terça-feira, 10 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 18 ) ... Beira - Ilha de Moçambique

Dia 09 :
Como habitual, manhã cedo, pelas 06.00h, deixamos o cais do porto da Beira e as águas barrentas do Zambeze, rumo à saida do delta, onde desembarcamos o piloto e entramos na rota normal às 07h 37min.
Beira.








Vamos, pois, em busca da Ilha de Moçambique, onde chegaremos amanhã, durante a manhã.




Dia 10 :

O dia amanhece e, entretanto, a temperatura da água do mar já vem subindo desde que saímos de Lourenço Marques e já atinge os 29ºC.

A ilha está próxima, fundearemos, ao largo, pelo que metemos piloto às 11.00h, ficando o navio fundeado às 11h 27min.
Ilha de Moçambique.







Os fundos aqui são baixos e de rocha de coral, pelo que criam problemas aos náuticos.


Ilha de Moçambique. Pescador.




Navio fundeado, começarão as operações de carga e descarga. Haverá hipótese de ir a terra, pois a empresa  "Alfredo Rosa Arnaut" tem dois "gasolinas", o "Embaixador" e o "Fortaleza" que além de fazerem carreiras também fazem excursões. Uma viagem a terra, ida e volta, custa a módica quantia de 10$00 (dez escudos), mas moçambicanos. Em terra, poderão dar uma volta à ilha. A ilha é pequena mas, mesmo assim, podem usar o "riquexó". Além dos vestígios dos nossos antepassados, poderão constatar que a população é, maioritariamente, muçulmana. O artesanato é de altíssima qualidade, seja em madeira, seja utilizando as muito variadas conchas e corais, abundantes no mar que rodeia a ilha. Os "macuas" são uma etnia de gente cuja inteligência está acima da média destes povos. Se forem a terra, terão algumas "surpresas". Sobre essas, depois falaremos.


A saída está prevista para amanhã, manhã cedo.

domingo, 8 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 17 ) ... Lourenço Marques - Beira


Dia 07 :
Mal nascia o dia, cerca das 03h30min o “Angola”, deixou o cais de Lourenço Marques, baía fora, e eram 05h20min quando, chegado à Inhaca, largou piloto e entrou de novo no Índico, rumo à cidade da Beira.

Lourenço Marques.
Deixando o Cais Gorjão, ao fundo, à esquerda.
A caminho da Inhaca.


Pande. O incêndio no poço de gás natural.
(http://www.mocambique.wordpress.com/)
 
Sempre divisando, por bombordo, a costa arenosa, adivinhávamos lá longe o Xai Xai, o Bilene e, mais adiante, lembrávamos a noite em que o céu todo ele se iluminava devido a um enorme clarão que se manteve durante semanas, pelo menos. Tal clarão, era devido a um incêndio num poço de gás natural, em Pande, constando que estariam a chegar técnicos americanos para conseguir a sua extinção.






Mais para norte, já noite, avistámos, o farol da ilha do Bazaruto, parte do arquipélago do mesmo nome, um pouco afastado da costa. Um lugar idílico, segundo dizem.


Dia 08 :
E, eram 07h.03min, do dia 8, quando nos apresentámos defronte do delta do Zambeze e embarcámos o piloto que nos levaria até ao porto da Beira, um cais assente em estacaria de madeira, onde o “Angola”, finalmente, atracou às 08h45min.

Beira. No cais, o paquete italiano "África",
da Societá Italia de Navigazione (*)

Neste porto, é de assinalar a amplitude de maré, de cerca de 4metros.

A cidade da Beira, designada pelos naturais de “Cidade do Futuro”, mantém uma acesa rivalidade com Lourenço Marques. Acontece, porém que Lourenço Marques tem condições naturais, o que não acontece com a Beira que é uma cidade, praticamente, implantada num pântano e por consequência tudo terá que ser conquistado com muito esforço. Mas, é bom de ver a tenacidade dos seus habitantes. Neste momento, uma empresa francesa está a promover ao alongamento do cais de acostagem e, para tal, terá que fabricar enormes “caixões” , em cimento, ligando-os em seguida. Para a construção dos “caixões” tiveram que construir uma “ensecadeira” que abriam, para colocar os “caixões” a flutuar. Acharam, então, por bem, que essa ensecadeira se transformasse numa doca seca e, assim, nasceu uma doca seca na Beira. A estação de caminhos de ferro, é duma arquitectura arrojada para a época, tal como o pavilhão desportivo, cujas tabelas de basquetebol são das primeiras em fibra de vidro. Nem na metrópole ainda havia! Disse que a cidade fica num pântano mas, redes mosquiteiras nas janelas, é coisa do passado.
E apesar do Chiveve, braço de rio pantanoso, o problema dos mosquitos parece controlado.

