser mais deturpado se a água da fonte onde se for beber a informação estiver, dalguma forma, “inquinada”!

Isto tudo, vem a propósito dum “post” que eu coloquei neste blogue, no dia 30 de Junho de 2010, onde referia o caso de insídia com que os espanhóis buscavam apoderar-se da praça de Salvaterra do Extremo, em 1655.
A certa altura desse “post”, dizia eu:
 “Acertados os pormenores para 30 de Junho, aproveitando as festas de São Pedro, e posta a operação em marcha, 37 oficiais espanhóis disfarçados de paisanos mal puderam acreditar no que lhes aconteceu.”

Isto tudo fui eu “beber” algures onde, de momento, não consigo precisar!

Porém, como acompanho com frequência o blogue guerradarestauracao.wordpress.com,
aí deparei há algum tempo com um trabalho de  Juan Antonio Caro del Corral, licenciado em “Documentación por la Universidad Carlos III, de Madrid”, intitulado “LA FRONTERA CACEREÑA ANTE LA GUERRA DE RESTAURACIÓN DE PORTUGAL... (1640 – 1668), inserto na Revista de Estudios Extremeños, 2012, Tomo LXVIII, Nº I I.S.S.N.: 0210-2854e do qual transcrevo um excerto: 

Avanzado ya 1655, toda la atención estuvo puesta, nuevamente, sobre la
plaza de Salvaterra do Extremo. En esta ocasión, desechando el método violento
de las armas para intentar conquistar el lugar, volvió a utilizarse una táctica ya
empleada en otros momentos, al comienzo de la guerra: el pacto de entrega.
Esta vez el responsable de la acción fue un caballero de noble alcurnia,
Alonso de Sande, que tenía el gobierno militar de Ceclavín, pueblo cuyos vecinos seguían manteniendo a buen ritmo el peligroso oficio del contrabando en
villas portuguesas, sobre todo con la mencionada Salvaterra. Precisamente,
aprovechando esa relación comercial, Antonio Soares da Costa, máxima autoridad salvaterrana, propuso a Sande rendirse a las armas de Castilla. Aceptado
el trato y orquestado el plan para llevarlo a efecto, Alonso pasó, junto con 23
compañeros, todos vestidos a la usanza de contrabandistas, a la plaza portuguesa el día 29 de junio, festividad de San Pedro Apóstol. Pero, una vez dentro
del pueblo, la gente de armas del mismo negó el acuerdo, sin dar la oportunidad para huir de la emboscada que se estaba fraguando. Todos los soldados
extremeños fueron brutalmente asesinados, resultando especialmente virulenta la muerte de su cabecilla, Sande, cuyo cuerpo, tras ser maniatado a la boca
de un cañón, acabo volado al dispararse aquel.
La sombra funesta que dejó aquel acontecimiento, pesó como una losa

É a visão deste episódio, mas do lado de lá e que tive ocasião de, no mesmo blogue, fazer o meu comentário e ter a amável resposta do autor.
Hoje, cumpre-me corrigir a informação que eu então dei e completar o meu referido comentário.
Assim, a “minha verdade” e de acordo com documentos que a “santa internet” ( “Synopse dos decretos remittidos ao extincto Conselho de Guerra”, vol. 1 – 2, de Claudio de Chaby Portugal) nos possibilita, permite-me afirmar que:
a)      Os pormenores podem ter sido acertados para que a operação tivesse lugar no dia 30 (ou 29) mas o facto é que só o foi no dia 21 de Julho (quarta-feira) e isto porque por motivos  dalguma desconfiança, da parte castelhana, foi ... antecipada!
b)      Na versão de António Soares da Costa, que deve bem ter contado o número de infelizes a quem tirou a vida, eram “37 os oficiais espanhóis disfarçados de paisanos” e não os 23 referidos por Juan Caro de Corral, nem os 30 que teriam sido anunciados por D. Alonso!

Esta é a minha “verdade” e que espero não esteja muito distante da verdade histórica!

Penso tornar a este assunto, por via da vida de António Soares da Costa!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Regresso de férias! Salpicos...

