quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Jóias de Salvaterra ( 5 ) - As Capelas

Sendo Salvaterra do Extremo, devota de Santa Maria, tendo por padroeira Nossa Senhora da Conceição (tal como Portugal, desde D. João IV) e tendo sido Comenda da Ordem de Cristo, distribui ainda a sua devoção por Santa Luzia, Santo António e por Nossa Senhora da Consolação que, por obra da sua intersecção durante uma praga de gafanhotos se veio a transformar num símbolo agregador da diáspora salvaterrenha.
Essa devoção é visível nas capelas que lhes foram erigidas e que são:

Capela de Santa Luzia, localizada na rua de Santa Luzia, entre a rua da Corredoura e a Praça. A festa, em sua honra, é em Agosto, no fim de semana anterior ao dia 24. Porém, por estranho que pareça, o vigário de Salvaterra, Frei Sebastião Pires Moreira, em 17 de Maio de 1758, nas “Memórias Paroquiais” escreve que os espanhóis costumavam visitar esta capela no dia 13 de Dezembro. Qual o motivo, desconhece-se!

Capela de Santo António, localizada ao fundo da rua das Cruzes, no caminho da Deveza. Chama-se rua das Cruzes porque era onde estavam colocadas as 3 cruzes (o Calvário) que daí foram retiradas e transferidas, em 1895, para junto do Cemitério Novo, então construído por iniciativa de João Henriques de Carvalho, benemérito salvaterrenho!
A sua festa, embora neste momento me pareça sem especial significado, é em Junho, no dia 13, como é natural!
Esta ermida é bem antiga, sendo já referida em Outubro de 1695, onde se lhe mandam fazer mordomos para que tratassem da manutenção e decoro da ermida, bem como da festa anual em louvor do santo.

Capela de Nossa Srª da Consolação, erguida em 1905, na Deveza, onde outrora existiu a capela de Santo Amaro e, mais tarde, a Capela do Senhor de Pedra.
É aqui que, todos os anos (desde 1905), se faz um Bodo em honra da padroeira em virtude de promessa antiga por via da intersecção de Nossa Senhora da Consolação durante uma praga de gafanhotos que assolou estas terras, pelos anos 80 do século XIX segundo alguns autores, muito embora a devoção a Nossa Senhora da Consolação seja de origem bastante mais remota. Pensa-se que remonte ao século XVI (em Salvaterra, mas no lugar de Monfortinho).

Enquanto a Igreja Matriz, é de suposta construção no séc. XV, pode ver-se nos desenhos de Duarte d’Armas que estas capelas não parecem estar aí representadas, pelo que deverão ter sido construídas no séc. XVI ou XVII, uma vez que a igreja da Misericórdia se supõe da primeira metade, ou do princípio, do séc. XVI. Talvez a de Santa Luzia, por estar dentro dos muros da vila, tenha sido anterior mas as de Santo António e de Santo Amaro serão, porventura, mais tardias. Por isso, talvez fins do séc. XVI ou já no séc. XVII.

Ainda nas “Memórias Paroquiais”, escreve o vigário de Salvaterra, Frei Sebastião Pires Moreira, que:
“Dentro do castelo … há uma capela chamada de S. Benedito sem ornato”…
“Há mais fora dos muros três capelas arruinadas, de sorte que de uma só há vestígios, e das duas ainda se conservam as paredes, e estas se chamam S. Pedro e S. Domingos, e aquela de S. João”.

Da de São Pedro, junto ao que resta do Cemitério Velho (Cemitério de São Pedro), ainda hoje se podem ver as ruínas.

A de São Domingos, consta que se localizasse no Couto, onde se diz haveria um convento e existe a ribeira de S. Domingos.
A de São João, seria no local onde hoje é o Poço de São João.

Nota: As fotos não são as que pretendia apresentar pois que algumas são referentes a momentos da vida pessoal e que nada representam no que concerne à importância do património apresentado. Porém, não tinha outras! Do facto as minhas desculpas.

2 comentários:

  1. "Chama-se rua das Cruzes porque era onde estavam colocadas as 3 cruzes (o Calvário) que daí foram retiradas e transferidas, em 1895, para junto do Cemitério Novo, então construído por iniciativa de João Henriques de Carvalho, benemérito salvaterrenho!..."

    Bem! As coisas que o amigo João descobre...
    Há tantos anos, com uma ligação especial à Rua das Cruzes, e desconhecia a origem do nome...
    Questiono-me se meus avós saberiam...

    A sua pesquisa sobre Salvaterra vai dando os seus belos frutos. Quando será que nos presenteia a todos com o livro sobre a história de Salvaterra?
    Continuação de bom trabalho e boas pesquisas...

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  2. Olá, Cristina!

    Pois, é! As coisas que eu sei...
    Algumas, ponho-me quase a adivinhar, outras nem por isso. Tento, no entanto, documentar-me o melhor que sei e posso.
    Quanto a livro, bem...
    Isto não está fácil. Até a Biblioteca Nacional fecharam!
    Mas, se Deus quiser, há-de sair qualquer coisa. Entretanto vou fazendo estes "posts" para abrir o apetite...

    Bem haja e um abraço,

    João Celorico

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