Beira. O Chiveve e a cidade, ao fundo.

A Beira pode não ser a “Cidade do Futuro” mas, decerto é a “Cidade do Esforço e do Trabalho”! Será pela sua conotação beirã?

A cidade não tem muito para ver mas eu procurarei mostrar alguma coisa.

Este porto tem grande movimento, principalmente de mineraleiros. É conveniente dizer que é o porto de saída da Tanzânia e das suas minas de cobre.


A saída está prevista para amanhã, dia 9 , manhã cedo!

(*) Seguidor atento, Luis Miguel Correia, fez-me o reparo de que o navio "Africa", pertenceria ao Lloyd Triestino. Com os meus agradecimentos, aqui está reparado o lapso.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 16 ) ... Em Lourenço Marques

Embora esta estadia seja bem curta, vamos aproveitá-la para recordar dias de estadia, mas noutras viagens.

(retirado de http://www.livrariaultramarina.com/)
Numa delas, aproveitando a viagem presidencial, calhou-nos inaugurar o cais da Matola.

Estávamos atracados em Lourenço Marques, tinha saído de quarto às 04.00h, deitado lá para as 05.00h e cerca das 07.00h já tinha alguém a chamar-me para me levantar e vestir a farda branca porque tínhamos que rumar, rio adentro, até à Matola onde o senhor Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, estaria às 07.30h para fazer a inauguração do novo cais! Tudo bonito! Cheio de sono, não tinha outra alternativa! A bem da Nação, não se admitiam “baldas”. Se por acaso não me apresentasse no convés, devidamente fardado, feliz e contente, a coisa podia complicar-se! O senhor Presidente andava em visita oficial e o facto é que ele parecia que não parava durante o dia inteiro. Ele eram inaugurações, almoços e jantares, discursos, deslocações aqui e ali! O homem ia a todas! Apesar disso, estávamos nós atracados no cais da Matola, ele chegou e em passo de corrida nem para o navio olhou! Foi só para chatear branco!

Vem aí borrasca!
(retirado de http://www.tempo-dividido.blogspot.com/)


No mar, o mau tempo apenas provocava os balanços que por vezes eram bastante incomodativos. Umas vezes eram da proa à popa, fazendo levantar e abicar o navio, outras eram de um bordo a outro. Não sei qual seria o pior mas havia, por vezes, no primeiro caso, uma situação em que o navio era levado à crista da onda e de repente era deixado cair. Incomodavam, principalmente, quando queríamos dormir. O nevoeiro também nos deixava um pouco nervosos, já pelo nevoeiro em si, já pelo constante barulho da sirene. As trovoadas, principalmente na zona equatorial, impressionavam pela grandiosidade. Clarões que tudo iluminavam e água que Deus a dava!
Tempestade no mar. Quie desperdício, de electricidade!
(retirado de http://www.madeiraminhavida.blogspot.com/)


Em terra, o mau tempo trazia normalmente invasões de bicharada que vinham em grandes nuvens à frente da tempestade. Tivemos, em Lourenço Marques, uma invasão de gafanhotos e borboletas qualquer coisa de assustador. Os gafanhotos invadiam todo o interior do navio. Nos corredores interiores tivemos de retirar a maioria das lâmpadas. Apenas deixavamos uma para que nos permitisse ver o caminho para os camarotes que fechávamos o mais hermeticamente possível. Pelos corredores íamos pisando gafanhotos e levando com alguns que entretanto iam saltando, dum lado para o outro. Na Casa das Máquinas era uma autêntica carnificina! Eles iam entrando quer pela ventilação natural quer pela forçada e despenhavam-se no chão da Casa. Tínhamos que os apanhar à pá e que sair de debaixo dos ventiladores para que, principalmente, as nossas cabeças não ficassem cheias de restos de gafanhotos. Como se isso não bastasse as borboletas, espécie de traça mas um pouco maior, de cor acastanhada juntaram-se aos gafanhotos e além de invadirem o navio, deram-se ao trabalho de ir depositando milhares de ovos por tudo quanto era sítio. No fundo da Casa das Máquinas os ovos pareciam areia e o problema mantinha-se. Apesar de todos os nossos esforços e tanta carnificina, alguns, ainda bastantes, seguiram connosco durante alguns dias.

