quarta-feira, 16 de maio de 2012

A ver ... navios! (1)



Agora que terminou uma viagem virtual e como os “passageiros” já estão feitos a estas coisas do mar, embora possam ter sentido algum enjoo, talvez seja altura de lhes mostrar parte do meu pequeníssimo acervo marítimo e pô-los “a ver ... navios”! Não me perderei em longas dissertações sobre a vida de cada um dos exemplares aqui mostrados. Deixo isso aos amantes do género ou aos mais curiosos. Também por isso, não me vou preocupar muito com a exactidão total do que aqui deixo. Será uma descrição com o mínimo de credibilidade, disso podem estar certos!
São 8 histórias de navios, cada uma diferente da outra mas cujo fim seria comum. No fundo, seria a lei da vida! Mas, a “lei do homem”, por vezes, faz das suas e a vida nem sempre é o que deveria ser.
Há, porém, um dos navios sobre o qual me irei alongar mais um pouco e a razão será evidente.
Não vou aqui mencionar os navios da CNN (Companhia Nacional de Navegação) porque isso levar-me-ia a uma muito mais longa, aprofundada e maçadora descrição, o que eu já disse não querer!
Posto isto, comecemos:

O "Vulcania", ao largo de Gibraltar
Navio construído no Cantieri Naval Triestino, em 1926, para a Cosulich Line, tinha alojamento para 2196 passageiros e foi um dos primeiros navios com motor Diesel.
Tal como ao seu irmão “Saturnia”, habituei-me, na década de 50, a vê-lo com frequência na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos.
Destinado à ligação Trieste, Nova Iorque, Buenos Aires, era o transporte de muito emigrante, entre os quais muitos açorianos uma vez que também fazia escala nos Açores.
Depois de passar muitas vicissitudes, em que a maior foi a II Guerra Mundial, em 1965 mudaram-lhe o nome para “Caríbia”, levando-o, no fim da sua vida, a fazer cruzeiros para as Américas e Índias.

Deslocamento ............ : 24.000 ton
Comprimento ..............:      192 m
Boca ........................... :   24,30 m
Velocidade normal   ... :       21 nós

Curioso o facto deste navio que, em Setembro de 1941, conseguiu escapar a um ataque de submarinos ingleses, ao sul da ilha de Malta, perto de casa e no qual viu perecerem dois dos seus irmãos mais novos, o “Neptunia” e o “Oceania”, mas quando, em 1974, com 46 anos de vida, o levaram para abate, como que num acto de revolta, pensou de si para si que “mais vale a morte que tal sorte!” e, de seguida, entregou a sua vida nas mãos do deus Neptuno. Naufragou e ficou para sempre sepultado no fundo das águas que, afinal, foram o motivo da sua vida!


O S.S. "Brasil"
Navio construído em 1957, por Ingalls Shipbuilding Corp., Pascagoula, EUA, para Moore-McCormack Lines, foi o 2º deste nome. O anterior era o S.S. “Brazil”, com grafia inglesa.

Deslocamento ............ : 22.770 ton
Comprimento ..............: 188,30 m
Boca ........................... :   25,60 m
Velocidade cruzeiro ... :        23 nós

Em 1972, pela primeira vez, foi vendido e mudou de nome, facto que se iria repetir por várias vezes.
Depois de fazer uma vida de cruzeiros de férias, fim para o qual tinha sido construído, foi desmantelado em 2004.


O "Federico C"
Nestes tempos em que tanto se falou do “Costa Concordia”, este navio, construído em 1958, foi o primeiro navio novo a ser construído para a Costa Line (Línea “C”).

Deslocamento ............ : 20.000 ton
Comprimento ..............: 184,70 m
Velocidade normal ....  :        21 nós

Destinado à linha Génova, Rio de Janeiro, Buenos Aires, manteve o seu nome até 1983, ano em que foi vendido pela primeira vez. A partir daí outras mudanças de nome se deram até acabar, como “Sea Breeze” quando, viajando sem passageiros, vítima  de grande temporal e com avaria nas máquinas, se afundou junto à costa dos Estados Unidos, em Dezembro de 2000.
Durante a construção da Ponte sobre o Tejo, muito possivelmente em 1965,
larga do rio Tejo o paquete "Federico C".
A dedução é minha, depois de analisar a foto! 
(Nota: Já depois de ter elaborado este "post", deparei com esta foto no blogue http://restosdecoleccao.blogspot.pt, e não resisti a incluí-la aqui. Aproveito para aconselhar este blogue,  que sigo regularmente)


O "Savannah"
Primeiro navio comercial, movido a energia atómica. Lançado à água em 22 de Julho de 1959, visitou Lisboa em Novembro de 1964. Construído segundo um projecto conjunto da Maritime Administration, U.S. Department of Commerce e da Atomic Energy Commission, era operado pela American Export Isbrandtsen Lines.

Deslocamento ............ : 21.850 ton
Comprimento ..............:      595 pés
Velocidade cruzeiro ... :        21 nós


Depois de se concluir que, ao contrário do que se pensava, comercialmente a energia atómica não era tão segura e económica,  o navio foi retirado do regular serviço em 1971 e colocado no Museu Maritimo Nacional Patriot’s Point, na Carolina do Sul. Só por isso, não teve o fim que a muitos outros esperava.
O Homem, se ainda tinha dúvidas, teve a prova provada de que estava a entrar em caminhos não só não rentáveis, como altamente perigosos. Quis então colocar tal navio num museu, para que todos o vissem e que servisse de exemplo do que não se deve tentar repetir. Hoje, infelizmente (ou, felizmente?) os exemplos já são muitos mais. Será que servirão de alguma coisa, ou o Homem não terá emenda?
Todos teremos essa responsabilidade!


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