Estou de volta! De regresso a este blogue, não quis, ainda que com algum atraso, deixar de referir dois acontecimentos ocorridos durante a minha ausência.



No dia 18 de Agosto, integrado nas Festas da Padroeira Nossa Senhora da Assunção e da Comunidade Paroquial de Colares teve lugar, na Igreja de Colares, um Concerto de Canto e Órgão, com a soprano Paula Pires de Matos e o organista Rui Paiva. Do evento aqui fico as imagens.  

O recanto da Padroeira!
Um momento do Concerto



























No dia 26 de Agosto, a exemplo dos últimos anos, a Volta a Portugal em bicicleta terminou com a uma etapa ligando Sintra a Lisboa e como tem sido habitual, logo no início dessa etapa, passou à minha porta. Tiradas da minha varanda apresento algumas fotos dessa passagem.
Lá vêm eles e o "camisola amarela" (ali junto ao poste)!
Ainda há mais...
mas estes devem ser os últimos!
O carro vassoura fecha o "desfile"! A 74ª Volta a Portugal, em bicicleta, está a acabar!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Última hora ! I Festival do Gaspacho, em Salvaterra do Extremo!

Por puro acaso descobri, no Facebook,  a notícia que mostro neste "post".
Realmente, com tanto Festival de tudo e mais alguma coisa, mal ficaria que não houvesse um Festival do Gaspacho na minha terra. E se estiver o calorzinho que por lá se costuma sentir, então ainda sabe melhor. 


Foto: I Festival do Gaspacho - Salvaterra do Extremo:::
:::15 de Agosto às 17h:::
Inscrições: João Rôlo e Pedro Bargão:::
Apoio: Junta de Freguesia Salvaterra do Extremo:::


Aceitam as inscrições: João Rôlo e Pedro Bargão
O Festival tem o apoio da Junta de Freguesia de Salvaterra do Extremo.


Bom apetite!!!

domingo, 5 de agosto de 2012

Eu e ... os Jogos Olímpicos!


Os primeiros Jogos Olímpicos de que realmente me recordo, foram os de 1952, em Helsínquia.
Aos Jogos de 1948, eu talvez apenas associe o nome do capitão Helder Martins que suponho, tal como eu, vivia no Algueirão Velho, ou de Cima, e que fez parte da equipa portuguesa de hipismo. Quanto ao resto, não tenho memória.

Estádio Olímpico de Helsínquia
Ora, dado que passam agora 60 anos sobre os Jogos de Helsínquia, venho relembrá-los trazendo aqui a imagem dum folheto turístico relacionado com o evento e um postal ilustrado do Estádio Olímpico.

Capa do folheto 
Planta de Helsínquia (1)
Planta de Helsínquia (2)

























Recordo que a delegação portuguesa foi transportada no navio “Serpa Pinto”, da Companhia Colonial de Navegação, o qual também lhe serviu de alojamento durante a competição ( ao que parece, a crise já vem de longe!).

O "Serpa Pinto" passando no canal de Kiel, no regresso dos
Jogos Olímpicos de Helsínquia.
Desenho de Frank Braynard, para a Revista da Marinha, incluído
no livro "Fifty Famous Liners 3", de 1987
( retirado de www.artbarreiro.com)

Para Portugal, foram estes Jogos semelhantes a muitos outros mas, enfim, para que não fosse tudo mau, na vela lá estava o “Espadarte” tripulado por Joaquim Fiuza e Francisco Andrade, para nos darem uma alegria, embora de “bronze”. 