Nessa mesma viagem, ou talvez noutra, em Nacala, tivemos nova invasão de borboletas e foi impressionante ver que toda a superestrutura do navio, pintada de branco, era completamente castanha. As luzes quase não se viam e se, ao entrarmos no camarote, acendíamos a luz, imediatamente o vidro da vigia ficava completamente tapado por borboletas.

No meio disto tudo, por vezes vinha o acompanhamento de algumas baratas, ou coisa parecida, voadoras e do tipo “king size”.

(http://www.travel-images.com/)
Desta vez não há nada disso, mas o tempo está a refrescar e é preciso ter muito cuidado com o "cacimbo" e com os mosquitos. O paludismo, por vezes, é traiçoeiro e os residentes não se esquecem da sua dose de quinino, seja sob a forma de "Resoquina", "Plaquinol", ou outro . Portanto, quem os avisa... 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Santa e Feliz Páscoa !



Fazendo uma breve pausa nesta "viagem", o "Comandante" e a "tripulação", desejam a todos os "passageiros" deste navio uma Santa e Feliz Páscoa!

É bom que nos lembremos
ao carregar nossa cruz
que todos nós louvemos
ao Filho de Deus, Jesus!

E é tão simples, tudo isto!
A boa Páscoa é dar perdão,
lembrar a Paixão de Cristo
e louvar sua Ressurreição!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 15 ) ... Cape Town - (Durban) - Lourenço Marques

Dia 4 :
A orla costeira, tipo dunar e diferente da anterior, já se foi divisando durante o dia e cerca das 20.00h o navio chegou à Inhaca, onde meteu piloto e seguiu directo à baía do Espirito Santo.

Era já bem de noite, às 23h10min, quando acostou ao Cais Gorjão.

Esta hora de chegada não é normal, apenas se justifica porque o navio está a fazer uma viagem que se segue aos quase 2 meses e meio de inactividade devido a uma grande reparação. Portanto havia que recuperar alguns dias de viagem para acertar o calendário original. Assim, a carga e descarga nos vários portos era mais rápida e evitou-se a escala em Durban.
Lourenço Marques. Vista geral da cidade.
Agora, aqui estamos em Lourenço Marques (já noutros tempos, por intromissão dos nossos “amigos” ingleses, chamada “Delagoa Bay”), onde só permaneceremos durante 2 dias. A saída, para a Beira, será já na madrugada do dia 7.

Navio de passageiros "Infante D. Henrique"
Entretanto, enquanto o “Angola” chega, sairam o “Infante D. Henrique”, navio de passageiros da CCN e o “Sofala”, cargueiro da CNN, antigo navio alemão, presa de guerra e que dada a sua grande capacidade de carga, era vulgarmente conhecido por “rapa cais”.





Navio cargueiro a vapor, "Sofala"

Como o tempo de estadia vai ser escasso, eu aproveitarei o facto de ter aqui familiares, que me vão ocupar o tempo disponível, o que para mal deles também não deixa de ser para meu mal, pois o descanso ainda vai ser menos e o meu físico vai sofrer com isso. Vão ser uns quilos a menos, de certeza!

Portanto, como não vos poderei acompanhar, irei dar-vos indicações para visitas e pontos que poderão ter algum interesse.

Lourenço Marques. Vista geral. Ao fundo, o porto.

