Terminada a descrição do “Argibay”, aproveito para dizer algo sobre a 10ª
Repartição da AGPL. Isto porque a 10ª Repartição era quem fazia a gestão, da
frota da AGPL, da ponte giratória e, como arrendatário, da fiscalização sobre o
Estaleiro da CUF, que lhe ficava paredes meias.
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Uma imagem do que era a 10ª Repartição, já nos anos 60 (retirado de http://restosdecoleccao.blogspot.pt/) |
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(arranjo de imagem retirada de http://lmcshipsandthesea.blogspot.pt/) |
Mas, é face à foto presente, que ainda não difere muito do que existia em
1957, que passo a fazer
a descrição do que eram as instalações da 10ª
Repartição da Administração Geral do Porto de Lisboa.
Um pouco antes da ponte giratória, ficava o portão de entrada e, logo à
esquerda, o pequeno edifício da Portaria, bem diferente do que agora se vê. Seguiam-se,
um pequeno Armazém de diversos materiais, tais como cabos e lubrificantes, a
Oficina de Serralharia/Carpintaria/Ferramentaria, um espaço livre, normal local
de estacionamento do automóvel do Chefe da Repartição (julgo,um Ford Anglia,
azul claro), devidamente preparado com tomada de água para a lavagem periódica do
mesmo e o Escritório (Gabinetes da Chefia, Contabilidade e Sala de Desenho).
Este edifício prolongava-se, num de construção mais recente, para o território
do Estaleiro da CUF, onde estava instalada a Fiscalização. O acesso,
controlado, a esta Fiscalização, era feito por um portão gradeado. Seguia-se,
então, depois mais um espaço livre, o edifício de construção contínua,
albergando, neste topo, a Oficina de Carpintaria Naval (principalmente
defensas), o Vestiário/Refeitório e depois, sucessivamente, Mergulhador,
Pintor, Fundidor, Soldador (penso que seriam por esta ordem), Oficina de
Caldeiraria e num prolongamento deste edifício e, portanto, construção mais
moderna, a secção de Picagem com os Vestiários e a Ferramentaria.
Defronte da Oficina de Serralharia, mais propriamente o espaço entre a
entrada e esta Oficina, até à muralha, era destinado parte, a recolher a ponte
giratória quando aberta e a restante para acomodar alguns ferros, amarras e o
berço para receber uma qualquer lancha para reparação, que naquele tempo
seriam, a “Lisboa”, a “Olivais” ou a “Bugio”.
A Oficina de
Serralharia/Carpintaria/Ferramentaria
Entrado o portão, logo à direita ficava o escritório dos Mestres, Laureano
e Zalpa, e o Jorge, apontador oficinal. Defronte do escritório, uma bancada,
onde se encontrava o ti’Carlos “Russo”, um serralheiro que pertencia ao
Estaleiro da CUF e nunca percebi porque estava ali. Penso que aqui haveria um
engenho de furar, radial, mas não estou certo! Seguindo, havia um torno
horizontal, o maior, mais recente e provido de motor eléctrico, antes deste e
mais encostado à parede, lá estava um limador ao qual se seguia, atrás do torno
maior e também junto da parede, um torno horizontal, o mais pequeno e destinado
aos trabalhos miúdos, casquilhos, machos, cavilhas, etc.. E, do lado direito,
ainda havia um rebolo, para afiamento dos ferros de plainas ou facas, por
exemplo. Esta parte terminava, então, na parede da Ferramentaria.
O lado esquerdo, começava com uma zona onde estava uma bancada de serralheiros,
mecânicos auto, seguia-se, virado para a parede, um outro torno horizontal,
médio, já antigo e entre este e a parede, uma bancada, do electricista
permanente. Depois, uma bancada com 3 ou quatro postos de trabalho, de cada
lado, finda a qual, havia um espaço livre até a um murete a partir do qual, num
piso ligeiramente mais elevado estava instalada a Carpintaria. Encostados ao
murete, um engenho de furar, de coluna, e uma esmeriladora de pedestal, com
duas mós e por ali, também, haveria uma pequena forja, portátil.
Ao falar dos tornos horizontais, convém dizer que um motor, instalado sobre
o tecto da Ferramentaria e uma transmissão por correias fazia a motorização dos
tornos, médio e pequeno e também do rebolo.
A Carpintaria, era provida de serra mecânica, garlopa, tupia e um pequeno
torno.
As outras instalações, escuso-me de pormenorizar, um pouco por
desconhecimento e outro tanto porque as irei referindo quando descrever o
período da minha vivência.
(continua)
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