Joaquim Fiuza e Francisco Rebello de Andrade
A partir daí, sempre Joaquim Fiuza e também os irmãos Duarte e Fernando Bello (que já tinham arrecadado “prata” em Londres), nos tentariam dar uma alegria maior mas o “Adamastor” desse tempo, era um italiano de nome Straulino que não permitia veleidades. Nas restantes modalidades foi o que é e sempre será, normal! Por vezes, lá temos um assomo e nos incha o peito. E, o que poderia ser um bem, põe-nos logo a pensar em catadupas de medalhas, esquecendo a qualidade de todos os outros. Daí, a desilusão quase permanente. A comunicação social também não ajuda grandemente e desta vez já se deu ao luxo de comparar Portugal, em 100 anos, com o Michael Phelps. Está tudo doido! Um país com mais de 800 anos de história poderá comparar-se com um “minúsculo” habitante deste planeta, por muitas medalhas que ele ganhe? Dir-me-ão que é apenas sentido figurado mas, eu direi que é apenas coisa sem sentido! Pela minha parte, como português, já ficarei satisfeito desde que os nossos atletas deem o seu melhor e se esse melhor for o almejado “ouro” tanto melhor. O mais importante é competir e isso quer dizer ganhar ou perder, para todos que lá vão! Um país nunca se medirá pelo número de medalhas que conquistar, muito embora muito boa gente entenda isso!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um fim de semana ... em alta! Ou, os meus “minutos de fama”!

Não, não estou a falar do PSI20, do Nasdaq ou do Dow Jones e também não me saiu o Euromilhões.
Estou somente a relembrar o que foi para mim o passado fim de semana.
Foram, dois “momentos de fama”, para encher o ego!

Capa do livro "África eterna"
O primeiro, porque continuando aquelas “obras do acaso” que me vão acontecendo, fui contactado pela jornalista Rita Penedos Duarte, que em tempos tinha assinado um trabalho que colocou no DN Magazine, no qual eu era protagonista (e que em devido tempo dei notícia neste blog, ver aqui), convidando-me para o lançamento do livro “África Eterna”, onde esse e mais 49 trabalhos foram compilados. Este lançamento, realizou-se no dia 13, no Auditório do Diário de Notícias.





O "Convite"!
O segundo porque, mal refeito deste acontecimento, compareci no dia seguinte no Solar dos Zagalos, para onde tinha sido convidado pela Srª Presidente (ainda não é Presidenta) da Câmara Municipal de Almada e pela SCALA, para assistir à cerimónia de entrega dos prémios do “Concurso de Quadras Populares 2012” e para receber uma “Menção Honrosa”. Foi uma cerimónia simples, onde foram lidas as quadras vencedoras e distribuídos os respectivos prémios, lidos alguns poemas, e após alguns discursos de circunstância ouviram-se algumas músicas populares tradicionais, pelo conjunto “Contradições”. 


Solar dos Zagalos
(retirado de wikipédia)
Por fim houve um pequeno beberete, para quem quis e ainda deu para dar uma vista de olhos pelo Solar e admirar belos azulejos. Doutra vez visitarei o Solar, mas com mais tempo.
Finalmente, acabadas as emoções, “desci à terra” e fiz o regresso a Lisboa entrando no “inferno” da longa fila do “pára, arranca” a que já não estava habituado.
Para trás ficou a lembrança agradável do momento e o reencontro com a minha quase conterrânea Cristina, “culpada” da minha entrada nestas coisas de “blogues” e que me deu o prazer da sua comparência.
E, foi assim que, ao contrário de todo o ambiente que se vive neste país, terminou o meu fim de semana. Em alta!


Também, mal ficaria que não deixasse aqui a minha quadra que mereceu os favores do júri ao ser-lhe atribuída uma "Menção Honrosa!



Em Almada, no São João,

guiado pela mão de Deus,

perdeu-se o meu coração

no brilho dos olhos teus!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu ... e a Marinha de Guerra Portuguesa!


Vou voltar um pouco atrás nas minhas descrições e narrar um pouco como se processou a minha passagem pela Marinha de Guerra Portuguesa.
Volto a repetir a minha pouca apetência para andar embarcado, muito embora estivesse ligado à construção, e à reparação, naval.
Aconteceu que, ao ser confrontado com a certeza de que me estava reservado um lugar no exército português, e uma quase certa “excursão” às florestas de Angola, houve que analisar a situação e tentar minimizar os “estragos”. Foi, assim, que se configuraram duas soluções para o problema. Uma, dizia-me que podia tentar as Oficinas Gerais de Aeronáutica, em Alverca, o que me possibilitava fazer a recruta e trabalhar, pelo menos durante 2 anos nessas oficinas e depois tratar da minha vida. A outra, seria tentar a Escola Náutica, 2 anos de estudo, fazer a recruta e embarcar se me conviesse. E, foi aqui que o Mar ganhou ao Ar. Preferi ser “marujo” a ser “araújo”!
Porém, nem sempre o que parece é! Aconteceu a invasão de Goa e os alunos da Escola Náutica “eram convidados”, a Bem da Nação, a servirem na Marinha Mercante Nacional, durante cerca de 3 anos. A recruta seria em 2 fases, a primeira entre o 1º e o 2º ano do curso e a segunda, depois de findo o tempo de embarque.
Assim foi, andei embarcado no “Angola”, após o que me apresentei para cumprir aquilo a que me tinha proposto e estava obrigado como mancebo considerado apto para o serviço militar!.
E, aqui estou eu, na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira,
com "outros da minha malta", no fim do 1º ciclo!