A Estação Central de Caminho de Ferro, na Praça Mac Mahon, o Mercado Vasco da Gama, o café “Scala”, o cinema “Gil Vicente”, o café “Nicola”, os Correios, a Fortaleza, a doca da Marinha, a praia da Polana e, logo de seguida, as areias da Costa do Sol, de águas bem claras. O Hotel Polana, dominando, lá do alto. A igreja de Santo António, da Polana, novíssima e de arquitectura bem arrojada, projecto de Nuno Craveiro Lopes, filho do antigo Presidente da República, o General Craveiro Lopes . A igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Lourenço Marques.
A cidade, vista da Igreja de Nossa Senhora de Fátima

Lourenço Marques. Igreja de Santo António, da Polana



Poderão ir ao Alto Maé, a Malhangalene, a Xinambanine, a Xipamanine, ou à Matola. De carro, ou comboio, poderão ir a Vila Luísa e a Marracuene, para ver os hipopótamos e adivinhar o rio serpenteando, do qual as águas não se vêem, mas adivinha-se, devido ao deslocamento do manto verde que as cobre.

Se quiserem atravessar a baía do Espírito Santo, poderão ir à Catembe.

Se todo este movimento lhes abrir o apetite, poderão ir comer umas “sandes” de carne, na Fábrica da Cerveja. Ou uns camarões grelhados! Verão que não se arrependerão!

No desporto, vão ouvir falar dos duelos, no hóquei patinado, “Ferroviários”-“Malhangalene” ou, mais propriamente dos irmãos “Carrelo” - “Adrião”, embora o Carrelo mais velho (Acúrcio) já esteja na metrópole. Eram duelos que estravasavam para fora do rinque e até faziam sangue! Vão ouvir falar dum tal Domingos Capindiça (*), atleta corredor de fundo e trabalhador dos Caminhos de Ferro. Bom atleta, pois o seu treino diário é ir e vir a correr, da Matola, onde vive num casinhoto, até à cidade. Também se fala num ciclista, o José Vargues. E, como não pode deixar de ser, fala-se dum novo “Eusébio”. É um miúdo, avançado do Sporting da Beira, o melhor marcador do campeonato de juniores, de seu nome Manaca!

Na rádio, vão ouvir cantar a Maria Adalgisa, com locução da Maria José Baião e a rádio novela, em landim ou ronga, dialectos moçambicanos.

E, como o tempo é curto para tanta coisa, não se esqueçam das compras. Há muito por onde escolher mas, se aceitam a sugestão, passem pelo “Man Kai” e escolham. Louça chinesa (aquelas chávenas com a chinesinha lá no fundo), arcas em cânfora e madrepérola e o mais que lá verão. Boas visitas e boas compras! Eu além de visitar os familiares, terei de fazer compras e estou convocado para um “joguinho” de futebol no campo do “Ferroviários”. Tenho que estar em forma mas, com tantos afazeres, nem eu sei como!

(*) Um lapso de memória fez-me aqui referir o nome de Domingos Capindiça, angolano que foi atleta do Sporting Clube de Portugal, em vez de António Repinga, este sim moçambicano e, ao que julgo saber, atleta do Clube Ferroviário de Lourenço Marques. Fico aqui a correcção!

terça-feira, 3 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 14 ) ... Cape Town - (Durban) - Lourenço Marques


Dias 01 e 02 de Abril :
Feito o normal desembaraço do navio, aproveitando, decerto, para meter produtos tais como fruta, peixe (a tal pescada do Cabo, sem cabeça) e, muito importante para a tripulação, as garrafinhas, principalmente de whisky.
Desta cidade, fundada em 1652 por Jan van Riebeeck e geograficamente posicionada a 33º 56´de latitude Sul e 18º 29´de longitude Este, saiu o “Angola” às 23h37min.

Cape Town. Vista aérea.
A cidade. A Mesa, a Cabeça do Leão e os Doze Apóstolos.
Saído do porto, o navio infletiu para sul, para contornar a chamada Cape Peninsula, e depois de passar por Sea Point e Camps Bay, ainda dentro da área metropolitana, seguiu junto à costa, até dobrar o Cape of Good Hope, o “famigerado” Cabo das Tormentas. Custa a crer que fosse “aquilo” o tal Adamastor mas, agora, é bom falar!
O "tenebroso" Cabo das Tormentas!
Cape Town.
Ao largo, um navio da Union-Castle

Aqui chegados, um pouco mais ao sul avistamos o Cabo das Agulhas, este sim o ponto mais a sul, do continente africano. Passado este cabo, o navio vira de novo para Norte. Saímos do Atlântico, entramos no Índico e, como prometi, vou levá-los até Durban.
Navegamos à vista da costa e vamos observando a verdura dos arredondados montes. A costa é recortada de montes e vales, aqui e ali ligados por pontes onde o caminho de ferro, junto à linha de costa, o que torna a paisagem agradável de ver. Chega a parecer uma paisagem campestre da Escócia, digo eu. Lá longe, adivinham-se Port Elisabeth e East London.

Dia 03 :
O mar mostra-se algo alteroso, fruto de fortes ventos e da corrente forte que se faz sentir, agora que entrámos no canal de Moçambique.
Esta corrente que quando navegamos para norte nos reduz a velocidade aí para os 14 nós e no percurso descendente faz o navio, corrente favorável e vento de popa, andar a mais de 18 nós!
Agora, aí estamos nós, a andar “para trás”, mas havemos de lá chegar!
O "Princípe Perfeito" entrando em Durban


Durban. Orla costeira e entrada do porto.











Manhã cedo, avistamos a entrada do porto de Durban. Depois de meter piloto a entrada faz-se por um canal para uma enorme baía interior.
Durban. Cais e porto interior.
O cais é servido por uma moderníssima gare marítima. Armazéns no piso do cais e tudo o resto, alfândega, escritórios, cafés, parque automóvel e piso de embarque, ficam num nível superior servido por um acesso, estilo viaduto, e que, pelo menos para mim, é totalmente inovador.
Durban. Vista aérea.
A cidade, nada tem a ver com Cape Town. É muito mais moderna, repleta de grandes edifícios, desanuviada e com a praia ali mesmo à mão, qual Copacabana. O extenso areal é servido por uma marginal e as infraestruturas necessárias, tais como, restaurantes, piscinas, recintos de jogos, etc.
Durban. Piscinas, junto à praia.
Durban. A cidade, vista da praia.


O clima também ajuda pois aqui já se nota algum calor e os visitantes, não lhes chamo turistas porque em África é como no Alentejo e é tudo já ali, vêm até de Joanesburgo. Dir-se-ia que esta é a praia de Joanesburgo tal o número de pessoas que dali se desloca apenas para ir tomar banho de mar.
Durban. Piscinas, junto à praia.







Para fazer compras, não há que enganar. Também aqui há o “OK Bazaars” mas, embora haja simpatia, nada é como no Cabo. Para umas compras mais delicadas, ainda há o “Garlicks”.
Durban. Praia e cidade.







Ninguém se admire ao ouvir uma espécie de relincho e lhe aparecer um personagem de chifres na cabeça, a correr pela avenida, aos pulos, puxando um veículo que poderá transportar alguém. É turístico. É um riquexó, versão “zulu”!
Durban. Típicos "Riquexós"
Portuguesmente, aqui, temos que redobrar de cuidados. Se em porto não devemos fazer esgoto das cavernas do navio, o que cumprimos quando em porto estrangeiro, aqui dentro da baía, temos que redobrar de cuidados. Dá direito a multa e prisão. Em Lisboa, ninguém liga. É observar o rio Tejo e ver a porcaria que vem por ele abaixo. E, não é só lixo das margens. Se aquele terminal da Soponata falasse, diria que não é só ele e, por aqui me fico...

Aproveito para mostrar alguns exemplares étnicos:
"Responsável da produção" do bananal.
Também em "protesto"...
Comissão de boas-vindas. Em "protesto" contra a crise.
Anda tudo de tanga...


















Esta descrição tem um maior envolvimento fotográfico porque no regresso já cá não viremos. Assim deliciem-se na reportagem e retomemos a rota.
Sigamos a Lourenço Marques, onde chegaremos amanhã, dia 4 de Abril!


domingo, 1 de abril de 2012

O "Angola", vai de viagem... virtual! ( 13 ) ... Moçamedes - Cape Town

Dia 29 :
Neste porto, Moçamedes, praticamente só houve descarga, pelo que a saída do navio se fez às 10.25h.
O tempo refrescou, a água do mar, de ontem para hoje, baixou de 29º para 18º e a ordem foi vestir a farda azul. Começou também algum balanço.
O Cabo já estava próximo!
 