No entanto não podia passar pela Marinha de Guerra, nesta altura tão importante da minha vida, sem  registar convenientemente tal facto.
O draga-minas M407 "Angra do Heroísmo"
(retirado de www.velhosnavios.blogspot.com)
Prestei serviço, é uma força de expressão pois só tinhamos instrucção, no draga-minas M407 “Angra do Heroísmo”, onde encontrei o  2º Tenente da Reserva Naval, Pereira Coutinho, fazendo o lugar de “Imediato” e o 2º Tenente, Eng. Maquinista Naval, Rodrigues Pereira; e no patrulha P591 “Fogo”, cujo comandante era o Capitão de Mar e Guerra, Brito e Abreu (que entretanto foi mobilizado para Cabo Verde), o quase “Guarda-marinha”, Sanches Oliveira, o “Sueco” para os amigos e o Eng. Maquinista Naval, 2º Tenente, António Salvador Neves de Carvalho.
(Nota: Espero não me ter enganado na correcta identificação dos postos de cada um dos mencionados!)

O navio patrulha P591 "Fogo"
(retirado de www.velhosnavios.blogspot.com)
Foi um tempo de gratas recordações, quer pela leveza das nossas obrigações, quer pela amizade e gentileza com que sempre fomos tratados. No fim de contas, éramos uns "Srs. Cadetes" da Reserva Marítima e já com cerca de 3 anos de embarque!

Tudo isto, merecia uma “Ode” à “vida marítima” e eu não me fiz rogado. Aqui fica um pequeno excerto dessa “Ode”:

Para a Pátria defender,
sem o inimigo me matar,
à Escola Náutica fui ter,
para depois embarcar.

E assim foi ! Embarquei !
Por mares nunca dantes navegados,
três anos por lá andei,
como os meus antepassados.

Agora, para aqui estou,
com outros da minha malta.
Marinheiro não fui, nem sou !
Decerto não faço cá falta.

O que agora vos digo,
é quase de pasmar !
Ainda não vi o inimigo,
por estas bandas passar !

Mas cá a malta gosta,
assim desta guerra aberta.
Guerra que nos foi imposta,
mas que ganhamos pela certa !

Por isso passo ao ataque
e a todos vou avisar
:- Nós vamos pôr isto a saque
antes da guerra acabar !

E, no fim da nossa instrução, em jeito de despedida do navio patrulha P591 “Fogo”, após um lauto almoço que meteu: Ameijoas na cataplana, champanhe, whisky e até charutos! (Tudo à conta do pré que, religiosamente, entregávamos ao navio e com o qual, cozinheiro e despenseiro faziam o verdadeiro milagre de nos darem opíparas refeições!)

Aproveitando este momento
quero publicamente mostrar
o nosso agradecimento
a quem nos soube tratar.

Peço um voto de louvor
ao senhor engenheiro
que mais que instrutor
foi, sim, nosso parceiro!

E ao quase “Guarda-marinha”,
de todos nós faço eco,
para o futuro que se avizinha,
muitas felicidades “Sueco”!

Eh! Com o Demónio,
que Deus me valha!
Ao Mónica e ao António, (*)
obrigado, cá pela “palha”!

(*) O Mónica e o António eram o Despenseiro e o Cozinheiro

E, assim, longe ficaram os temores das impenetráveis florestas angolanas!