 
Dias 30 e 31 :
O balanço foi-se fazendo sentir e foi pondo à prova os estômagos de alguns passageiros menos dados a náuticas aventuras.
Pela parte que me toca, ou já me tinha habituado a estas lides ou o balanço já tinha abrandado.
Numa das minhas viagens anteriores, aconteceu um facto um pouco insólito.
Foi aqui, mais ou menos nesta zona, entre a costa de África e a América do Sul que o “Angola” recebeu um pedido de “SOS”.
Dava-se o caso de que num cargueiro suiço, talvez “apanhado” pelo clima ou pelas agruras da vida, alguém tentou o suicídio. Assim, pediam o auxílio dum médico dalgum navio que navegasse por perto. O “Angola”, recebeu e deu as coordenadas e prontificou-se a desviar a rota e ir ao encontro do cargueiro. Porém, o médico do “Angola”, do qual eu esperava nunca necessitar, era um senhor já entrado na idade que, vaidoso, se recusava a usar óculos. Daí a alcunha de “Pitosga”! O senhor, quando se passeava pelo navio, cumprimentava tudo quanto lhe parecesse pessoa. Dá para ver o que acontecia, cadeiras e paus de carga eram cumprimentados com frequência. À medida que se ia sabendo da aproximação dos navios, ia crescendo a ansiedade do doutor. Ia olhando para o mar, um pouco alterado, e não se via a embarcar numa "casca de noz" (a pequena lancha) feito Vasco da Gama, enfrentar as ondas e subir ao outro navio para acudir a um indivíduo que, vejam lá, até se queria matar. Assim, que o mar estava difícil, que era perigoso fazer a aproximação, que lhe dessem algum comprimido ou, até seria melhor, que viesse ele (então, não era ele o interessado?) ao “Angola”! Isso é que seria o melhor! A ansiedade e o nervosismo iam aumentando, até que, por fim, o “Angola” recebe novo contacto do navio suiço. O tripulante tinha morrido!
Uff, que alívio! E o senhor doutor, encaminhou-se rapidamente ao bar, pediu um whisky e deu a boa nova a todos os presentes. Ele, já morreu!
Que sorte, digo eu, para o infeliz tripulante que não chegou a saber o que lhe estava reservado!

Dia 01 de Abril : A viagem é virtual mas ...não é mentira!
Às 00.00h, os relógios de bordo foram adiantados 60 minutos.
E como estamos a descer, em direcção ao Pólo Sul, já a temperatura da água do mar desceu aos 17ºC.
Começamos a aproximarmo-nos da costa, já “cheira” a terra e avistamos, imponente, a “Mesa”, ladeada pela “Cabeça do Leão” e o “Pico do Diabo”. A seus pés e sob a sua protecção, lá está Cape Town (Cidade do Cabo).
Cape Town. O porto, a cidade e a montanha!

Cerca das17.00h entramos no porto e às 17.34h, estamos acostados.
Se sairem a terra, poderão olhar a imponência do maciço montanhoso em volta da cidade e passando pela avenida, logo defronte, a Heerengracht, entram na Adderley Street e lá estará o “OK Bazaars”, grandes armazéns onde poderão passar os olhos pelas novidades, comprar alguma coisa, mas não muito porque os Rands desaparecem num instante e o escudo é curto!
Saco do OK Bazaars
("The OK Bazaars where South Africa shops")
escrito em "africander"
Poderão ver os sinais da passagem dos portugueses por esta cidade. Os nomes portugueses (madeirenses, decerto) nas lojas (“stores”), nas ruas, não “streets”, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama e na amabilidade com que serão recebidos nas lojas onde entrarem. Nestas lojas, normalmente, compramos os artigos e eles encarregam-se de ir levá-los a bordo. Poderão entrar num café e se repararem em vós, alguém porá, como música de fundo, à falta de melhor, uma música brasileira. Porém, há quem necessite de algum cuidado quando quiser frequentar, um cinema, um bar ou sentar-se num jardim. O português comum é moreno e pode acontecer que a esposa possa entrar e o marido tenha que ficar à porta, ou o contrário. No jardim, o relvado tem a indicação “Not indians or dogs” e os bancos poderão ter pintado “Europeans only”. O “apartheid” tem destas coisas!
A frequência de “boites” também pode trazer problemas porque grande parte das “meninas” lá presentes e muito atenciosas, embora pareçam, não o são!

A saída está prevista para as 23.00h. Vamos para Lourenço Marques mas, como mais uma oferta, farei um desvio até Durban.
Vai valer a pena!